PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… O Senhor é um Deus clemente e compassivo…” (cf. Êxodo 34, 6) O Evangelho de hoje (cf. Jo 3, 16-18), festa da Santíssima Trindade, mostra - na linguagem sintética do apóstolo João - o mistério de amor de Deus pelo mundo, sua criação. No breve diálogo com Nicodemos, Jesus apresenta-se como Aquele que cumpre o plano de salvação do Pai a favor o mundo. Afirma: «Deus amou de tal modo o mundo que deu o seu Filho único» (v. 16). Estas palavras indicam que a acção das três Pessoas divinas - Pai, Filho e Espírito Santo - é um desígnio único de amor que salva a humanidade e o mundo; é um desígnio de salvação para nós. Deus criou o mundo bom e belo, mas depois do pecado, o mundo está marcado pelo mal e pela corrupção. Nós, homens e mulheres somos pecadores, todos; por isso, Deus poderia intervir para julgar o mundo; para destruir o mal e castigar os pecadores. Em vez disso, Ele ama o mundo, apesar dos seus pecados; Deus ama cada um de nós, mesmo quando cometemos erros e nos afastamos d'Ele. Deus Pai ama tanto o mundo que, para o salvar, oferece o que tem de mais precioso: o seu Filho único, o qual dá a sua vida pela humanidade, ressuscita, volta para o Pai e, juntamente com Ele, envia o Espírito Santo. Por conseguinte, a Trindade é Amor, totalmente ao serviço do mundo, que deseja salvar e recriar. Hoje, pensando em Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, reflitamos no amor de Deus! E seria bom que nos sentíssemos amados. “Deus ama-me”: este é o sentimento de hoje. Quando Jesus afirma que o Pai deu o seu Filho unigénito, pensamos espontaneamente em Abraão e na sua oferta do filho Isaac, do qual o Livro do Génesis fala (cf. 22, 1-14): eis a “medida sem medida” do amor de Deus. E pensemos também em como Deus se revela a Moisés: cheio de ternura, misericordioso, piedoso, lento para a ira e rico de graça e fidelidade (cf. Êx 34, 6). O encontro com este Deus encorajou Moisés que, como narra o livro do Êxodo, não receou colocar-se entre o povo e o Senhor, dizendo-lhe: «Somos um povo de cerviz dura, mas perdoai-nos as nossas iniquidades e os nossos pecados e aceitai-nos como propriedade Vossa» (v. 9). E assim fez Deus, enviando o seu Filho. Nós somos filhos no Filho, pelo poder do Espírito Santo! Nós somos a herança de Deus! Estimados irmãos e irmãs, a festa de hoje convida-nos a deixarmo-nos fascinar, mais uma vez, pela beleza de Deus; beleza, bondade e verdade inesgotável. Mas também beleza, bondade e verdade humilde e próxima, que se fez carne para entrar na nossa vida, na nossa história, na minha história, na história de cada um de nós, para que cada homem e cada mulher possa encontrá-la e ter a vida eterna. E isto é fé: acolher Deus-Amor, acolher este Deus-Amor que se dá em Cristo, que nos faz mover no Espírito Santo; deixar-se encontrar por Ele e confiar n'Ele. Esta é a vida cristã. Amar, encontrar Deus, buscar Deus; e Ele procura-nos primeiro, Ele encontra-nos primeiro. Que a Virgem Maria, morada da Trindade, nos ajude a acolher com o coração aberto o amor de Deus, que nos enche de alegria e dá sentido ao nosso caminho neste mundo, orientando-o sempre para a meta que é o Céu. (Papa Francisco na Oração do Angelus, no dia 7 de Junho de 2020, Solenidade da Santíssima Trindade, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO


- resumo da mensagem do Papa, na Audiência-Geral, na Praça de São Pedro – Roma, no dia 28 de Junho


Quando lemos a vida dos mártires, de ontem e de hoje, ficamos maravilhados ao ver a fortaleza com que enfrentam as provações. Esta fortaleza é sinal da grande esperança que os animava: nada e ninguém poderia separá-los do amor de Deus que lhes foi dado em Cristo Jesus. Nos tempos de tribulação, devemos crer que Jesus vai à nossa frente e não cessa de acompanhar os seus discípulos. A perseguição não está em contradição com o Evangelho; antes pelo contrário, faz parte dele: se perseguiram o divino Mestre, como podemos esperar que nos seja poupada a luta? Assim, mesmo no meio do turbilhão, o cristão não deve perder a esperança, julgando-se abandonado. Jesus assegura-nos: «Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais!» Como se dissesse: Nenhum dos sofrimentos do homem, nem mesmo os mais íntimos e ocultos, passam despercebidos ou são invisíveis aos olhos de Deus. Deus vê; e, seguramente, protege e resgata-nos do mal. De facto, no nosso meio, há Alguém que é mais forte do que o mal; Alguém que sempre ouve a voz do sangue de Abel que clama da terra. Com esta certeza, os mártires não vivem para si, não combatem para afirmar as próprias ideias e aceitam morrer apenas por fidelidade ao Evangelho. A única forma de vida do cristão é o Evangelho. O martírio não é sequer o ideal supremo da vida cristã, porque, como diz o apóstolo Paulo, acima dele está a caridade, o amor a Deus e ao próximo. Repugna aos cristãos a ideia de que, nos atentados suicidas, aqueles que os fazem se possam chamar «mártires»: naquele desfecho final, não há nada que lembre a atitude dos filhos de Deus. A lógica evangélica aceita, nos cristãos, a prudência e até a esperteza, mas nunca a violência. Para derrotar o mal, não se podem adotar os métodos do mal.  (cf. Santa Sé)