SANTA MARIA SOLEDADE TORRES ACOSTA
Bibiana Antónia Manuela
nasceu em Madrid, Espanha, no dia 2 de Dezembro de 1826, a segunda filha de
Manuel Torres e Antónia Acosta, modestos comerciantes. Foi baptizada dois dias
depois. Todos a tratavam por Manuela. Recebeu o Sacramento da Confirmação no
dia 16 de Janeiro de 1828, quando tinha acabado de completar um ano de idade,
de acordo com o costume daquela época, em Espanha.
Manuela passou a sua infância, adolescência e juventude na casa do seu pai. Dedicou-se inteiramente às tarefas domésticas e aos cuidados com os seus três irmãos mais novos, mas não negligenciou as obras de piedade pelas quais era particularmente atraída.
Aos vinte e cinco anos, deu vazão ao seu impulso generoso e ofereceu-se para auxiliar o Padre Miguel Martínez Sanz, que era o responsável pelo cuidado espiritual do bairro operário de Chamberí. O sacerdote tinha em mente fundar uma congregação religiosa para cuidar dos doentes, em casa: já havia envolvido, no seu projecto, seis jovens mulheres, mas queria aumentar o número para sete, como fundadoras leigas da Ordem das Servas de Maria.
A sétima foi Manuela: assim, no dia 15 de Agosto de 1851, juntamente com as outras seis companheiras, Manuela vestiu o hábito preto e mudou o seu nome para Maria Soledade (Desolada), em honra da Virgem Santa Maria das Dores, de quem toda a Espanha tem grande devoção. Assim nasceu a nova Congregação das Servas de Maria, Ministras dos Doentes.
Em 1856, uma grave crise interna, desencadeada por dolorosas dificuldades, levou à demissão de quatro das seis cofundadoras; outras duas faleceram. A isto acrescentou-se a hostilidade do Estado e a partida do Padre Miguel para a Guiné Equatorial, como missionário. A Irmã Maria Soledade, nomeada Superiora-Geral, viu-se a lutar sozinha, procurando dar vida à Congregação. Cheia de devoção, depositou toda a sua confiança na Virgem Maria.
Em 1856, o novo director eclesiástico das Servas de Maria demitiu-a do cargo e enviou-a para Getafe. O Arcebispo de Toledo teve de intervir para evitar a extinção da Congregação, enquanto a Irmã Maria Soledade continuava a prestar os seus humildes serviços.
O Padre Gabino Sánchez, agostiniano, foi nomeado para substituir o Padre Miguel Martínez. O seu primeiro acto foi reconduzir a Irmã Maria Soledade no cargo de superiora-geral, em Janeiro de 1857 e chamá-la de volta a Madrid. A sua recondução foi ratificada no primeiro Capítulo-Geral, em 1861, após a aprovação da primeira Regra.
As Servas de Maria conquistaram a protecção da Rainha Isabel II e obtiveram a confiança da Junta de Caridade de Madrid: em 1859, foi-lhes confiada a Casa do Socorro, seguida, em 1861, pela administração do Hospital de São João de Deus. Entretanto, continuaram o seu compromisso primordial, oferecendo assistência domiciliar gratuita aos enfermos. Em particular, dedicaram-se em socorrer os doentes de cólera, durante as epidemias de 1855, 1865 e 1885.
Tendo obtido a aprovação do governo, nos anos seguintes, a Madre Maria Soledade expandiu a sua fundação, abrindo novas casas - cerca de 42 - espalhadas por toda a Espanha e em Cuba (1875) e em Porto Rico (1887). Ela estabeleceu que as suas ‘filhas’ deveriam possuir uma sólida formação em enfermagem e uma grande devoção à Virgem, com o título de Nossa Senhora da Saúde dos Enfermos.
A congregação obteve o ‘Decreto de Louvor’ em 1867 e recebeu a sua primeira aprovação do Papa Pio IX, em 1876. A Madre Maria Soledade foi, pessoalmente, encorajada pelo Papa Leão XIII, a quem conheceu em Roma: o mesmo Pontífice, em 1898, aprovou, definitivamente, as Constituições das Servas de Maria.
Após 31 anos de governo, a Madre Maria Soledade faleceu, no dia 11 de Outubro de 1887. O seu corpo, perfeitamente preservado, foi transladado para a Casa-Mãe, em Madrid, após seis anos no cemitério local.
A crescente devoção dos fiéis levou à abertura da sua causa de beatificação, na diocese de Madrid. No dia 23 de Janeiro de 1938, foi promulgado o decreto sobre o heroísmo das suas virtudes, pelo qual a Madre Maria Soledade Torres Acosta foi declarada Venerável.
A Madre Maria Soledade foi beatificada no dia 5 de Fevereiro de 1950, pelo Papa Pio XII.
Foi canonizada, pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de Janeiro de 1970, e por ele denominada "precursora e mestra do mais consumado cuidado e assistência à saúde, do nosso humanismo social". Da sua homilia, destacamos: “…Nesta hora de tribulação para a Igreja e de amargura para Nós, este é um momento de grande consolação: Maria Soledade Torres Acosta foi reconhecida como Santa. Foi proclamada Santa. Foi inscrita nos fastos dos Santos. Foi apresentada a toda a Igreja terrestre, como pertencente à Igreja celeste. Foi declarada digna do culto de veneração, porque está unida para sempre e totalmente a Cristo ressuscitado e participa da glória que Ele possui. Este é o significado do acto extraordinário e solene que Nós acabámos de realizar. Canonizámos esta bem-aventurada filha da Igreja e agora sentimos que a luz, a fascinação, o mistério da santidade se difundem sobre nós, sobre esta assembleia exultante, sobre a Espanha que foi a pátria da nova Santa, sobre a Família religiosa que ela fundou, a das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, sobre a Igreja inteira e sobre o mundo. Deus seja bendito!...
… A biografia de Maria Soledade não nos oferece aquelas singularidades muitas vezes cheias de aventura e de prodígio, nem aquela riqueza de palavras e de escritos, que caracterizam outras figuras de Santas; por outro, o seu perfil, cheio de pureza e de bondade, apresenta algumas características que Nos parece necessário sublinhar.
Maria Soledade é uma fundadora, a fundadora de uma Família religiosa muito numerosa e muito difundida, de uma Congregação excelente e próvida. Assim, Maria Soledade faz parte daquele grupo de santas e intrépidas mulheres, que, no século passado, fizeram jorrar na Igreja torrentes de santidade e de operosidade, intermináveis procissões de virgens consagradas ao único e supremo amor de Cristo, devotadas ao serviço inteligente, incansável e desinteressado do próximo. Vós conheceis estas almas. Por toda a parte podeis encontrá-las. Não é necessário que vos descrevamos agora a magnífica expansão que os seus Institutos tiveram…
… As características peculiares, que descrevem especificamente o modelo em questão, justificam e glorificam esse tipo de procura da perfeição cristã. Consiste ele no desapego prático e ascético da vida secular comum, que hoje é preferida por muitos; na vida comum organizada, dentro da observância dos conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência; no primado, ciosamente conservado, da vida interior, da oração, do culto divino e do amor de Deus; numa palavra, na dedicação sem limite e sem cálculos egoístas a algumas obras de caridade; e, por fim, na adesão profunda e orgânica à Santa Igreja. Estas características básicas, que constituem um estado de vida qualificado pelo esforço para alcançar a perfeição cristã, estão autenticamente de acordo com as exigências do Evangelho, e ainda hoje são capazes de definir e de valorizar a vida religiosa no nosso tempo. A Congregação das Servas dos Enfermos merece, no nome e no exemplo da sua santa fundadora, este Nosso reconhecimento.
Esta Congregação merece também outro reconhecimento, o da sua definição como Instituto religioso especificamente dedicado à assistência aos enfermos. Esta é a opção que exprime, empenha e ilustra a caridade de Maria Soledade e da sua descendência espiritual…”
Ainda hoje, as filhas espirituais de Santa Maria Soledade Torres Acosta continuam a sua missão de cuidar dos enfermos, inclusive em hospitais, mas principalmente nos seus lares. Estão presentes em quatro continentes, divididas em mais de cem casas. A Casa-Mãe continua em Madrid, enquanto a Sede-Geral está em Roma.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Outubro, aniversário da sua morte.
Manuela passou a sua infância, adolescência e juventude na casa do seu pai. Dedicou-se inteiramente às tarefas domésticas e aos cuidados com os seus três irmãos mais novos, mas não negligenciou as obras de piedade pelas quais era particularmente atraída.
Aos vinte e cinco anos, deu vazão ao seu impulso generoso e ofereceu-se para auxiliar o Padre Miguel Martínez Sanz, que era o responsável pelo cuidado espiritual do bairro operário de Chamberí. O sacerdote tinha em mente fundar uma congregação religiosa para cuidar dos doentes, em casa: já havia envolvido, no seu projecto, seis jovens mulheres, mas queria aumentar o número para sete, como fundadoras leigas da Ordem das Servas de Maria.
A sétima foi Manuela: assim, no dia 15 de Agosto de 1851, juntamente com as outras seis companheiras, Manuela vestiu o hábito preto e mudou o seu nome para Maria Soledade (Desolada), em honra da Virgem Santa Maria das Dores, de quem toda a Espanha tem grande devoção. Assim nasceu a nova Congregação das Servas de Maria, Ministras dos Doentes.
Em 1856, uma grave crise interna, desencadeada por dolorosas dificuldades, levou à demissão de quatro das seis cofundadoras; outras duas faleceram. A isto acrescentou-se a hostilidade do Estado e a partida do Padre Miguel para a Guiné Equatorial, como missionário. A Irmã Maria Soledade, nomeada Superiora-Geral, viu-se a lutar sozinha, procurando dar vida à Congregação. Cheia de devoção, depositou toda a sua confiança na Virgem Maria.
Em 1856, o novo director eclesiástico das Servas de Maria demitiu-a do cargo e enviou-a para Getafe. O Arcebispo de Toledo teve de intervir para evitar a extinção da Congregação, enquanto a Irmã Maria Soledade continuava a prestar os seus humildes serviços.
O Padre Gabino Sánchez, agostiniano, foi nomeado para substituir o Padre Miguel Martínez. O seu primeiro acto foi reconduzir a Irmã Maria Soledade no cargo de superiora-geral, em Janeiro de 1857 e chamá-la de volta a Madrid. A sua recondução foi ratificada no primeiro Capítulo-Geral, em 1861, após a aprovação da primeira Regra.
As Servas de Maria conquistaram a protecção da Rainha Isabel II e obtiveram a confiança da Junta de Caridade de Madrid: em 1859, foi-lhes confiada a Casa do Socorro, seguida, em 1861, pela administração do Hospital de São João de Deus. Entretanto, continuaram o seu compromisso primordial, oferecendo assistência domiciliar gratuita aos enfermos. Em particular, dedicaram-se em socorrer os doentes de cólera, durante as epidemias de 1855, 1865 e 1885.
Tendo obtido a aprovação do governo, nos anos seguintes, a Madre Maria Soledade expandiu a sua fundação, abrindo novas casas - cerca de 42 - espalhadas por toda a Espanha e em Cuba (1875) e em Porto Rico (1887). Ela estabeleceu que as suas ‘filhas’ deveriam possuir uma sólida formação em enfermagem e uma grande devoção à Virgem, com o título de Nossa Senhora da Saúde dos Enfermos.
A congregação obteve o ‘Decreto de Louvor’ em 1867 e recebeu a sua primeira aprovação do Papa Pio IX, em 1876. A Madre Maria Soledade foi, pessoalmente, encorajada pelo Papa Leão XIII, a quem conheceu em Roma: o mesmo Pontífice, em 1898, aprovou, definitivamente, as Constituições das Servas de Maria.
Após 31 anos de governo, a Madre Maria Soledade faleceu, no dia 11 de Outubro de 1887. O seu corpo, perfeitamente preservado, foi transladado para a Casa-Mãe, em Madrid, após seis anos no cemitério local.
A crescente devoção dos fiéis levou à abertura da sua causa de beatificação, na diocese de Madrid. No dia 23 de Janeiro de 1938, foi promulgado o decreto sobre o heroísmo das suas virtudes, pelo qual a Madre Maria Soledade Torres Acosta foi declarada Venerável.
A Madre Maria Soledade foi beatificada no dia 5 de Fevereiro de 1950, pelo Papa Pio XII.
Foi canonizada, pelo Papa Paulo VI, no dia 25 de Janeiro de 1970, e por ele denominada "precursora e mestra do mais consumado cuidado e assistência à saúde, do nosso humanismo social". Da sua homilia, destacamos: “…Nesta hora de tribulação para a Igreja e de amargura para Nós, este é um momento de grande consolação: Maria Soledade Torres Acosta foi reconhecida como Santa. Foi proclamada Santa. Foi inscrita nos fastos dos Santos. Foi apresentada a toda a Igreja terrestre, como pertencente à Igreja celeste. Foi declarada digna do culto de veneração, porque está unida para sempre e totalmente a Cristo ressuscitado e participa da glória que Ele possui. Este é o significado do acto extraordinário e solene que Nós acabámos de realizar. Canonizámos esta bem-aventurada filha da Igreja e agora sentimos que a luz, a fascinação, o mistério da santidade se difundem sobre nós, sobre esta assembleia exultante, sobre a Espanha que foi a pátria da nova Santa, sobre a Família religiosa que ela fundou, a das Servas de Maria Ministras dos Enfermos, sobre a Igreja inteira e sobre o mundo. Deus seja bendito!...
… A biografia de Maria Soledade não nos oferece aquelas singularidades muitas vezes cheias de aventura e de prodígio, nem aquela riqueza de palavras e de escritos, que caracterizam outras figuras de Santas; por outro, o seu perfil, cheio de pureza e de bondade, apresenta algumas características que Nos parece necessário sublinhar.
Maria Soledade é uma fundadora, a fundadora de uma Família religiosa muito numerosa e muito difundida, de uma Congregação excelente e próvida. Assim, Maria Soledade faz parte daquele grupo de santas e intrépidas mulheres, que, no século passado, fizeram jorrar na Igreja torrentes de santidade e de operosidade, intermináveis procissões de virgens consagradas ao único e supremo amor de Cristo, devotadas ao serviço inteligente, incansável e desinteressado do próximo. Vós conheceis estas almas. Por toda a parte podeis encontrá-las. Não é necessário que vos descrevamos agora a magnífica expansão que os seus Institutos tiveram…
… As características peculiares, que descrevem especificamente o modelo em questão, justificam e glorificam esse tipo de procura da perfeição cristã. Consiste ele no desapego prático e ascético da vida secular comum, que hoje é preferida por muitos; na vida comum organizada, dentro da observância dos conselhos evangélicos da pobreza, da castidade e da obediência; no primado, ciosamente conservado, da vida interior, da oração, do culto divino e do amor de Deus; numa palavra, na dedicação sem limite e sem cálculos egoístas a algumas obras de caridade; e, por fim, na adesão profunda e orgânica à Santa Igreja. Estas características básicas, que constituem um estado de vida qualificado pelo esforço para alcançar a perfeição cristã, estão autenticamente de acordo com as exigências do Evangelho, e ainda hoje são capazes de definir e de valorizar a vida religiosa no nosso tempo. A Congregação das Servas dos Enfermos merece, no nome e no exemplo da sua santa fundadora, este Nosso reconhecimento.
Esta Congregação merece também outro reconhecimento, o da sua definição como Instituto religioso especificamente dedicado à assistência aos enfermos. Esta é a opção que exprime, empenha e ilustra a caridade de Maria Soledade e da sua descendência espiritual…”
Ainda hoje, as filhas espirituais de Santa Maria Soledade Torres Acosta continuam a sua missão de cuidar dos enfermos, inclusive em hospitais, mas principalmente nos seus lares. Estão presentes em quatro continentes, divididas em mais de cem casas. A Casa-Mãe continua em Madrid, enquanto a Sede-Geral está em Roma.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 11 de Outubro, aniversário da sua morte.
