PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…vai profetizar ao meu povo…” (cf. Amós 7, 15)

O caminho do profeta está cheio de obstáculos. Na sua missão de anunciar Deus e o seu projecto encontra entraves de todo o tipo. Não se esperaria que alguns deles viessem de gente conotada com o serviço de Deus, com a actividade religiosa, com a missão de ser presença do divino no coração da vida. Pela nossa experiência, muitas vezes constatamos que são os de dentro – os que frequentam a igreja, os que colaboram nas actividades paroquiais, os que se afirmam cristãos, os da nossa casa, os da nossa comunidade – a erguer mais obstáculos à concretização do desígnio de Deus de salvar todos os homens, pelo caminho da bondade, da misericórdia e do perdão. Hoje, é importante que, de coração sincero e vida transparente, os cristãos afirmem, convictamente, a sua adesão a Cristo; o desejo de uma conversão autêntica; a disponibilidade para a missão evangelizadora; a abertura de espírito para acolher e reconciliar; a vontade firme da fidelidade e da coerência; o amor à Igreja e à comunidade de que fazem parte. Cada cristão, como bom fermento, deve transfigurar a vida e os ambientes na alegria do Evangelho.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

PALAVRA DO PAPA FRANCISCO



- na Audiência-Geral, na Praça São Pedro, Roma, no dia 18 de Abril de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Prosseguimos, neste Tempo de Páscoa, com as catequeses sobre o Baptismo. O significado do Baptismo sobressai, claramente, da sua celebração; por isso, dirijamos para ela a nossa atenção. Considerando os gestos e as palavras da liturgia, podemos compreender a graça e o compromisso deste Sacramento, que deve ser sempre redescoberto. Fazemos memória dela na aspersão com a água benta, que se pode realizar no domingo, no início da Missa, assim como na renovação das promessas baptismais, durante a Vigília Pascal. Com efeito, quanto acontece na celebração do Baptismo suscita uma dinâmica espiritual que atravessa toda a vida dos baptizados; é o início de um processo que nos permite viver unidos a Cristo, na Igreja. Portanto, regressar à nascente da vida cristã leva-nos a compreender melhor o dom recebido no dia do nosso Baptismo e a renovar o compromisso de lhe corresponder na condição em que estamos, hoje. Renovar o compromisso, compreender melhor este dom, que é o Baptismo, e recordar o dia do nosso Baptismo. Na quarta-feira passada, pedi para fazer um trabalho: que cada um de nós recordasse o dia do Baptismo, e tentasse saber o dia em que foi baptizado. Sei que alguns de vós sabem-no; outros não. Os que não o sabem, devem perguntar aos parentes, a outras pessoas, aos padrinhos, às madrinhas... Perguntem: “Qual é a data do meu Baptismo?”. Porque o Baptismo é um renascimento; é como se fosse o segundo aniversário. Entendestes? Cumprir este dever de casa: perguntar: “Qual é a data do meu Baptismo?”.
Antes de tudo, no rito de acolhimento, pergunta-se qual é o nome do candidato, porque o nome indica a identidade de uma pessoa. Quando nos apresentamos, dizemos imediatamente o nosso nome: “Chamo-me assim…”, para sair do anonimato; anónimo é quem não tem um nome. Para sair do anonimato, dizemos, imediatamente, o nosso nome. Sem um nome, permanecemos desconhecidos, sem direitos nem deveres. Deus chama cada um pelo nome, amando-nos individualmente, na realidade da nossa história. O Baptismo suscita a vocação pessoal de viver como cristão, que se desenvolverá durante a vida inteira. E comporta uma resposta pessoal, e não tomada por empréstimo, ou “copia e cola”. Com efeito, a vida cristã é tecida por uma série de chamadas e respostas: Deus continua a pronunciar o nosso nome ao longo dos anos, fazendo ressoar, de muitas maneiras, a sua chamada a conformarmo-nos com o seu Filho Jesus. Portanto, o nome é importante! É muito importante! Os pais pensam no nome que darão ao filho já antes do nascimento; também isso faz parte da espera de um filho que, no próprio nome, terá a sua identidade original, inclusive para a vida cristã, ligada a Deus.
Sem dúvida, tornar-se cristão é um dom que vem do alto (cf. Jo 3, 3-8). A fé não se pode comprar, mas sim pedir e receber como dom. “Senhor, concedei-me o dom da fé!”, é uma bonita oração! “Que eu tenha fé!” é uma bonita prece. Pedi-la como dom: não se pode comprá-la, pede-se… Com efeito, «o Baptismo é o sacramento daquela fé, com a qual os homens, iluminados pela graça do Espírito Santo, respondem ao Evangelho de Cristo» (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução geral, n. 3). A formação dos catecúmenos e a preparação dos pais, assim como a escuta da Palavra de Deus na própria celebração do Baptismo, tendem a suscitar e a despertar uma fé sincera, em resposta ao Evangelho.
Se os catecúmenos adultos manifestam pessoalmente aquilo que desejam receber como dom da Igreja, as crianças são apresentadas pelos pais, com os padrinhos. O diálogo com eles permite que exprimam a vontade de que os pequenos recebam o Baptismo e, à Igreja, a intenção de o celebrar. «Expressão de tudo isto é o sinal da cruz, que o celebrante e os pais traçam na testa das crianças» (Rito do Baptismo das Crianças, Introdução, n. 16). «O sinal da cruz...manifesta a marca de Cristo impressa naquele que vai passar a pertencer-lhe e significa a graça da redenção que Cristo nos adquiriu pela sua cruz» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.235). Na celebração, fazemos o sinal da cruz nas crianças. Mas gostaria de retomar um tema do qual já vos falei. As nossas crianças sabem fazer bem o sinal da cruz? Muitas vezes, vi crianças que não sabem fazer o sinal da cruz. E vós, pais, mães, avós, padrinhos e madrinhas, deveis ensinar a fazer bem o sinal da cruz, porque isso significa repetir o que se fez no Baptismo. Entendestes bem? Ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz. Se o aprenderem desde a infância, fá-lo-ão bem mais tarde, quando forem adultos.
A cruz é o distintivo que manifesta quem somos: o nosso falar, pensar, olhar e agir estão sob o sinal da cruz, ou seja, sob o sinal do amor de Jesus, até ao fim. As crianças são marcadas na testa. Os catecúmenos adultos são marcados também nos sentidos, com estas palavras: «Recebei o sinal da cruz nos ouvidos, para ouvir a voz do Senhor»; «nos olhos, para ver o esplendor da face de Deus»; «nos lábios, para responder à palavra de Deus»; «no peito, para que Cristo habite nos vossos corações mediante a fé»; «nos ombros, para sustentar o jugo suave de Cristo» (Rito da iniciação cristã dos adultos, n. 85). Tornamo-nos cristãos na medida em que a cruz se imprime em nós como uma marca “pascal” (cf. Ap 14, 1; 22, 4), tornando visível, inclusive exteriormente, o modo cristão de enfrentar a vida. Fazer o sinal da cruz quando acordamos, antes das refeições, diante de um perigo, em defesa contra o mal, à noite antes de dormir, significa dizer a nós mesmos e aos outros a quem pertencemos, quem desejamos ser. Por isso, é muito importante ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz. E, como fazemos ao entrar na igreja, podemos fazê-lo também em casa, conservando num pequeno vaso adequado um pouco de água benta (algumas famílias fazem-no): assim, cada vez que entramos ou saímos, fazendo o sinal da cruz com aquela água recordamo-nos que somos baptizados. Não vos esqueçais, repito: ensinai as crianças a fazer o sinal da cruz! (cf. Santa Sé)