SÃO MATEUS LE VAN GAM
Mateus Le Van Gam nasceu
em Long Dai, na província de Bien Hoa, Vietmane, em 1813. Os seus pais eram
muito devotos e perseverantes na fé.
Aos quinze anos, Mateus entrou no Seminário de Lai Thieu, mas, assim que começou a estudar latim, foi obrigado a voltar para casa: como filho mais velho, tinha de colaborar no sustento da sua da família.
Quando atingiu a idade de casar, os seus pais apresentaram-no a uma jovem da sua aldeia: deste casamento nasceram quatro filhos, dois dos quais foram martirizados.
Mateus não ocupou cargos importantes, nem eclesiásticos nem políticos, mas gozava de grande estima entre os seus concidadãos. Movido pela força da fé, decidiu servir, activamente, a diocese e os padres missionários, justamente quando a perseguição começou a intensificar-se.
A sua ajuda foi crucial quando, em 1846, tornou-se necessário liderar os seminaristas vietnamitas que serviam em várias cidades da Malásia. Os missionários sabiam que Mateus era um marinheiro habilidoso, capaz de enfrentar os desafios das tempestades, em alto mar.
A primeira viagem transcorreu sem incidentes mas, antes de embarcar para a segunda viagem, Mateus demonstrou uma certa preocupação. O tesoureiro da diocese, contudo, obrigou-o a partir. Antes de deixar o Vietname despediu-se dos seus parentes idosos: "A minha viagem anterior à Malásia foi descoberta pelas autoridades, que suspeitaram que eu tivesse levado mercadorias proibidas pelo governo; por isso, fui perseguido. Creio que a minha vida estará em perigo, nesta segunda viagem, mas confio em Deus, mesmo que seja preso e torturado por amor ao Senhor."
Em 6 de Junho de 1846, Mateus voltou da Malásia no seu barco e preparava-se para entrar no estuário do rio Can Gio. Sabendo que a situação se tornaria perigosa no seu regresso, antes de deixar o Vietname, instruiu o chefe leigo da região de Cho Quan a levar um pequeno sampana (um barco leve) até ao estuário para buscar o bispo. O chefe foi, mas após seis dias retornou: o barco não conseguia avançar, devido às fortes correntes marítimas. No sétimo dia, Mateus, apesar de tudo, tentou avançar e decidiu fazê-lo à noite, na esperança de não ser visto pelos postos de controlo. Infelizmente para ele, era lua cheia: as sentinelas avistaram-no e partiram em perseguição.
Temendo que os soldados o entregassem, juntamente com os seus passageiros, às autoridades, ele ofereceu barras de prata a cada um deles, mas eles recusaram. Somente depois de lhes ter dado mais barras, foi-lhe permitido partir. Os passageiros ficaram aliviados, mas o barco da patrulha voltou e Mateus teve que pagar ainda mais aos soldados. Contudo, o pagamento não havia sido dividido igualmente entre eles; então, o sobrinho do chefe reclamou, acusando os soldados de terem libertado os donos de bens proibidos, mediante pagamento. Então, o chefe militar enviou mais soldados e mais barcos para capturar Mateus e os seus homens.
Alguns dias depois, Mateus foi levado a julgamento para ser interrogado sobre a protecção dada a pregadores europeus. Foi severamente espancado, mas ainda assim recusou-se a profanar a Cruz e as imagens sagradas. Os mandarins ordenaram que ele se deitasse de bruços no chão; depois, agrediram-no com barbaridade e, finalmente, meteram-no na cadeia durante vinte dias. Durante esse tempo, Mateus sofreu mais torturas. A sentença que o condenou à morte por decapitação acusava-o de três crimes: contrabando, transporte ilícito de pessoas e livros religiosos europeus e recusa de profanar a Cruz.
Mateus continuou preso enquanto os mandarins aguardavam a aprovação do rei para a sentença proposta. Durante o seu encarceramento, deu um exemplo aos seus companheiros. Embora estivesse acorrentado e tivesse que usar um instrumento de tortura chamado "cangue" (um tipo de pelourinho), frequentemente dizia: "É da vontade de Deus que eu suporte estes sofrimentos. Estou muito feliz em aceitá-los e obedecer à vontade de Deus."
A sua mãe procurou, muitas vezes, visitá-lo na penitenciária de Saigão. Ficava profundamente comovida, e derramou muitas lágrimas, ao vê-lo acorrentado e enjaulado. O seu filho pediu-lhe que parasse de chorar e se alegrasse, pois ele tinha coragem suficiente para sofrer a morte pela fé cristã; ele não queria perder a oportunidade de receber a graça do martírio.
Sete meses depois, a sentença de morte foi proferida pelos mandarins. No dia 11 de Maio de 1848, Mateus foi levado da prisão para o local da execução. O governador local tentou persuadi-lo a renunciar à sua fé, mas ele respondeu firmemente: "Jamais apostatarei, mesmo que me matem à espada e sofram os maus-tratos da prisão; nada me desanimará; podem decapitar-me." Diante dessa atitude, o governador ordenou que o levassem ao local da execução. Enquanto caminhava alegremente, Mateus repreendeu os seus parentes e amigos, que choravam, por demonstrarem a mesma fraqueza que os pagãos.
Os mandarins deram-lhe alguns instantes para se preparar para a morte e ordenaram ao carrasco que o golpeasse quando o gongo parasse de soar. Após o toque final, ele desferiu o golpe fatal, mas não conseguiu decepar a cabeça; teve que tentar mais duas vezes. Ao cumprir a sua sentença, ergueu a cabeça do mártir, demonstrando que cumpriu o seu dever, mas depois abaixou-a e fugiu.
Mateus Le Van Gam foi beatificado no dia 27 de Maio de 1900, e canonizado, pelo Papa João Paulo II, no dia 19 de Junho de 1988, juntamente com 116 mártires do Vietname.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Maio.
Aos quinze anos, Mateus entrou no Seminário de Lai Thieu, mas, assim que começou a estudar latim, foi obrigado a voltar para casa: como filho mais velho, tinha de colaborar no sustento da sua da família.
Quando atingiu a idade de casar, os seus pais apresentaram-no a uma jovem da sua aldeia: deste casamento nasceram quatro filhos, dois dos quais foram martirizados.
Mateus não ocupou cargos importantes, nem eclesiásticos nem políticos, mas gozava de grande estima entre os seus concidadãos. Movido pela força da fé, decidiu servir, activamente, a diocese e os padres missionários, justamente quando a perseguição começou a intensificar-se.
A sua ajuda foi crucial quando, em 1846, tornou-se necessário liderar os seminaristas vietnamitas que serviam em várias cidades da Malásia. Os missionários sabiam que Mateus era um marinheiro habilidoso, capaz de enfrentar os desafios das tempestades, em alto mar.
A primeira viagem transcorreu sem incidentes mas, antes de embarcar para a segunda viagem, Mateus demonstrou uma certa preocupação. O tesoureiro da diocese, contudo, obrigou-o a partir. Antes de deixar o Vietname despediu-se dos seus parentes idosos: "A minha viagem anterior à Malásia foi descoberta pelas autoridades, que suspeitaram que eu tivesse levado mercadorias proibidas pelo governo; por isso, fui perseguido. Creio que a minha vida estará em perigo, nesta segunda viagem, mas confio em Deus, mesmo que seja preso e torturado por amor ao Senhor."
Em 6 de Junho de 1846, Mateus voltou da Malásia no seu barco e preparava-se para entrar no estuário do rio Can Gio. Sabendo que a situação se tornaria perigosa no seu regresso, antes de deixar o Vietname, instruiu o chefe leigo da região de Cho Quan a levar um pequeno sampana (um barco leve) até ao estuário para buscar o bispo. O chefe foi, mas após seis dias retornou: o barco não conseguia avançar, devido às fortes correntes marítimas. No sétimo dia, Mateus, apesar de tudo, tentou avançar e decidiu fazê-lo à noite, na esperança de não ser visto pelos postos de controlo. Infelizmente para ele, era lua cheia: as sentinelas avistaram-no e partiram em perseguição.
Temendo que os soldados o entregassem, juntamente com os seus passageiros, às autoridades, ele ofereceu barras de prata a cada um deles, mas eles recusaram. Somente depois de lhes ter dado mais barras, foi-lhe permitido partir. Os passageiros ficaram aliviados, mas o barco da patrulha voltou e Mateus teve que pagar ainda mais aos soldados. Contudo, o pagamento não havia sido dividido igualmente entre eles; então, o sobrinho do chefe reclamou, acusando os soldados de terem libertado os donos de bens proibidos, mediante pagamento. Então, o chefe militar enviou mais soldados e mais barcos para capturar Mateus e os seus homens.
Alguns dias depois, Mateus foi levado a julgamento para ser interrogado sobre a protecção dada a pregadores europeus. Foi severamente espancado, mas ainda assim recusou-se a profanar a Cruz e as imagens sagradas. Os mandarins ordenaram que ele se deitasse de bruços no chão; depois, agrediram-no com barbaridade e, finalmente, meteram-no na cadeia durante vinte dias. Durante esse tempo, Mateus sofreu mais torturas. A sentença que o condenou à morte por decapitação acusava-o de três crimes: contrabando, transporte ilícito de pessoas e livros religiosos europeus e recusa de profanar a Cruz.
Mateus continuou preso enquanto os mandarins aguardavam a aprovação do rei para a sentença proposta. Durante o seu encarceramento, deu um exemplo aos seus companheiros. Embora estivesse acorrentado e tivesse que usar um instrumento de tortura chamado "cangue" (um tipo de pelourinho), frequentemente dizia: "É da vontade de Deus que eu suporte estes sofrimentos. Estou muito feliz em aceitá-los e obedecer à vontade de Deus."
A sua mãe procurou, muitas vezes, visitá-lo na penitenciária de Saigão. Ficava profundamente comovida, e derramou muitas lágrimas, ao vê-lo acorrentado e enjaulado. O seu filho pediu-lhe que parasse de chorar e se alegrasse, pois ele tinha coragem suficiente para sofrer a morte pela fé cristã; ele não queria perder a oportunidade de receber a graça do martírio.
Sete meses depois, a sentença de morte foi proferida pelos mandarins. No dia 11 de Maio de 1848, Mateus foi levado da prisão para o local da execução. O governador local tentou persuadi-lo a renunciar à sua fé, mas ele respondeu firmemente: "Jamais apostatarei, mesmo que me matem à espada e sofram os maus-tratos da prisão; nada me desanimará; podem decapitar-me." Diante dessa atitude, o governador ordenou que o levassem ao local da execução. Enquanto caminhava alegremente, Mateus repreendeu os seus parentes e amigos, que choravam, por demonstrarem a mesma fraqueza que os pagãos.
Os mandarins deram-lhe alguns instantes para se preparar para a morte e ordenaram ao carrasco que o golpeasse quando o gongo parasse de soar. Após o toque final, ele desferiu o golpe fatal, mas não conseguiu decepar a cabeça; teve que tentar mais duas vezes. Ao cumprir a sua sentença, ergueu a cabeça do mártir, demonstrando que cumpriu o seu dever, mas depois abaixou-a e fugiu.
Mateus Le Van Gam foi beatificado no dia 27 de Maio de 1900, e canonizado, pelo Papa João Paulo II, no dia 19 de Junho de 1988, juntamente com 116 mártires do Vietname.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Maio.
