BEATA MARIA TERESA LEDOCHOWSKA
Maria Teresa nasceu, no dia 29 de Abril de 1863, em
Loosdorf, no sul da Áustria: era uma dos sete filhos do Conde António
Ledóchowski, nascido na Polónia, e da Condessa suíça, Josefina Salis-Zizers,
sua segunda esposa. Teve uma educação muito esmerada e aristocrática,
tornando-se uma requintada fidalga, muito culta e fluente em várias línguas.
O Seu ambiente
familiar era muito piedoso: o seu irmão Vladimir tornar-se-ia, mais tarde,
Superior-Geral dos Jesuítas; a sua irmã Júlia – Irmã Maria Úrsula, após os seus
votos - foi canonizada pelo João Paulo II, em 2003.
Maria Teresa cresceu em paz, na sua família numerosa e
rica. Com um talento notável para a música e a pintura, frequentou aulas com o
tutor beneditino dos seus irmãos mais velhos.
Em 1882, mudou-se, com os seus pais, para Lipnica,
próximo de Cracóvia, na Polónia, onde continuou a cultivar as belas artes e a
letras, tendo estudado na Congregação Mariana das Damas Inglesas.
A semente da vocação foi plantada; mas foi a dor que a
fez germinar.
Aos vinte e dois anos, em 1885, para não ser um peso
para a sua família, que enfrentava dificuldades económicas, com o consentimento
do tio, o Cardeal Miecislao Ledóchowski, foi nomeada dama de honor da
Grã-Duquesa da Toscana, Alicia de Bourbon e Parma, que tinha residência na
corte austríaca, no palácio imperial de Salzburgo. A Grã-Duquesa não dispensava
a sua presença alegre e brilhante, e a estimava muito.
Todo o tempo que permaneceu na corte, embora tendo que
tomar parte em festas, bailes e caçadas, manteve um comportamento sério;
frequentava a Santa Missa diariamente e comungava com frequência.
Contraiu varíola e também foi atacada na rua. Foi
então que ouviu a voz do Senhor ressoar dentro de si. Assim que se recuperou,
consagrou-se com o voto de castidade e tornou-se terciária franciscana,
aprofundando a sua devoção à Paixão do Senhor. Mas isso não foi suficiente. Um
dia, conheceu duas Irmãs Missionárias Franciscanas de Maria que andavam a
tentar arranjar fundos para financiar as suas missões, na Índia.
Ao ler uma palestra do Cardeal Carlos Lavigerie,
fundador dos Padres Brancos para a evangelização da África, sentiu-se iluminada
pelo Espírito e decidiu dedicar a sua vida à abolição da escravatura, que ainda
existia no continente: isto tornou-se a sua grande missão.
Começou, imediatamente, fundando quatro comitês anti
esclavagistas, em quatro cidades; depois, compôs uma peça, Zaida, para
consciencializar para as terríveis consequências da escravidão, especialmente
para as mulheres. Em seguida, fundou duas revistas: L'Eco dell'Africa (O eco da
África) para adultos e ‘ll fanciullo nero’ (A criança negra) para jovens, ambas
com o objectivo de consciencialização. Dedicou-se com tanto fervor à sua
vocação que recebeu o apelido de "a louca das missões", chegando a experimentar
certa antipatia, da parte de muitos.
O trabalho de Maria Teresa intensificou-se cada vez
mais, e, assim, ela começou a cultivar a ideia de transformar tudo o que havia
feito até então num instituto religioso, também para dar maior estabilidade à sua
obra. Foi a Roma apresentar a sua ideia ao Papa Leão XIII. Voltou a Salzburgo,
onde alugou uma casa e começou a reunir jovens sob a inspiração dos ideais
missionários de São Pedro Claver. [Pedro Claver nasceu em Verdú, na Espanha, no ano de
1580. Fez os estudos de Letras e Artes na Universidade de Barcelona e, em 1602,
entrou na Companhia de Jesus. Na sua vocação missionária exerceu notável
influência santo Afonso Rodriguez, porteiro do Colégio de Maiorca. Ordenado
presbítero, em 1616, na missão da Colômbia, aí exerceu até à morte o apostolado
entre os escravos negros, conforme o voto a que se tinha obrigado de ser
«escravo dos negros para sempre». Debilitadas as forças, morreu em Cartagena,
na Colômbia, no dia 8 de Setembro de 1654. Foi canonizado, pelo Papa Leão XIII,
no dia 15 de Janeiro de 1888, em Roma]. Em 1894, fundou a Congregação das Missionárias de São Pedro Claver.
Em 1897, o Bispo
da Diocese aprovou o Instituto. A congregação, finalmente, tinha um objectivo:
apoiar os missionários em África, financeira e espiritualmente, por meio da
oração e da Adoração Eucarística. Em 1910, recebeu a aprovação da Santa Sé.
Maria Teresa continuou, incansavelmente, as suas
viagens; fundou novas casas e supervisionou a educação das noviças. Em 1921,
contraiu malária, doença que acabou por levá-la à morte.
Faleceu no dia 6 de Julho de 1922,
Mais de oito mil cartas suas sobreviveram, escritas em
polaco, italiano, francês, inglês e alemão. Ela foi beatificada por Paulo VI, mo
dia 18 de Outubro de 1975.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 6 de Julho.
