- na Audiência-Geral, na
Praça de São Pedro – Roma, no dia 21 de Dezembro
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!...
Há pouco começamos um caminho de catequese
sobre o tema da esperança, mais oportuno do que nunca no tempo de Advento. Quem
nos orientou até agora foi o profeta Isaías. Hoje, a poucos dias do Natal,
gostaria de meditar, de modo mais específico, sobre o momento em que, por assim
dizer, a esperança entrou no mundo, com a encarnação do Filho de Deus. O
próprio Isaías tinha pré-anunciado o nascimento do Messias nalguns textos: «Eis
que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, ao qual será dado o nome de
Emanuel» (7, 14); e também: «Um rebento novo sairá do tronco de Jessé; um
rebento brotará das suas raízes» (11, 1). Nestas passagens transparece o
sentido do Natal: Deus cumpre a promessa, fazendo-se homem; não abandona o seu
povo, aproxima-se a ponto de se despojar da sua divindade. De tal modo Deus
demonstra a sua fidelidade e inaugura um Reino novo, que confere uma nova
esperança à humanidade. E qual é esta esperança? A vida eterna.
Quando falamos de esperança, referimo-nos
muitas vezes àquilo que não está no poder do homem e que não é visível. Com
efeito, o que esperamos vai além das nossas forças e do nosso olhar. Mas o
Natal de Cristo, inaugurando a redenção, fala-nos de uma esperança diferente,
de uma esperança confiável, visível e compreensível, porque fundada em Deus.
Ele entra no mundo e dá-nos a força de caminhar com Ele: Deus caminha ao nosso
lado em Jesus, e caminhar com Ele rumo à plenitude da vida dá-nos a força de
viver o presente de maneira nova, embora difícil. Então, para o cristão,
esperar significa a certeza de estar a caminho com Cristo, rumo ao Pai que nos
aguarda. A esperança nunca está parada, a esperança está sempre a caminho e
leva-nos a caminhar. Esta esperança, que o Menino de Belém nos confere, oferece
uma meta, um destino bom para o presente: a salvação da humanidade; a
bem-aventurança para quantos confiam em Deus misericordioso. São Paulo resume
tudo isto com a expressão: «Fomos salvos pela esperança» (Rm 8, 24). Ou seja,
caminhando neste mundo, com esperança, fomos salvos. E, aqui, cada um de nós
pode formular a pergunta: caminho com esperança ou a minha vida interior está
parada, fechada? O meu coração é uma gaveta fechada ou uma gaveta aberta à
esperança, que me faz caminhar, não sozinho, mas com Jesus?
Nas casas dos cristãos, durante o tempo de
Advento, prepara-se o presépio, segundo a tradição que remonta a São Francisco
de Assis. Na sua simplicidade, o presépio transmite esperança; cada um dos
personagens está imerso nesta atmosfera de esperança.
Antes de tudo, observamos o lugar em que
Jesus nasce: Belém. Pequeno povoado da Judeia, onde mil anos antes tinha
nascido David, o pequeno pastor escolhido por Deus como rei de Israel. Belém
não é uma capital e, por isso, é preferida pela providência divina, que gosta
de agir através dos pequeninos e dos humildes. Naquele lugar, nasce o «filho de
David» tão esperado, Jesus, em quem se encontram a esperança de Deus e a
esperança do homem.
Depois olhamos para Maria, Mãe da
esperança. Com o seu «sim», abriu a Deus a porta do nosso mundo: o seu coração
de jovem estava cheio de esperança, totalmente animada pela fé; e, assim, Deus
escolheu-a e ela acreditou na sua palavra. Aquela que por nove meses foi a arca
da nova e eterna Aliança, na gruta contempla o Menino e nele vê o amor de Deus
que vem para salvar o seu povo e a humanidade inteira. Ao lado de Maria está
José, descendente de Jessé e de David; também ele acreditou nas palavras do
anjo e, olhando para Jesus na manjedoura, medita que aquele Menino vem do
Espírito Santo, e que o próprio Deus lhe ordenou que o chamassem assim,
«Jesus». Naquele nome está a esperança para cada homem, porque mediante aquele
filho de mulher, Deus salvará a humanidade da morte e do pecado. Por isso é
importante olhar para o presépio!
E no presépio estão, também, os pastores,
que representam os humildes e os pobres que esperavam o Messias, a «consolação
de Israel» (Lc 2, 25) e a «libertação de Jerusalém» (Lc 2, 38). Naquele Menino
vêem o cumprimento das promessas e aguardam que a salvação de Deus finalmente
chegue para cada um deles. Quem confia nas próprias seguranças, sobretudo materiais,
não espera a salvação de Deus. Coloquemos isso na cabeça: as nossas seguranças
não nos salvarão; a única segurança que nos salva é a esperança em Deus.
Salva-nos porque é forte e nos leva a caminhar na vida com alegria, com o
desejo de praticar o bem, com a vontade de ser felizes para a eternidade. Ao
contrário, os pequeninos, os pastores, confiam em Deus, esperam n’Ele e
alegram-se quando reconhecem naquele Menino o sinal indicado pelos anjos (cf.
Lc 2, 12).
E precisamente o coro de anjos anuncia, do
alto, o grande desígnio que aquele Menino realiza: «Glória a Deus no mais alto
dos céus e na terra paz aos homens, que Ele ama» (Lc 2, 14). A esperança cristã
manifesta-se no louvor e na acção de graças a Deus, que inaugurou o seu Reino
de amor, de justiça e de paz.
Estimados irmãos e irmãs: nestes dias, contemplando
o presépio, preparemo-nos para o Natal do Senhor. Será verdadeiramente uma
festa, se recebermos Jesus, semente de esperança que Deus coloca nos sulcos da
nossa história pessoal e comunitária. Cada «sim» a Jesus que vem é um rebento
de esperança. Tenhamos confiança neste rebento de esperança, neste sim: «Sim,
Jesus, Tu podes salvar-me, Tu podes salvar-me». Feliz Natal de esperança para
todos! (cf. Santa Sé)
