PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Ele [Jesus] dar-te-ia a água viva…” (cf. João 4, 10) O trecho evangélico deste terceiro domingo da Quaresma apresenta o encontro de Jesus com uma Samaritana (cf. Jo. 4, 5-42). Ele está a caminho com os seus discípulos e param perto de um poço, na Samaria. Os samaritanos eram considerados hereges pelos judeus, e muito desprezados, como cidadãos de segunda categoria. Jesus está cansado, tem sede. Uma mulher vem buscar água e Ele pede-lhe: «Dá-me de beber» (v. 7). Assim, rompendo todas as barreiras, começa um diálogo em que revela àquela mulher o mistério da água viva, isto é, do Espírito Santo, dom de Deus. Com efeito, à reacção de surpresa da mulher, Jesus responde: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: “Dá-me de beber”, tu mesma pedir-lhe-ias e Ele dar-te-ia a água viva» (v. 10). No centro deste diálogo está a água. Por um lado, a água como elemento essencial para viver, que sacia a sede do corpo e sustenta a vida. Por outro, a água como símbolo da graça divina, que dá a vida eterna. Na tradição bíblica, Deus é a fonte da água viva – assim se diz nos Salmos, nos profetas – e afastar-se de Deus, fonte de água viva, e da sua Lei causa a pior seca. Tal é a experiência do povo de Israel no deserto. No longo caminho rumo à liberdade, abrasado pela sede, ele protesta contra Moisés e contra Deus, porque não há água. Então, pela vontade de Deus, Moisés faz brotar água de um rochedo, como sinal da providência de Deus que acompanha o seu povo e lhe dá vida (cf. Êx 17, 1-7). E o Apóstolo Paulo interpreta aquele rochedo como símbolo de Cristo. Assim dirá: «E a rocha é Cristo» (cf. 1 Cor 10, 4). É a figura misteriosa da sua presença no meio do povo de Deus a caminho. Com efeito, Cristo é o Templo do qual, segundo a visão dos profetas, brota o Espírito Santo, ou seja, a água viva que purifica e dá vida. Quem tem sede de salvação pode haurir gratuitamente de Jesus, e n'Ele o Espírito Santo tornar-se-á uma nascente de vida plena e eterna. A promessa da água viva que Jesus fez à Samaritana tornou-se realidade na sua Páscoa: do seu lado trespassado saiu «sangue e água» (Jo 19, 34). Cristo, Cordeiro imolado e ressuscitado, é a fonte da qual brota o Espírito Santo, que perdoa os pecados e regenera para a vida nova. Este dom é também a fonte do testemunho. Assim como a Samaritana, quem encontrar Jesus vivo sente a necessidade de o contar aos outros, para que todos cheguem a confessar que Jesus «é verdadeiramente o Salvador do mundo» (Jo 4, 42), como disseram, mais tarde, os conterrâneos daquela mulher. Também nós, gerados para uma nova vida através do Baptismo, somos chamados a dar testemunho da vida e da esperança que há em nós. Se a nossa busca e sede encontrarem plena satisfação em Cristo, manifestaremos que a salvação não está nas “coisas” deste mundo, as quais no final produzem a seca, mas n'Aquele que nos amou e nos ama sempre: Jesus, nosso Salvador, na água viva que Ele nos oferece. Que Maria Santíssima nos ajude a cultivar o desejo de Cristo, fonte de água viva, o único que pode saciar a sede de vida e de amor que sentimos no nosso coração. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 15 de Março de 2020)

sábado, 7 de março de 2026

EM DESTAQUE:

 


*DIA NACIONAL DA CÁRITAS
            - Mensagem de D. José Traquina, Bispo de Santarém, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana
 
 “Esta é a hora do amor”
Os dias que estamos a viver são marcados pela catástrofe das tempestades que atingiram o território do continente português. Portugal não tem memória de nada semelhante. A Cáritas Portuguesa e demais organismos da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana lamentam o falecimento das pessoas por efeito da catástrofe e saúda o envolvimento global na resposta às necessidades das populações. Os sinais de solidariedade revelam o melhor da sociedade que somos na preocupação pelo bem comum. A Cáritas Portuguesa, representando a Rede e união das Cáritas Diocesanas, é um serviço da Conferência Episcopal Portuguesa; promove apoio e formação para que as Cáritas Diocesanas funcionem com a melhor eficiência e identidade. Neste sentido, a Cáritas Portuguesa desenvolve campanhas organizadas de apoio solidário para as necessidades das populações, em Portugal, a ser coordenado pelas respectivas Cáritas Diocesanas. Não podemos deixar de valorizar as Cáritas Paroquiais que prestam apoio de proximidade à população, com a colaboração da respectiva Cáritas Diocesana.
Representando a Rede Cáritas em Portugal, a Cáritas Portuguesa preocupa-se com as necessidades dos mais pobres, mas, também, com as situações de emergência e com as necessidades de reconstrução que se seguem para assegurar as condições da vida com estabilidade. Cáritas Portuguesa e Cáritas Diocesanas, desejam cooperar para corresponder à sua vocação e missão: cuidar do bem comum da sociedade, tendo como força e identidade o mandamento do Amor ao próximo que Jesus nos deixou no Evangelho.
De 1 a 8 de Março ocorre a “Semana Cáritas”. É uma oportunidade para promover a solidariedade através da Cáritas, reconhecendo a responsabilidade que a Cáritas Portuguesa assume de gerir os donativos e o peditório anual para os fins do bem comum da sociedade, para as situações emergentes e situações de carência, com o dever de prestação de contas e a necessária transparência. A “Semana Cáritas” é, também, uma oportunidade para aprofundar o ensinamento sobre a missão da Igreja. O cuidado pelo bem comum e pela promoção da justiça social fazem parte da missão da Igreja. Os cristãos que celebram a sua fé são chamados a interessar-se pela sociedade, pois não são um grupo fechado que se interessa apenas pelos seus! Como afirmou o Papa Leão XIV, no início do seu pontificado, “sem nos fecharmos no nosso pequeno grupo, nem nos sentirmos superiores ao mundo, somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para que se realize aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo. Irmãos, irmãs, esta é a hora do amor! A caridade de Deus, que faz de nós irmãos, é o coração do Evangelho” .