BEATO RAFAEL LUÍS RAFIRINGA
Rafael Luís Rafiringa
nasceu no dia 3 de Novembro de 1856, no bairro de Mahamasina, em Antananarivo,
Madagáscar.
Sendo pagão, converteu-se ao cristianismo e tornou-se um grande líder católico: um leigo convicto que se dedicou a manter viva a Igreja, em Madagáscar, quando, no final do século XIX, todos os sacerdotes foram expulsos.
Este é o retrato do Irmão Lassalista Rafael Luís Rafiringa, beatificado pelo Papa Bento XVI, no Domingo, 7 de Junho de 2009, em Antananarivo, capital de Madagáscar. Considerado uma figura significativa na evolução do seu país, foi educador, catequista e mediador da paz; mas, também, poeta e erudito de renome, a ponto de ser incluído na academia nacional.
A importância da beatificação de Rafiringa, uma das figuras mais representativas de Madagáscar - precisamente pela sua "modernidade excepcional" - foi reafirmada pelo Arcebispo de Antananarivo, Dom Odon Maria Arsène Razanakolona, que, na homilia da celebração eucarística que presidiu, falou de uma oportunidade de esperança e crescimento para todo o país. A cerimónia de beatificação foi presidida pelo Arcebispo Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Entre os presentes, estava o Superior-Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs.
Na festa da Santíssima Trindade, um religioso lassalista torna-se o terceiro beato de Madagáscar, seguindo os passos da leiga Vitória Rasoamanarivo e do padre jesuíta Jacques Berthieu. "Rafiringa é, antes de tudo, um modelo sempre válido; um exemplo a ser seguido", disse o arcebispo malgaxe. "O seu testemunho de fé permanece como uma lembrança para todos os baptizados. Basta dizer que a sua infância foi marcada pelo paganismo opressivo do seu clã”. O seu pai era, de facto, um importante oficial da rainha, e o próprio beato havia sido instruído por feiticeiros.
O ponto de viragem ocorreu em 1866, graças a um encontro com três missionários do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, fundado por São João Baptista de La Salle. Um testemunho que o levou a tornar-se o primeiro religioso lassalista em Madagáscar. "Aos treze anos, ele foi baptizado", explicou o arcebispo. "Rafael, um amante da liberdade, deixou-se guiar pelo Espírito de Deus, e a graça do baptismo transformaria completamente a sua vida, a sua percepção do mundo, a sua maneira de pensar e de agir. A fé permeava o seu cotidiano, influenciando as suas escolhas e impulsionando-o à acção, apesar de muitas e duras provações: a falta de compreensão da sua própria família, que permanecia pagã; as críticas infundadas dos seus adversários; calúnias, ameaças de morte, prisão e o peso de enormes responsabilidades. Mas ele permaneceu firme e tenaz, graças à sua fé inabalável."
O arcebispo observou que a grande popularidade de Rafiringa se devia à sua capacidade de representar as esperanças do povo, ao seu talento como educador e ao seu trabalho como homem de cultura. "Apesar da sua rica personalidade, ele foi capaz de dar aos seus compromissos a unidade e a coerência que a vida religiosa exigia", afirmou. "Ele não teria sido poeta se a sua primeira musa não tivesse sido a fé. Ele não ter-se-ia destacado com o eu domínio das línguas malgaxe e francesa se não fosse para difundir a palavra de Deus."
O arcebispo descreveu-o como "heroico na sua fidelidade à profissão religiosa e à sua missão. Ele foi um cidadão e um cristão responsável. É, portanto, essa fé consciente, vivida diariamente, que nos é apresentada como exemplo. Uma fé que transformou um homem e o seu meio." É especialmente para os jovens que Rafiringa tem uma mensagem especial, hoje. "Elevai os vossos olhares e contemplai este novo bem-aventurado", disse o arcebispo Razanakolona, dirigindo-se directamente às gerações mais jovens. “Meditai sobre a sua vida e deixai-vos guiar pelos seus ensinamentos e pelo seu exemplo. Seguir os seus passos conduzir-vos-á ao caminho certo. Apesar de tudo estar contra ele, o jovem Rafael escolheu dizer livremente ‘sim’ ao chamamento de Cristo. E ele permaneceu fiel a esse sim até a sua morte, a todo o custo, repetindo-o continuamente.”
Aos educadores e pais, bem como aos líderes dos movimentos juvenis, o arcebispo também lançou “um apelo urgente: fazei vossa a vida deste educador excepcional, que alcançou a santidade graças, em parte, aos seus educadores, cristãos convictos que testemunharam o que ensinavam. O segredo reside em manter a coerência entre palavras e acções; entre crença e vida.”
O novo beato atingiu o seu auge, entre 1883 e 1886, quando a situação política levou à expulsão dos missionários da ilha. Ele foi proclamado pelos católicos como o seu líder e, durante três anos, manteve acesa a chama da fé. O que poderia ter sido um golpe mortal para a nascente Igreja de Madagáscar, acabou por se revelar um sucesso inesperado. Com coragem e criatividade, Rafiringa não se esquivou da responsabilidade. Contou com o apoio de Victoria Rasoamanarivo, beatificada em 1989, filha do primeiro-ministro e também cristã, apesar da sua família. Assim, ao retornarem, os missionários encontraram uma comunidade não apenas vibrante, mas também maior. O bispo, mais tarde, referiu-se a ele como tendo sido o seu "substituto durante os anos de exílio". Pela sua obra literária, Rafiringa enfrentou a prisão e o julgamento; porém, a acusação de conspiração contra o Estado foi declarada infundada, e ele foi libertado. Faleceu no dia 19 de Maio de 1919.
O celebrante dirigiu uma palavra especial de gratidão ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. "Seguindo os passos do seu santo fundador, Rafiringa esforçou-se por imitar Cristo, observando escrupulosamente a regra da sua congregação, até nos mínimos detalhes". Por essa razão, ele resistiu à pressão. "Permanecendo sozinho, após a expulsão dos missionários, Rafiringa continuou a viver como se a comunidade ainda existisse, 'tocando o sino todos os dias, ao amanhecer e nos momentos de oração'", concluiu o arcebispo, destacando os religiosos e religiosas malgaxes pelo seu trabalho constante em enraizar o Evangelho na cultura de Madagáscar. Como foi enfatizado na sua beatificação, Rafiringa foi elevado às honras do altar não apenas "pelo que fez, mas como o fez".
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 19 de Maio.
Sendo pagão, converteu-se ao cristianismo e tornou-se um grande líder católico: um leigo convicto que se dedicou a manter viva a Igreja, em Madagáscar, quando, no final do século XIX, todos os sacerdotes foram expulsos.
Este é o retrato do Irmão Lassalista Rafael Luís Rafiringa, beatificado pelo Papa Bento XVI, no Domingo, 7 de Junho de 2009, em Antananarivo, capital de Madagáscar. Considerado uma figura significativa na evolução do seu país, foi educador, catequista e mediador da paz; mas, também, poeta e erudito de renome, a ponto de ser incluído na academia nacional.
A importância da beatificação de Rafiringa, uma das figuras mais representativas de Madagáscar - precisamente pela sua "modernidade excepcional" - foi reafirmada pelo Arcebispo de Antananarivo, Dom Odon Maria Arsène Razanakolona, que, na homilia da celebração eucarística que presidiu, falou de uma oportunidade de esperança e crescimento para todo o país. A cerimónia de beatificação foi presidida pelo Arcebispo Ângelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Entre os presentes, estava o Superior-Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs.
Na festa da Santíssima Trindade, um religioso lassalista torna-se o terceiro beato de Madagáscar, seguindo os passos da leiga Vitória Rasoamanarivo e do padre jesuíta Jacques Berthieu. "Rafiringa é, antes de tudo, um modelo sempre válido; um exemplo a ser seguido", disse o arcebispo malgaxe. "O seu testemunho de fé permanece como uma lembrança para todos os baptizados. Basta dizer que a sua infância foi marcada pelo paganismo opressivo do seu clã”. O seu pai era, de facto, um importante oficial da rainha, e o próprio beato havia sido instruído por feiticeiros.
O ponto de viragem ocorreu em 1866, graças a um encontro com três missionários do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, fundado por São João Baptista de La Salle. Um testemunho que o levou a tornar-se o primeiro religioso lassalista em Madagáscar. "Aos treze anos, ele foi baptizado", explicou o arcebispo. "Rafael, um amante da liberdade, deixou-se guiar pelo Espírito de Deus, e a graça do baptismo transformaria completamente a sua vida, a sua percepção do mundo, a sua maneira de pensar e de agir. A fé permeava o seu cotidiano, influenciando as suas escolhas e impulsionando-o à acção, apesar de muitas e duras provações: a falta de compreensão da sua própria família, que permanecia pagã; as críticas infundadas dos seus adversários; calúnias, ameaças de morte, prisão e o peso de enormes responsabilidades. Mas ele permaneceu firme e tenaz, graças à sua fé inabalável."
O arcebispo observou que a grande popularidade de Rafiringa se devia à sua capacidade de representar as esperanças do povo, ao seu talento como educador e ao seu trabalho como homem de cultura. "Apesar da sua rica personalidade, ele foi capaz de dar aos seus compromissos a unidade e a coerência que a vida religiosa exigia", afirmou. "Ele não teria sido poeta se a sua primeira musa não tivesse sido a fé. Ele não ter-se-ia destacado com o eu domínio das línguas malgaxe e francesa se não fosse para difundir a palavra de Deus."
O arcebispo descreveu-o como "heroico na sua fidelidade à profissão religiosa e à sua missão. Ele foi um cidadão e um cristão responsável. É, portanto, essa fé consciente, vivida diariamente, que nos é apresentada como exemplo. Uma fé que transformou um homem e o seu meio." É especialmente para os jovens que Rafiringa tem uma mensagem especial, hoje. "Elevai os vossos olhares e contemplai este novo bem-aventurado", disse o arcebispo Razanakolona, dirigindo-se directamente às gerações mais jovens. “Meditai sobre a sua vida e deixai-vos guiar pelos seus ensinamentos e pelo seu exemplo. Seguir os seus passos conduzir-vos-á ao caminho certo. Apesar de tudo estar contra ele, o jovem Rafael escolheu dizer livremente ‘sim’ ao chamamento de Cristo. E ele permaneceu fiel a esse sim até a sua morte, a todo o custo, repetindo-o continuamente.”
Aos educadores e pais, bem como aos líderes dos movimentos juvenis, o arcebispo também lançou “um apelo urgente: fazei vossa a vida deste educador excepcional, que alcançou a santidade graças, em parte, aos seus educadores, cristãos convictos que testemunharam o que ensinavam. O segredo reside em manter a coerência entre palavras e acções; entre crença e vida.”
O novo beato atingiu o seu auge, entre 1883 e 1886, quando a situação política levou à expulsão dos missionários da ilha. Ele foi proclamado pelos católicos como o seu líder e, durante três anos, manteve acesa a chama da fé. O que poderia ter sido um golpe mortal para a nascente Igreja de Madagáscar, acabou por se revelar um sucesso inesperado. Com coragem e criatividade, Rafiringa não se esquivou da responsabilidade. Contou com o apoio de Victoria Rasoamanarivo, beatificada em 1989, filha do primeiro-ministro e também cristã, apesar da sua família. Assim, ao retornarem, os missionários encontraram uma comunidade não apenas vibrante, mas também maior. O bispo, mais tarde, referiu-se a ele como tendo sido o seu "substituto durante os anos de exílio". Pela sua obra literária, Rafiringa enfrentou a prisão e o julgamento; porém, a acusação de conspiração contra o Estado foi declarada infundada, e ele foi libertado. Faleceu no dia 19 de Maio de 1919.
O celebrante dirigiu uma palavra especial de gratidão ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. "Seguindo os passos do seu santo fundador, Rafiringa esforçou-se por imitar Cristo, observando escrupulosamente a regra da sua congregação, até nos mínimos detalhes". Por essa razão, ele resistiu à pressão. "Permanecendo sozinho, após a expulsão dos missionários, Rafiringa continuou a viver como se a comunidade ainda existisse, 'tocando o sino todos os dias, ao amanhecer e nos momentos de oração'", concluiu o arcebispo, destacando os religiosos e religiosas malgaxes pelo seu trabalho constante em enraizar o Evangelho na cultura de Madagáscar. Como foi enfatizado na sua beatificação, Rafiringa foi elevado às honras do altar não apenas "pelo que fez, mas como o fez".
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 19 de Maio.
