SÃO BENTO MENNI
Ângelo Hércules Menni nasceu em Milão, no
dia 11 de Março de 1841, quinto filho de Luís Menni e de Luísa Figini. O seu
pai tinha uma modesta loja e, graças à renda desse negócio, a família tinha o
suficiente para escapar da pobreza sem excessos. A sua família, muito numerosa
– o casal teve 15 filhos - era uma família cristã tradicional: rezavam o Terço
todas as noites; ajudavam os pobres; participavam dos sacramentos, sobretudo,
da missa, todos os domingos.
Aos 17 anos, após uma breve passagem por um banco, decidiu dedicar a sua vida a Deus, através da caridade. Tornou-se maqueiro, transportando os feridos que chegavam a Milão, vindos da batalha de Magenta [a Batalha de Magenta, no norte de Itália, foi travada no dia 4 de Junho de 1859, durante a Segunda Guerra da Independência Italiana, contra a Império Austríaco, resultando numa vitória dos exércitos francês e piemontês, contra os austríacos Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos. A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália em comboios especiais. Dezenas de corpos mutilados de combatentes eram transportados da estação ferroviária para o hospital Fatebenefratelli (Fazei bem, irmãos) da Ordem de São João de Deus. O seu contacto com a vida do Hospital Fatebenefratelli provou ser crucial na sua decisão. Então, pediu para entrar no noviciado dos Irmãos de São João de Deus.
No dia 1 de Maio de 1860, entrou no
noviciado, em Santa Maria d'Araceli, em Milão. Poucos dias depois, recebeu o
hábito e mudou o seu nome para Bento. Um ano depois, fez os votos simples e,
três anos depois, a profissão solene.
Estudou filosofia e teologia, primeiro, no Seminário de Lodi e, depois, no Colégio Romano (Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma), sendo ordenado sacerdote em 1866.
O Geral da Ordem dos Frades Menores, Padre João Maria Alfieri, percebeu, imediatamente, que tinha a pessoa ideal para uma tarefa extremamente desafiadora: restaurar a Ordem de São João de Deus, em Espanha.
No dia 14 de Janeiro de 1867, o jovem frade, então com 26 anos, foi recebido, em audiência, pelo Papa Pio IX, que confirmou a sua ida para Espanha, com a missão de restaurar a Ordem de São João de Deus. O Padre Bento Menni partiu dois dias depois.
Certamente não foi fáci,l no início. Além da difícil situação política - todas as ordens religiosas haviam sido suprimidas em Espanha - Bento encontrou obstáculos até mesmo dentro da Igreja, principalmente por parte do bispo de Barcelona. Mas ele não se deixou desanimar e começou o seu trabalho, arrecadando fundos para construir um hospital pediátrico. Poucos meses depois, o hospital foi abençoado pelo próprio bispo de Barcelona.
O Padre Bento Menni continuou o seu trabalho, não sem correr riscos de vida. Foi expulso de Espanha diversas vezes, mas sempre voltou, ainda que ilegalmente. Numa das vezes, entrou por Gibraltar, depois de ter visitado Marrocos.
Foi um enfermeiro incansável, ao lado dos seus Irmãos, durante a guerra civil.
Bento Menni foi nomeado Provincial da Província de Espanha e exerceu essa missão durante 19 anos consecutivos. Em 1903, quando deixou o cargo de Provincial, a Ordem contava com um total de quinze casas, fundadas por ele em Espanha, Portugal e México: quatro hospitais ortopédicos para crianças; seis hospitais psiquiátricos para homens; uma colónia agrícola para terapia ocupacional para doentes mentais, no hospital de Ciempozuelos; um hospital para epiléticos; um lar geriátrico; uma residência que servia como lar de repouso para padres e escola para crianças pobres; e um internato para órfãos pobres.
A restauração da Ordem, em Espanha, foi seguida, no final do século XIX, pela sua restauração em Portugal e, no início do século XX, no México.
No dia 31 de Maio de 1881, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, um instituto religioso feminino, especializado em cuidados psiquiátricos.
Em 1905, participou no Capítulo-Geral da Ordem, em Roma. Ao voltar a Espanha, foi convocado pela Santa Sé, que o nomeou Visitador-Apostólico da Fatebenefratelli (1909): iniciou as suas viagens, escreveu cartas e fez visitas pessoais às diversas províncias, na delicada missão de reavivar o espírito e a observância religiosa. Concluída essa tarefa, o Papa São Pio X nomeou-o Superior-Geral da Ordem, em 1911.
Foi acusado de violência contra uma pobre mulher com demência, no caso conhecido como "Caso Semillan", perante o Tribunal Criminal de Madrid. O processo prolongou-se durante sete anos (1895-1902) com morbidez escandalosa, fomentada pelos jornais anticlericais. Nunca quis um advogado de defesa (aceitou um apenas a pedido do Bispo de Madrid), e, em Janeiro de 1902, terminou com a condenação definitiva dos caluniadores, pelo Tribunal de Madrid.
Pior ainda foi a campanha de difamação, junto do tribunal do Santo Ofício do Vaticano, que se arrastou por quase três anos, até que, em Abril de 1896, foi anunciada a decisão oficial de que as acusações não deveriam ser levadas em consideração.
Acusado e cercado dentro da própria Ordem por um pequeno grupo de opositores influentes e conspiradores, ele, mais uma vez, recusou-se a defender-se, preferindo renunciar ao cargo de Superior-Geral, pouco mais de um ano após a sua nomeação: era 20 de Junho de 1912.
Estava em Paris, quando sofreu um ataque de paralisia; sem se recuperar totalmente, no dia 19 de Abril de 1913, mudou-se para Dinan, uma casa da Ordem, no norte de França, onde morreu na manhã do dia 24 de Abril de 1914.
O Papa João Paulo II declarou-o beato, no dia 23 de Junho de 1985. Foi canonizado, por João Paulo II, no dia 21 de Novembro de 1999. Na homilia, disse o Papa: «…"Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo... porque adoeci e visitastes-Me" (Mt 25, 34.36). Estas palavras do Evangelho proclamado hoje serão, sem dúvida, familiares a Bento Menni, sacerdote da Ordem de São João de Deus. A sua dedicação aos doentes, vivida segundo o carisma hospitaleiro, guiou a sua existência.
A sua espiritualidade surge da própria
experiência do amor que Deus tem para com ele. Grande devoto do Coração de
Jesus, Rei dos céus e da terra, e da Virgem Maria, encontra nele a força para a
sua dedicação caritativa ao próximo, sobretudo aos que sofrem: anciãos,
crianças, escrofulosos, poliomielíticos e doentes mentais. Prestou o seu
serviço à Ordem e à sociedade com humildade a partir da hospitalidade, com uma
integridade irrepreensível que o converteu em modelo para muitos. Promoveu
diversas iniciativas, orientando algumas jovens que formariam o primeiro núcleo
do novo Instituto religioso, fundando em Ciempozuelos (Madrid), as Irmãs
Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. O seu espírito de oração levou-o a
imergir-se no mistério pascal de Cristo, fonte de compreensão do sofrimento
humano e caminho para a ressurreição. Neste dia de Cristo Rei, São Bento Menni
ilumina, com o exemplo da sua vida, aqueles que querem seguir as pegadas do
Mestre, pelos caminhos do acolhimento e da hospitalidade…»
Os seus restos mortais repousam na Casa-Mãe, em Ciempozuelos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 24 de Abril.
Aos 17 anos, após uma breve passagem por um banco, decidiu dedicar a sua vida a Deus, através da caridade. Tornou-se maqueiro, transportando os feridos que chegavam a Milão, vindos da batalha de Magenta [a Batalha de Magenta, no norte de Itália, foi travada no dia 4 de Junho de 1859, durante a Segunda Guerra da Independência Italiana, contra a Império Austríaco, resultando numa vitória dos exércitos francês e piemontês, contra os austríacos Aproximadamente 6 mil soldados morreram na batalha, sendo a maioria (mais ou menos três quartos deles) austríacos. A vitória franco-piemontesa abriu caminho para a libertação de Milão, o primeiro passo para a unificação da Itália em comboios especiais. Dezenas de corpos mutilados de combatentes eram transportados da estação ferroviária para o hospital Fatebenefratelli (Fazei bem, irmãos) da Ordem de São João de Deus. O seu contacto com a vida do Hospital Fatebenefratelli provou ser crucial na sua decisão. Então, pediu para entrar no noviciado dos Irmãos de São João de Deus.
Estudou filosofia e teologia, primeiro, no Seminário de Lodi e, depois, no Colégio Romano (Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma), sendo ordenado sacerdote em 1866.
O Geral da Ordem dos Frades Menores, Padre João Maria Alfieri, percebeu, imediatamente, que tinha a pessoa ideal para uma tarefa extremamente desafiadora: restaurar a Ordem de São João de Deus, em Espanha.
No dia 14 de Janeiro de 1867, o jovem frade, então com 26 anos, foi recebido, em audiência, pelo Papa Pio IX, que confirmou a sua ida para Espanha, com a missão de restaurar a Ordem de São João de Deus. O Padre Bento Menni partiu dois dias depois.
Certamente não foi fáci,l no início. Além da difícil situação política - todas as ordens religiosas haviam sido suprimidas em Espanha - Bento encontrou obstáculos até mesmo dentro da Igreja, principalmente por parte do bispo de Barcelona. Mas ele não se deixou desanimar e começou o seu trabalho, arrecadando fundos para construir um hospital pediátrico. Poucos meses depois, o hospital foi abençoado pelo próprio bispo de Barcelona.
O Padre Bento Menni continuou o seu trabalho, não sem correr riscos de vida. Foi expulso de Espanha diversas vezes, mas sempre voltou, ainda que ilegalmente. Numa das vezes, entrou por Gibraltar, depois de ter visitado Marrocos.
Foi um enfermeiro incansável, ao lado dos seus Irmãos, durante a guerra civil.
Bento Menni foi nomeado Provincial da Província de Espanha e exerceu essa missão durante 19 anos consecutivos. Em 1903, quando deixou o cargo de Provincial, a Ordem contava com um total de quinze casas, fundadas por ele em Espanha, Portugal e México: quatro hospitais ortopédicos para crianças; seis hospitais psiquiátricos para homens; uma colónia agrícola para terapia ocupacional para doentes mentais, no hospital de Ciempozuelos; um hospital para epiléticos; um lar geriátrico; uma residência que servia como lar de repouso para padres e escola para crianças pobres; e um internato para órfãos pobres.
A restauração da Ordem, em Espanha, foi seguida, no final do século XIX, pela sua restauração em Portugal e, no início do século XX, no México.
No dia 31 de Maio de 1881, fundou a Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, um instituto religioso feminino, especializado em cuidados psiquiátricos.
Em 1905, participou no Capítulo-Geral da Ordem, em Roma. Ao voltar a Espanha, foi convocado pela Santa Sé, que o nomeou Visitador-Apostólico da Fatebenefratelli (1909): iniciou as suas viagens, escreveu cartas e fez visitas pessoais às diversas províncias, na delicada missão de reavivar o espírito e a observância religiosa. Concluída essa tarefa, o Papa São Pio X nomeou-o Superior-Geral da Ordem, em 1911.
Foi acusado de violência contra uma pobre mulher com demência, no caso conhecido como "Caso Semillan", perante o Tribunal Criminal de Madrid. O processo prolongou-se durante sete anos (1895-1902) com morbidez escandalosa, fomentada pelos jornais anticlericais. Nunca quis um advogado de defesa (aceitou um apenas a pedido do Bispo de Madrid), e, em Janeiro de 1902, terminou com a condenação definitiva dos caluniadores, pelo Tribunal de Madrid.
Pior ainda foi a campanha de difamação, junto do tribunal do Santo Ofício do Vaticano, que se arrastou por quase três anos, até que, em Abril de 1896, foi anunciada a decisão oficial de que as acusações não deveriam ser levadas em consideração.
Acusado e cercado dentro da própria Ordem por um pequeno grupo de opositores influentes e conspiradores, ele, mais uma vez, recusou-se a defender-se, preferindo renunciar ao cargo de Superior-Geral, pouco mais de um ano após a sua nomeação: era 20 de Junho de 1912.
Estava em Paris, quando sofreu um ataque de paralisia; sem se recuperar totalmente, no dia 19 de Abril de 1913, mudou-se para Dinan, uma casa da Ordem, no norte de França, onde morreu na manhã do dia 24 de Abril de 1914.
O Papa João Paulo II declarou-o beato, no dia 23 de Junho de 1985. Foi canonizado, por João Paulo II, no dia 21 de Novembro de 1999. Na homilia, disse o Papa: «…"Vinde, benditos de Meu Pai, recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo... porque adoeci e visitastes-Me" (Mt 25, 34.36). Estas palavras do Evangelho proclamado hoje serão, sem dúvida, familiares a Bento Menni, sacerdote da Ordem de São João de Deus. A sua dedicação aos doentes, vivida segundo o carisma hospitaleiro, guiou a sua existência.
Os seus restos mortais repousam na Casa-Mãe, em Ciempozuelos.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 24 de Abril.
