SÃO MANUEL MORALES
Manuel Morales nasceu em Mesillas, perto de Zacatecas, na Diocese de Durango, México, no dia 8 de Fevereiro de 1898. Foi registrado como o filho dos seus avós, porque a sua mãe, Matiana Morales, era solteira. Ainda pequeno, perdeu o seu avô, José, que foi para ele como o pai que nunca tivera. Nesta altura, juntamente com a sua avó, mudou-se para Chalchihuites.
Em 1911, Manuel expressou o seu desejo de continuar os estudos, para se formar em Literatura. Com autorização da sua avó, em 2 de Outubro de 1911, começou a frequentar os cursos do Seminário Conciliar de Durango, como aluno externo.
No entanto, a crise social que se abatera sobre México,
devido à revolução, afectou, também, as instituições de ensino, incluindo o
Seminário, que foi fechado. Os estudantes tinham de se mudar, constantemente, de
um lugar para outro e, muitas vezes, não tinham nada para comer. Diante deste
estado de coisas, Manuel retornou a Chalchihuites, para ajudar os seus parentes,
que eram muito pobres.
Encontrou trabalho como empregado de balcão, numa
loja, onde se tornou muito querido pelo seu carácter amável, simples e cordial.
Mesmo no seu emprego posterior – trabalhou numa padaria familiar – foi muito
responsável, trabalhador e tenaz, o que lhe abriu o caminho de muitas
possibilidades, na vida.
No dia 1 de Setembro de 1921, casou-se com Maria del
Consuelo Loera Cifuentes. Tiveram três filhos: Manuel, Carlos e Afonso. Sempre
procurou dar o devido tempo à família, ao trabalho e à Igreja. Assistia,
diariamente, à missa, com a sua família e comungava com frequência. Foi um grande
colaborador do seu pároco, Don Luis Batis Sáinz.
Foi, também, membro da Associação Católica da
Juventude Mexicana e presidente da secção Chalchihuites da Liga Nacional em
Defesa da Liberdade Religiosa, uma organização que, por meios pacíficos,
tentava obter a revogação das leis persecutórias da Igreja, então em vigor.
As condições da Igreja, no México, tornavam-se
extremamente difíceis, especialmente depois da entrada em vigor, em 5 de
Fevereiro de 1917, da nova Constituição anti-clerical e anti-religiosa. O clero
católico foi objecto de ameaças, abusos e perseguições por parte do governo, que
levaram à violência mais bruta e ao assassínio.
Numa sucessão contínua de presidentes, chamados a
liderar o país - alguns foram mortos, vítimas de conflitos internos constantes
– em 1924, foi escolhido Plutarco Elias Calles. Este presidente dedicou-se à
recuperação económica do país, ao fortalecimento do movimento operário, e incentivou
a distribuição de terra aos agricultores. Ao mesmo tempo, porém, intensificou a
luta contra a Igreja, que se transformou numa verdadeira perseguição contra os
sacerdotes e os leigos católicos.
Em 29 de Julho de 1926, perante a iminência da
aprovação da lei que ordenava o fecho das Igrejas e a cessação do culto
público, a Liga Nacional em Defesa da Liberdade Religiosa entrou plenamente em
funções, em Chalchihuites. Manuel, como presidente e orador principal, convidou
os participantes no encontro (cerca de 600) a lutar pela liberdade religiosa,
mas usando apenas meios pacíficos: "Peço-vos para pertencer, sem medo, à
Liga, cujos métodos de operar não atacarão, de nenhum modo, o respeito devido ao
governo estabelecido. «Deus e o meu direito» é o nosso lema. Esta Liga será
pacífica, sem se intrometer em qualquer assunto político. O nosso projecto é
implorar ao governo que revogue os artigos que oprimem a liberdade religiosa.
Clamaremos aos quatro ventos e com o coração cheio de alegria: "Viva o
Cristo Rei e a" Morenita” do Tepeyac!" (Nossa Senhora de Guadalupe é
assim chamada em Tepeyac). A assembleia repetiu, louvando Cristo-Rei e Nossa
Senhora de Guadalupe.
As autoridades governamentais interpretaram estas
manifestações como um desafio e acusaram os participantes de organizar uma
insurreição armada.
Na manhã de Domingo, 15 de Agosto de 1926, Manuel foi
despertado com a notícia de que o Padre Luis Batis Sáinz, seu pároco, tinha
sido preso. Manuel decidiu, imediatamente, pedir a sua libertação.
Juntamente com Salvador Lara Puente, Secretário da
Liga Nacional em Defesa da Liberdade Religiosa, de Chalchihuites, reuniu o
maior número possível de pessoas, para irem tratar, junto das autoridades, da
libertação do pároco.
Com todos os que aqueles decidiram acompanhá-los, apresentaram-se
diante dos membros do conselho da zona. No meio da reunião, um grupo de
soldados irrompeu pela sala dentro e o seu comandante gritou em voz alta:
"Manuel Morales!" Ele adiantou-se e, educadamente, apresentou-se:
"Sou eu. Estou à vossa disposição!" Os soldados não responderam, com
gentileza nem humanidade: pontapearam-no e agrediram-no com a coronha das
armas.
Manuel e Salvador foram levados sob prisão para a
Câmara Municipal, juntando-se, assim, ao primo deste último, David Roldán Lara,
vice-presidente da Liga, e ao seu pároco. Em seguida, meteram-nos em dois
carros: o pároco e Manuel num; os dois primos, no outro.
A esposa de Manuel tentou, de todas as maneiras,
salvar a sua vida e, mesmo com um dos seus filhos nos braços, insistiu na sua
libertação, mas sem sucesso. A certa altura, a criança escorregou das suas mãos
e correu ao encontro do seu pai, que a abraçou por um longo tempo.
O automóvel em que o Padre Batis e Manuel viajavam parou num lugar chamado Puerto de Santa Teresa, fora da cidade, à espera da chegada do outro veículo, que se tinha atrasado devido a uma avaria.
O automóvel em que o Padre Batis e Manuel viajavam parou num lugar chamado Puerto de Santa Teresa, fora da cidade, à espera da chegada do outro veículo, que se tinha atrasado devido a uma avaria.
Os carcereiros fizeram-nos descer do carro e andaram a
pé cerca de meio quilómetro. Enquanto caminhavam, disseram aos prisioneiros:
"Se reconhecerdes a lei de Calles, nada vos acontecerá". "Antes
a morte", responderam os dois prisioneiros. “Reconhecer a nova
constituição significa uma falta de fidelidade à Igreja”
O Padre Batis acrescentou: "Peço-vos que,
pensando nas crianças pequenas da família de Manuel, poupem a sua vida. Eu
ofereço minha vida pela dele. Serei vítima; estou disposto a fazê-lo”. Mas,
Manuel respondeu: "Senhor Pároco: eu morro, mas Deus não morre. Ele
cuidará da minha mulher e dos meus filhos". Era a mesma resposta que lhe
tinha dado, tempos antes, numa reunião da Associação Católica da Juventude
Mexicana.
O pároco percebeu que não podia fazer mais nada e disse-lhe.
"Adeus até Céu". Então, Manuel, tirando o chapéu para facilitar a
pontaria e para ser atingido em plena frente, exclamou: "Viva Cristo Rei e
a Virgem de Guadalupe!" Nesse instante, foi fuzilado, juntamente com o
Padre Batis.
Manuel Morales tinha 29 anos. Os primos Salvador Lara
Puente e David Roldán Lara foram fuzilados depois deles. Os seus corpos foram
recuperados pelos habitantes de Chalchihuites, que organizaram vigílias de
oração, na casa de cada um deles. Depois, deram-lhes sepultura no Cemitério
Municipal, para evitar que os seus corpos fosse profanados. Mais tarde, os seus
restos mortais foram transladados para a igreja paroquial de Chalchihuites.
Agora, as suas relíquias encontram-se, para a veneração dos fiéis, no altar de
Nossa Senhora de Guadalupe.
Manuel Morales foi beatificado, no dia 22 de Novembro
de 1992 e canonizado, juntamente com outros 26 mártires mexicanos, no dia 21 de
Maio de 2000, pelo Papa João Paulo II.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 15 de Agosto.
