BEATA MARCELINA DAROWSKA
Marcelina Darowska nasceu no dia 28 de Janeiro de 1827, em Szulaki, Ucrânia. Era a quinta de oito filhos de João Kotowicz e Maximília Jastrzebska, ricos proprietários de terras. Ela cresceu numa típica família rural. A sua cidade, Szulaki, estava, então, sob ocupação russa, que procurava destruir o património cultural da Polónia a todo custo, causando o encerramento de Seminários e conventos da Igreja Católica, tão perseguida.
Marcelina fez a sua Primeira Comunhão aos 10 anos e, aos 12, foi enviada para um prestigioso internato feminino, em Odessa. No entanto, desde a infância, ela sonhava com a vida consagrada. Depois de três anos de estudo, voltou para casa e começou a ajudar o pai nos campos.
Incapaz de realizar o seu desejo, devido à falta de conventos, nas proximidades, e à oposição do pai, permaneceu no trabalho da quinta, por vários anos, prometendo ao pai que formaria uma família.
Aos 21 anos, concordou em casar-se com Carlos Darowski, um proprietário de terras da Podólia (região histórica da Ucrânia, então dividida entre a Áustria e a Rússia). O noivado durou pouco mais de um ano. Entretanto, Marcelina sofreu uma dolorosa paralisia na perna e um enfraquecimento generalizado de todo o corpo, quase levando-a à morte.
Após semanas de doença, ela recuperou e casou-se com Carlos Darowski, no dia 2 de Outubro de 1849, movida pelo seu sentido de obediência ao pai. Apesar disso, foi uma esposa exemplar, e do seu casamento nasceram dois filhos, José e Carolina.
Infelizmente, três anos depois, o seu marido morreu vítima de tifo e, alguns meses depois, o seu filho José faleceu, também. Viúva aos 25 anos, fez uma promessa à Virgem Maria, jurando "não pertencer mais a nenhuma criatura". Para melhorar a sua saúde, viajou pelo estrangeiro: primeiro, para Berlim; depois, para Paris e, no dia 11 de Abril de 1853, chegou a Roma.
Ali, em 1854, conheceu a Serva de Deus, Josefa Karska, com quem desenvolveu uma forte amizade e se colocou sob a orientação espiritual do Padre Jerónimo Kaysiewicz, um Ressurreicionista (uma congregação fundada, em Paris, em 1836 por três imigrantes polacos: o Padre Semenenko, o Padre Janski. e o próprio Padre Kaysiewicz). As duas – Marcelina e Josefa - estavam prestes a fundar um instituto religioso, cujo objectivo era preparar as jovens raparigas para a vida social, especialmente as das classes mais altas.
No dia 12 de Maio de 1854, Marcelina Darowska pronunciou, em particular, os votos de castidade e obediência, perante o Padre Kaysiewicz. Algum tempo depois, Marcelina voltou à Polónia para organizar o futuro da sua filha Carolina. Dois meses após a morte prematura da sua amiga Josefa Karska, no dia 10 de Dezembro de 1860, Marcelina voltou para Roma.
Naquela época, a Congregação das "Irmãs da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria", fruto do trabalho conjunto de Josefa Karska e Marcelina Darowska, contava com apenas quatro freiras.
A Irmã Marcelina fez os votos solenes, no dia 3 de Janeiro de 1861, em Roma, assumindo o cargo de Superiora da nova Congregação. O seu trabalho mais duro foi cuidar da transferência da Congregação para a Polónia. Em Novembro de 1861, voltou à sua terra natal e, após a morte dos seus pais, poucos meses depois, Marcelina escolheu um terreno para construir o primeiro convento, em Jazlowiec, na diocese de Lviv. Em 1863, as últimas freiras deixaram Roma, transferindo-se para o novo Convento. Ela liderou a sua Congregação com prudência e energia, durante mais de cinquenta anos, tornando-se a sua alma.
Marcelina e a sua Congregação enfrentaram muitas dificuldades, especialmente após a morte, em 1873, do Padre Kajsiewicz, o seu guia espiritual. Ela tinha um amor especial e uma grande devoção pela Cruz, dizendo: "Esta é o beijo do amor de Deus".
Ao longo dos anos, outras casas foram construídas, cada uma incluindo uma escola de ensino fundamental com internato e uma escola primária. Além disso, pequenas instituições gratuitas para os pobres foram abertas, como jardins-de-infância, cursos profissionalizantes e educação complementar.
Gerações de mulheres sábias e corajosas foram educadas nas suas escolas, para que pudessem conhecer a Deus e amá-Lo, seguindo os Seus mandamentos, amando o próximo e cumprindo os seus deveres.
Após sofrer de problemas cardíacos e fortes dores de cabeça, que dificultavam as suas actividades normais, Marcelina Darowska faleceu, no dia 5 de Janeiro de 1911, em Jazlowiec, deixando para trás seis casas e 350 freiras, que hoje também trabalham na Bielorrússia e na Ucrânia.
Marcelina Darowska foi beatificada, no dia 6 de Outubro de 1996, na Praça de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 5 de Janeiro.
