SÃO
NIMATULLAH
YOUSSEF KASSAB AL-HARDINI
Youssef (José) Kassab nasceu em 1808, na localidade de
Hardin, situada nas montanhas do norte do Líbano. Foi o quarto filho da família
Kassab, que era composta por cinco meninos e duas meninas. De origem maronita -
[A Igreja Maronita é uma Igreja católica,
de rito oriental, em plena comunhão com a Sé Apostólica Romana, ou seja,
reconhece a autoridade do Papa. Tradicional no Líbano, esta Igreja Oriental
possui ritual próprio, diferente do rito Latino adoptado pelos católicos ocidentais.
O rito maronita prevê a celebração da missa em língua siro-aramaico, a língua
que Jesus Cristo falava.] - recebeu uma
educação marcada pelo profundo amor a Deus e à Igreja, e três dos seus cinco
irmãos também abraçaram a vida monástica ou sacerdotal.
Passou a infância frequentando os mosteiros e os ermos
do seu povoado. O jovem José frequentou os estudos elementares na escola do
Mosteiro de Santo António de Houb. Terminados os estudos, foi viver com o seu
avô – sacerdote maronita -, cujo exemplo suscitou nele o amor ao sacerdócio.
Participava, todos os dias, no ofício divino do mosteiro, com os monges, e na
paróquia, com o seu avô e os fiéis.
Entrou na Ordem Libanesa Maronita com vinte anos e
adoptou o nome de "Nimatullah", que significa "Dom de
Deus". Os dois anos de noviciado passou-os no Mosteiro de Santo António de
Qozhaya, entregando-se, com ardor, à oração comunitária e ao trabalho manual, dedicando
o seu tempo livre nas visitas ao Santíssimo Sacramento.
Depois da profissão monástica, cujos votos emitiu a 14
de Novembro de 1830, foi enviado para o Mosteiro de São Cipriano e São Justino
para estudar filosofia e teologia mas, também, para trabalhar no campo.
Sobressaía pelas suas capacidades de encadernador de manuscritos e livros. Em
virtude do seu ascetismo rigoroso, adoeceu e sentiu-se obrigado a assumir uma
tarefa menos pesada, na alfaiataria.
Terminando seus estudos eclesiásticos, com grande
sucesso, foi ordenado sacerdote, no dia de Natal de 1833, e, de seguida, foi
nomeado director dos estudantes e professor, função esta que exerceu até aos
últimos anos de vida. Geralmente, dividia os seus dias em duas partes: a
preparação para a celebração da Missa e a acção de graças depois da Eucaristia,
vivendo esta dimensão contemplativa juntamente com o seu amor aos irmãos e à
cultura. Ciente da dura realidade que as famílias libanesas viviam, fundou uma
escola para educar, gratuitamente, os jovens e dar-lhes formação religiosa.
Viveu duas guerras civis (1840 e 1845), prelúdio dos
acontecimentos sanguinolentos de 1860, durante os quais muitos mosteiros e
igrejas foram queimados e devastados, e numerosos cristãos maronitas perderam a
vida. Era severo consigo mesmo, mas misericordioso e indulgente para com os
irmãos. Radical na sua opção religiosa, concebia a santidade como
comunhão: "A primeira preocupação do homem deve consistir, dia e
noite, em não ferir nem afligir os irmãos".
Era grande a sua devoção à Virgem Maria, a quem pedia
sempre auxílio para o Líbano e para a sua Ordem. Recitava o Rosário todos os
dias; praticava o jejum em honra de Nossa Senhora, nos sábados e nas vigílias
das festas marianas; nutria uma devoção especial pelo mistério da Imaculada
Conceição e esforçava-se por inculcar nos fiéis o amor pela Mãe de Deus, consagrando-lhe
vários altares.
Em 1845, reconhecendo o seu zelo na observância das
regras monásticas, a Santa Sé nomeou-o assistente-geral da sua Ordem, com um mandato
de três anos, cargo que desempenhou por mais seis anos, sem jamais descuidar do
seu trabalho de encadernador, que exercia com espírito de grande pobreza.
Durante este período, residiu no Mosteiro de Nossa Senhora de Tâmish, que na
época era a Casa-Mãe da Ordem.
No inverno de 1858, extremamente rigoroso, apanhou uma
pneumonia, da qual não se recuperou mais. Depois de uma agonia de dez dias,
recebeu a unção dos enfermos com o ícone da Virgem nas mãos, invocando-a com
estas palavras: "Oh, Maria, recomendo-te a minha alma!". Nimatullah
Kassab Al-Hardini faleceu no dia 14 de Dezembro de 1858, com cinquenta anos de
idade. A sua fama de santidade, que já era reconhecida durante a sua vida,
consolidou-se, após a sua morte, graças aos muitos milagres obtidos pela sua
intercessão. O lugar da sua sepultura, no Mosteiro de São Cipriano de Kfifan,
tornou-se meta de peregrinações, sobretudo depois de se ter encontrado o seu
corpo incorrupto.
O Irmão Nimatullah viveu como um homem de oração e
morreu como um homem de oração.
Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 10 de
Maio de 1998, na Praça de São Pedro, Roma, e canonizado, pelo mesmo Pontífice,
em 16 de Maio de 2004, que, na Homilia da Missa de canonização, disse: “…Homem de oração, apaixonado pela Eucaristia, que ele gostava de
adorar, prolongadamente, São Nimatullah Kassab Al-Hardini é um exemplo tanto
para os monges da Ordem libanesa maronita, como para os seus irmãos libaneses e
para todos os cristãos do mundo. Ele entregou-se totalmente ao Senhor, numa vida
de grande renúncia, demonstrando que o amor a Deus constitui a única fonte
verdadeira da alegria e da felicidade para o homem. Ele dedicou-se à busca e ao
seguimento de Cristo, seu Mestre e Senhor. Acolhendo os seus irmãos, aliviou e
curou muitas feridas nos corações dos seus contemporâneos, dando-lhes
testemunho da misericórdia de Deus. Possa o seu exemplo esclarecer o nosso
caminho e suscitar, em particular nos jovens, um verdadeiro desejo de Deus e de
santidade, para anunciar ao nosso mundo a luz do Evangelho!...”
A memória litúrgica de São Nimatullah Youssef Kassab Al-Hardini celebra-se no dia 14 de
Dezembro.
