PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… apareceram, em Jerusalém, uns Magos, vindos do Oriente…” (cf. Mateus 2, 1) Hoje celebramos a Solenidade da Epifania, em memória dos Magos que foram do Oriente para Belém, seguindo a estrela, para visitar o Messias recém-nascido. No final da narração evangélica, diz-se que os Magos «avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho» (v. 12). Por outro caminho. Estes sábios, vindos de regiões distantes, após terem viajado muito, encontram Aquele que queriam conhecer, depois de O terem procurado durante muito tempo, certamente até com fadigas e vicissitudes. E, quando finalmente chegam ao seu destino, prostram-se diante do Menino, adoram-no, oferecem-lhe os seus preciosos dons. Depois disso, partem, novamente, sem demora, para voltar à sua terra. Mas aquele encontro com o Menino mudou-os. O encontro com Jesus não retém os Magos; pelo contrário, infunde neles um novo impulso para regressar ao seu país; para contar o que viram e a alegria que sentiram. Nisto há uma demonstração do estilo de Deus, da sua maneira de se manifestar na história. A experiência de Deus não nos bloqueia, mas liberta-nos; não nos aprisiona, mas põe-nos de novo a caminho; devolve-nos aos lugares habituais da nossa existência. Os lugares são e serão os mesmos, mas nós, depois do encontro com Jesus, não somos os mesmos de antes. O encontro com Jesus muda-nos, transforma-nos. O evangelista Mateus frisa que os Magos regressaram «por outro caminho» (v. 12). Eles são levados a mudar o caminho pela advertência do Anjo, para não se depararem com Herodes e com os seus enredos de poder. Cada experiência de encontro com Jesus leva-nos a empreender caminhos diferentes, porque d'Ele provém uma força boa que cura o coração e nos restabelece do mal. Há uma dinâmica sábia entre continuidade e novidade: voltamos «ao nosso país», mas «por outro caminho». Isto indica que somos nós que temos de mudar; de transformar o nosso modo de viver, ainda que seja no ambiente de sempre; de modificar os critérios de julgamento sobre a realidade que nos rodeia. Eis a diferença entre o verdadeiro Deus e os ídolos traidores, como o dinheiro, o poder, o sucesso...; entre Deus e aqueles que prometem dar-vos estes ídolos, como os magos, os cartomantes, os feiticeiros. A diferença é que os ídolos nos atraem; tornam-nos dependentes deles, e nós apoderamo-nos deles. O verdadeiro Deus não nos prende, nem se deixa prender por nós: abre-nos caminhos de novidade e liberdade, porque é Pai que está sempre connosco para nos fazer crescer. Se encontrardes Jesus, se tiverdes um encontro espiritual com Jesus, lembrai-vos: deveis voltar aos mesmos lugares de sempre, mas por outro caminho; com outro estilo. É assim!... É o Espírito Santo, que Jesus nos dá, que muda os nossos corações. Peçamos à Santíssima Virgem para que possamos ser testemunhas de Cristo onde estamos, com uma vida nova, transformada pelo seu amor. (cf. Papa Francisco, na Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, Roma, no dia 6 de Janeiro de 2020, Solenidade da Epifania do Senhor)

sábado, 3 de janeiro de 2026

EM DESTAQUE

 


*SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS
 
A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus é a primeira festa mariana a surgir na Igreja Ocidental. Originalmente, a festa substituiu a prática pagã das ‘oferendas’, cujos ritos estavam em conflito com a santidade das celebrações cristãs. "Natale Sanctae Mariae" começou a ser celebrada, em Roma, por volta do século VI, provavelmente coincidindo com a dedicação de uma das primeiras igrejas marianas, em Roma: a Igreja de Santa Maria Antiga, no Fórum Romano, ao sul do Templo dos Castores.
A liturgia estava ligada à do Natal, e o dia 1 de Janeiro era chamado "in octava Nativitatis Domini" (na oitava do nascimento do Senhor) em memória do rito realizado oito dias após o nascimento de Jesus; o Evangelho da Circuncisão era proclamado, dando também nome à festa que inaugurava o novo ano. A recente reforma do calendário trouxe de volta, para o dia 1 de Janeiro, a festa da maternidade divina que, desde 1931, era celebrada eno dia 11 de Outubro, em memória do Concílio de Éfeso (431), que solenemente proclamou uma verdade tão querida ao povo cristão: Maria é a verdadeira Mãe de Cristo, que é o verdadeiro Filho de Deus.
Nestório - [foi um dos primeiros bispos de Constantinopla, entre 428 e 431. Nascido numa família persa, em Germanicia, na Síria (hoje Maras, na Turquia), teve a influência da comunidade de Antioquia, na sua formação. Ensinou uma doutrina que enfatizava a dualidade das naturezas de Cristo, levando à crença de que eram duas pessoas vagamente unidas. Foi condenado como herético pelo concílio de Éfeso] - ousou declarar: "Deus tem mãe? Então, não condenamos a mitologia grega, que atribui uma mãe aos deuses". São Cirilo de Alexandria, porém, respondeu-lhe: "Dirão: a Virgem é a mãe da divindade? Ao que respondemos: o Verbo vivo e subsistente foi gerado da própria substância de Deus Pai; existe desde toda a eternidade... Mas, no tempo, fez-se carne; portanto, pode dizer-se que nasceu de uma mulher". Jesus, Filho de Deus, nasceu de Maria.
É dessa prerrogativa sublime e exclusiva que derivam todos os títulos de honra que atribuímos à Virgem, mesmo que possamos distinguir entre a santidade pessoal de Maria e sua maternidade divina, sugerida pelo próprio Cristo: “Uma mulher no meio da multidão levantou a voz e disse: ‘Bem-aventurado o ventre que te gerou e os seios que te amamentaram!’ Mas Ele respondeu: ‘Antes, bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a guardam!’” (Lc 11,27ss).
Na realidade, “Maria, filha de Adão, ao consentir na palavra divina, tornou-se a mãe de Jesus. Abraçando a vontade salvífica de Deus, com todo o coração e sem qualquer peso de pecado, consagrou-se totalmente como serva do Senhor à pessoa e à obra do seu Filho, servindo ao mistério da redenção sob Ele e com Ele, com a graça de Deus todo-poderoso” (Lumen Gentium, 56). (cf. Santi beati…)
A afirmação de que Maria é Mãe de Deus é uma verdade de fé, que a Igreja, após muito estudo e reflexão, propõe aos fiéis. O dogma de Santa Maria Mãe de Deus é o mais antigo: foi proclamado durante o referido Concílio de Éfeso. Se Maria é a Mãe de Jesus, e Ele é o Filho de Deus, então, Ela é a Mãe de Deus. O termo “Mãe de Deus” vem do grego (Theotókos), afirmando que Jesus Cristo é, plenamente, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
 


*1 DE JANEIRO: DIA MUNDIAL DA PAZ
 
A Igreja celebra, no dia 1 de Janeiro, o Dia Mundial da Paz. Com o lema ‘A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante’, o Papa fez publicar, no dia 8 de Dezembro, a sua mensagem para este dia tão importante, para a vida do mundo.
Na sua Mensagem, o Papa alertou para a “irracionalidade” de uma segurança global baseada no medo e na força, denunciando o aumento contínuo das despesas militares e os novos perigos associados à tecnologia nos conflitos armados.
“Os repetidos apelos para aumentar as despesas militares – e as escolhas que disso decorrem – são apresentados, por muitos governantes, com a justificativa da periculosidade alheia”, lamenta, na mensagem para o 59.º Dia Mundial da Paz.
Leão XIV cita dados referentes a 2024, ano em que as despesas militares mundiais aumentaram 9,4%, atingindo 2,72 biliões de dólares (cerca de 2,5% do PIB mundial).
O documento recupera os alertas de São João XXIII e do Concílio Vaticano II, há mais de 60 anos, para condenar a lógica da “dissuasão nuclear”, afirmando que esta encarna uma relação entre povos baseada não no direito, mas no domínio da força.
Um dos pontos centrais do texto é o alerta sobre a aplicação da Inteligência Artificial (IA) no campo militar, que segundo o Papa “radicalizou a tragédia dos conflitos armados”.
Leão XIV adverte para um processo de “desresponsabilização dos líderes políticos e militares”, criticando o crescente “delegar às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas”.
“É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende”, adverte.
A mensagem critica, também, as mudanças nas políticas educativas e nos meios de comunicação, que, em vez de promoverem uma “cultura da memória” sobre os horrores da guerra, difundem a percepção de ameaça constante e uma noção de segurança “meramente armada”.
Leão XIV pede que se denunciem as “enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados” que empurram os Estados para a guerra, mas sublinha que tal denúncia deve ser acompanhada pelo despertar das consciências.
O texto defende um “desarmamento integral” que comece no espírito, defendendo que a verdadeira paz só pode basear-se na confiança mútua e não no equilíbrio do “terror”.
O Dia Mundial da Paz foi instituído, em 1968, pelo Papa São Paulo VI, e é celebrado no primeiro dia do novo ano. (cf. ecclesia)
 


*SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR
 
A Igreja celebra, no Domingo, 4 de Janeiro, a Solenidade da Epifania do Senhor, que a liturgia transfere do dia 6 de Janeiro para o Domingo entre 2 a 8 de Janeiro. No domingo, dia 11 de Janeiro, celebraremos a Festa do Baptismo do Senhor, encerrando o chamado ‘Tempo do Natal’.
A palavra ‘Epifania’ significa a “manifestação de Deus”, ou seja, o dia em que Deus revelou o seu Filho ao mundo e se manifestou universalmente na figura de um Menino.
A Solenidade da Epifania celebra o dia em que os três reis magos, guiados pela estrela, chegam a Belém e adoram o menino Deus. O nome dos três reis magos, segundo a tradição cristã, são Baltazar, Belchior e Gaspar que ofereceram ao Menino os seus presentes: ouro, incenso e mirra.