PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Anunciai… o Reino de Deus…” (cf. Mateus 10, 7) Hoje, no Evangelho, Jesus chama pelo nome - chama pelo nome - e envia os doze Apóstolos. Enviando-os, pede-lhes que proclamem algo: «Anunciai que o Reino dos Céus está próximo» (Mt 10, 7). É o mesmo anúncio com que Jesus deu início à sua pregação: o Reino de Deus, isto é, o seu senhorio de amor, aproximou-se, vem entre nós. E não se trata apenas de uma notícia entre outras, mas da realidade fundamental da vida: a proximidade de Deus, a proximidade de Jesus! Com efeito, se o Deus dos Céus está próximo, não estamos sozinhos na terra e não perdemos a confiança nem sequer no meio das dificuldades. Eis a primeira coisa a di-zer às pessoas: Deus não está distante, é Pai. Deus não está distante, é Pai, conhece-te e ama-te; quer dar-te a mão, até quando percorres caminhos íngremes e acidentados, até quando cais e tens dificuldade em levantar-te e retomar o caminho; Ele, o Senhor, está aí, contigo. Aliás, muitas vezes, nos momentos em que te sentes mais frágil, podes sentir a sua presença mais forte. Ele conhece o caminho, Ele está contigo, Ele é o teu Pai! Ele é o meu Pai! Ele é o nosso Pai! Detenhamo-nos nesta imagem, porque anunciar Deus próximo significa convidar a pensar como uma criança que caminha segurando a mão do pai: tudo lhe parece dife-rente. O mundo, grande e misterioso, torna-se familiar e seguro, pois a criança sabe que está protegida. Não tem medo e aprende a abrir-se: encontra outras pessoas, en-contra novos amigos, aprende com alegria coisas que não conhecia, e depois volta para casa e conta a todos o que viu, enquanto aumenta nela o desejo de crescer e fazer as coisas que viu o pai fazer. É por isso que Jesus começa por aqui, é por isso que a pro-ximidade de Deus é o primeiro anúncio: permanecendo próximos de Deus, vencemos o medo, abrimo-nos ao amor, crescemos no bem e sentimos a necessidade e a alegria de anunciar! Se quisermos ser bons apóstolos, devemos ser como as crianças: sentar-nos “no colo de Deus” e, dali olhar para o mundo com confiança e amor, para testemunhar que Deus é Pai, que só Ele transforma o nosso coração e nos dá aquela alegria e aquela paz que nós próprios não nos podemos dar. Anunciar que Deus está próximo. Mas como o fazer? No Evangelho, Jesus recomenda que não se digam muitas palavras, mas que se façam muitos gestos de amor e de espe-rança em nome do Senhor; não dizer muitas palavras, mas fazer gestos: «Curai os do-entes, diz, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. Recebes-tes de graça, de graça dai» (Mt 10, 8). Eis o cerne do anúncio: o testemunho gratuito, o serviço. Digo-vos algo: fico sempre muito perplexo com os “paroleiros”, com o seu muito falar e nada fazer. Façamos aqui algumas perguntas: nós, que cremos no Deus próximo, confiamos n’Ele? Sabemos olhar para a frente com confiança, como uma criança que sabe que está no colo do pai? Sabemos sentar-nos noo colo do Pai na oração, na escuta da Palavra, aproximando-nos dos Sacramentos? E por fim, abraçados a Ele, sabemos incutir cora-gem nos outros, fazer-nos próximos de quem sofre e está só, de quem está distante e até de quem nos é hostil? Eis a realidade da fé, é isto que conta! (Papa Francisco, na Ora-ção do Angelus, no dia 18 de Junho de 2023, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

terça-feira, 30 de maio de 2017

SANTOS POPULARES


BEATO JOSÉ GÉRARD

José Gérard nasceu em Bouxieres-aux-Chênes - França, no dia 12 de Março de 1831. Os seus pais, João Gerárd e Úrsula Stofflet, honrados e piedosos agricultores. Foi baptizado logo no dia seguinte. Aos dez anos, como era costume na época, fez a primeira comunhão, no dia 2 de Fevereiro de 1842, e recebeu o Crisma dois anos depois. Por esta altura, graças ao bom ambiente familiar e ao testemunho do seu pároco, nasceu nele a vontade de ser sacerdote.
Entrou no seminário da Diocese de Nancy para continuar os estudos e, cedo, deu provas de ser um estudante aplicado e piedoso. O desejo de salvar almas foi crescendo no seu coração e, nos seus sonhos, via-se impelido para ir mais longe, para as longínquas missões entre os infiéis. Entrou, sem demora, em contacto com um Instituto Missionário que, especialmente, o atraia: os Oblatos de Maria Imaculada. No dia 9 de Maio de 1851, foi admitido nos Oblatos, já com alguns estudos teológicos feitos.
Durante o ano de noviciado, José sobressaiu pela sua devoção a Nossa Senhora e pelo seu zelo apostólico, a ponto de merecer a graça que tanto desejava. O seu Superior - sendo ele apenas diácono – achou por bem enviá-lo para a África do Sul, aonde chegou, no dia 21 de Janeiro de 1854, depois de oito meses de trabalhosa navegação. Aí, no mês seguinte, foi ordenado sacerdote, para logo entrar nas lides apostólicas. Coube-lhe, de início, trabalhar numa região onde nada de apreciável conseguiu, ao longo de sete anos de trabalho exaustivo: os seus habitantes recusaram o Evangelho. Então, foi incumbido de ir evangelizar os povos de Basutolândia, actual Lesoto. Aqui trabalhou durante 50 anos, com tanto zelo e tanto fruto que mereceu ser chamado o fundador das missões entre os Basutos. As qualidades e virtudes do Padre Gerárd fizeram dele um insigne missionário. Não havia para ele empreendimento impossível, nem estorvo insuperável. Confiava totalmente no Senhor e insistia na oração frequente. Pobre e humilde, tirava da humildade força para tudo levar a bom termo.
Verdadeiro religioso, tinha como norma proceder sempre conforme as exigências da vocação, no fiel seguimento de Cristo e na constante comunicação com Deus. Daqui, provinham o espírito de sacrifício e de abnegação, o ardor da sua fé, o afã de em tudo e alegremente cumprir a vontade de Deus. Entregou-se totalmente ao serviço de todos. O Papa João Paulo II, na homilia da sua beatificação, disse: «Por onde quer que o Beato Gerárd andasse, sabia viver a vocação missionária com extraordinário fervor apostólico. O seu amor a Deus, cada vez mais ardente, manifestava-se no amor concreto para com o próximo. Ele é conhecido pela sua especial solicitude a favor dos doentes. Através de visitas frequentes e de um trato muito gentil, em todos infundia coragem e esperança. Com aqueles que se encontravam à beira da morte, tinha palavras que os dispunham para o seu encontro com Deus».
Por isso, não é de estranhar que o apelidassem de santo e que uma idosa mulher, testemunha das suas virtudes durante 40 anos, dissesse: «Ele foi o melhor sacerdote de quantos conheci. Não poderá haver outro mais santo. Se ele não é santo e não entrou no Céu, ninguém lá poderá entrar, nem branco, nem preto».
O Padre José Gérard parecia um Evangelho vivo, comprovando, com as obras, a doutrina que ensinava. São do seu diário as frases seguintes: «O bom Deus quer que sejamos santos, puros». «É uma obrigação para mim e para todos». «Sinto continuamente o dever de ser um com Jesus e Maria, para fazer bem às almas. Sem isto, que cristianismo, que santidade poderei inculcar?». De novo uma referência do Santo Padre: «O segredo da sua santidade, a chave da sua alegria e do seu amor às almas residia no facto de andar sempre unido a Deus… As pessoas queriam estar perto dele, porque parecia estar continuamente junto de Deus… Durante as longas e difíceis viagens, conversava frequentemente com o seu amado Senhor. Este sentido vivo de estar sempre na presença de Deus, explica a sua constante fidelidade aos votos religiosos de castidade, pobreza e obediência, e às suas obrigações como sacerdote».
Os últimos anos da sua vida decorreram na humildade, dedicando-se ao trabalho apostólico de olhos postos só em Cristo e na sua Igreja. Padeceu breve enfermidade, sendo então de notar a sua perfeita submissão à vontade de Deus.
Gasto pelo trabalho e pela idade, o Padre José Gérard faleceu no dia 29 de Maio de 1914, na missão chamada ‘Roma’, tão querida para ele. O seu funeral converteu-se em verdadeiro triunfo. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II, em Maseru, capital de Lesoto, no dia 15 de Setembro de 1988.

A memória litúrgica do Beato José Gérard celebra-se no dia 29 de Maio.