*FESTA DAS FOGACEIRAS
- EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
Cumpriu-se o voto!...
A Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião, e apesar da ameaça da chuva, realizou-se, mais uma vez. Uma festa tão antiga e sempre nova: na novidade das meninas fogaceiras; no entusiasmo dos que trabalharam para a concretizar; na dedicação da Câmara Municipal e seus colaboradores; na presença de tantos visitantes, que levam como recordação o testemunho de unidade, criatividade e alegria de todo um Concelho fiel aos compromissos históricos e aos desafios da fé e da religiosidade.
A celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças, foi o centro desta festa centenária. A Igreja estava repleta para uma celebração simples, serena, calorosa e profundamente festiva. Com a presença de sacerdotes, diáconos e muitos acólitos, foi presidida pelo Sr. D. Roberto Mariz, Bispo-Auxiliar do Porto.
Apresentamos o texto da sua homilia:
- EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO
Cumpriu-se o voto!...
A Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião, e apesar da ameaça da chuva, realizou-se, mais uma vez. Uma festa tão antiga e sempre nova: na novidade das meninas fogaceiras; no entusiasmo dos que trabalharam para a concretizar; na dedicação da Câmara Municipal e seus colaboradores; na presença de tantos visitantes, que levam como recordação o testemunho de unidade, criatividade e alegria de todo um Concelho fiel aos compromissos históricos e aos desafios da fé e da religiosidade.
A celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças, foi o centro desta festa centenária. A Igreja estava repleta para uma celebração simples, serena, calorosa e profundamente festiva. Com a presença de sacerdotes, diáconos e muitos acólitos, foi presidida pelo Sr. D. Roberto Mariz, Bispo-Auxiliar do Porto.
Apresentamos o texto da sua homilia:
“ALEGRIA PARA ALÉM DAS LÁGRIMAS”
O ser humano é habitado por um desejo profundo de alegria. Não de uma alegria passageira, transitória e temporária, mas de uma alegria que o preencha por dentro e nos faça sentir realizados.
A experiência ensina-nos, por vezes de forma dolorosa, que muitas das situações da nossa vida são preenchidas por alegrias passageiras e temporárias; alegrias pequenas e transitórias. Percebemos e sabemos que as dificuldades e contrariedades, as dores e os sofrimentos incorporam a melodia da nossa existência.
Será possível uma alegria sem lágrimas? Considero que só numa fábula isso é possível. Uma alegria atravessada pelas lágrimas, será uma alegria mais real, mas autêntica e mais verdadeira. Direi: precisamos de uma alegria que vai para além das lágrimas e das dores, mas não sem elas.
“As lágrimas lavam a alma”. Há muito tipo de lágrimas. São as lágrimas da paixão; as lágrimas das vitórias alcançadas; as lágrimas das dores vividas; as lágrimas das injustiças; as lágrimas das derrotas; as lágrimas da reconciliação...
Conscientes de toda esta realidade, somos um povo peregrino que deseja percorrer caminhos de esperança. Buscar um porto seguro.
- O exemplo de S. Sebastião apresenta-se como exemplo de um homem que encontrou a raiz de uma alegria que ultrapassa o transitório da vida, das dificuldades e da morte.
Vivendo na segunda parte do século III, em Itália, entre Milão e Roma, abraçou a fé em Jesus Cristo e por Ele se deixou transformar e moldar. Proclama a fé do Evangelho sem medo e sem vergonha; utilizando a função relevante na Guarda Pretoriana, defende os cristãos perseguidos; por fim, enfrenta o martírio, certo de que a vida feliz encontra-se no amor incondicional de Deus.
- A Palavras de Deus que acabamos de escutar inspiram-nos a situar a raiz e o porto seguro desta alegria:
1. “Não temais: valeis muito mais” (Evangelho)
“Valemos muito mais”: muito mais que o ouro ou a prata; que o comodismo ou a tranquilidade; muito mais que as ingratidões ou infidelidades.
Valemos muito mais para Deus do que tudo que se possa imaginar. Valemos a própria vida que Ele entregou por nós.
Desta certeza nasce, em cada um de nós, a raiz de uma alegria e confiança que nos transforma existencialmente. Aqui encontramos uma paz e serenidade que vai para além das contrariedades.
Simultaneamente, esta certeza encarnada na minha existência, torna-se semente para um novo modo de ser entre nós. Temos de ter este valor entre nós – “valermos muito uns para os outros”.
O ser humano tem de valer mais que qualquer bem material, que qualquer comodismo ou egoísmo, que qualquer irritação ou conflito. Tem de impedir a instrumentalização do outro e o olhar descartável do outro. “Sermos um tesouro uns para os outros”.
2. “Estão na mão de Deus” (1ª Leitura)
Todos reconhecemos uma mão bondosa, atenciosa e carinhosa. É diferente de uma mão em riste ou punho fechado, de uma mão distante ou indiferente.
S. Sebastião apresentou-se como mão que protegia e ajudava os cristãos perseguidos, correndo o risco da própria vida.
Devemos ser esta mão que não abandona ninguém, que não deixa ninguém para trás. Pela tradição destas festas, em Santa Maria da Feira, “a mão que leva fogaça aos amigos ou ao necessitado”, será um gesto simbólico de um mundo humano e fraterno.
Como pessoas, como Igreja e como sociedade, temos constantemente de nos empenharmos para que isto seja realidade: nos doentes (lembremos a súplica feitas a Deus por intermédio de S. Sebastião nas pandemias), nos idosos, nas crianças, nos migrantes, nos pobres, nos cristãos perseguidos, nas vítimas de violência domésticas e violência sexual, nos desempregados. Em tantas e tantas situações.
3. “Estão em paz” (1ª Leitura)
Vivemos num mundo dilacerado pelas guerras. Não é o sonho de Deus para a humanidade. Sonhemos os sonhos de Deus para uma humanidade de paz, pacífica e fraterna. Uma “paz desarmada e desarmante” (Leão XIV).
“Estão na mão de Deus” - “Estão em paz” - “Não temais: valeis muito mais”.
S. Sebastião: intercede por todos nós, pela boa gente de Santa Maria da Feira; por todos; concede-nos um coração apaixonado e comprometido com Cristo; uma alegria sincera, profunda e autêntica a todos; limpa as lágrimas dos sofredores e tristes; dá-nos o sabor de sermos amigos, pacificadores e solidários.

