Cardeal Javier Lozano Barragán - Presidente do Pontifício Conselho Para a Pastoral da Saúde, na 56ª Jornada Mundial dos doentes da lepra: 25 de Janeiro de 2009
“…Inspirando-se no exemplo de Cristo Jesus, médico do corpo e do espírito, a Igreja sempre teve uma especial solicitude para com os doentes de lepra. No curso dos séculos, fez-se presente através das Congregações de Religiosos e Religiosas, com Organizações laicas de assistência voluntaria no sector de saúde, contribuindo de maneira radical para a plena integração social e comunitária dos doentes portadores de hanseniase. O Beato Padre Damião de Veuster, incansável e exemplar Apostolo dos irmãos e irmãs portadores da Doença de Hansen, farol de Fé e de Amor, é símbolo de todos os Consagrados a Cristo com Votos Religiosos que, ainda hoje, dedicam a própria vida a estes nossos irmãos, colocando à disposição todos os recursos para o seu bem-estar integral, em todas as partes do mundo. Estes, juntamente com o Beato Damião, estão a escrever as páginas mais belas da Historia Missionária da Igreja, inseparavelmente ligada a Evangelização e aos cuidados dos doentes, anunciando que a Redenção de Cristo Jesus e a Graça salvífica atingem todo o Homem na sua condição humana para associá-lo à sua Gloriosa Ressurreição. Há ainda outros homens de boa vontade que, voluntariamente se solidarizam, organizando, no concreto do dia-a-dia, acções de solidariedade, colocando à disposição meios e recursos financeiros, ajudando os Institutos de Pesquisa para que possam descobrir um tratamento sempre mais eficaz para a Doença de Hansen. Os leigos católicos têm como seu modelo Raoul Follereau, idealizador e promotor desta “Jornada Mundial”, que continua a sua benéfica acção através da “Associação dos Amigos” a ele dedicada. A ele, e a quantos o seguem no tempo, dirigimos o nosso aplauso particular e a nossa gratidão por tantas iniciativas promovidas, com o objectivo de man-ter sempre viva a atenção aos doentes de Hansen, sensibilizando a opinião pública e suscitando o comprometimento de outros na promoção de programas e na obtenção de recursos financeiros. É belo e consolador constatar que, nesta luta contra a Doença de Hansen, estão presentes também Associações e Organizações não Governamentais que independentemente do vínculo religioso, ideológico ou cultural, se unem na comum finalidade de levar, a quem está doente, a oportunidade de reencontrar um estado de bem-estar social, sanitário, espiritual…”
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… Vinde a Mim… e encontrareis descanso para as vossas almas” (cf. Mateus 11, 28-29)
No Evangelho de hoje Jesus diz: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.» (Mat. 11, 28). O Senhor não reserva esta frase a alguns dos seus amigos, não, dirige-a a “todos” aqueles que estão cansados e oprimidos pela vida. E então quem pode sentir-se excluído deste convite? O Senhor sabe quanto a vida pode ser difícil. Sabe que muitas coisas cansam o coração: desilusões e feridas do passado, pesos a serem carregados e injustiças a suportar no presente, incertezas e preocupações para com o futuro.
Perante tudo isto, a primeira palavra de Jesus é um convite, um convite a mover-se e a reagir: «Vinde». O erro que cometemos, quando as coisas não correm bem, é permanecer ali onde estamos, deitados ali. Parece evidente, mas quanto é difícil reagir e abrir-se! Não é fácil. Nos momentos obscuros é natural querer estar sozinho consigo mesmo, remoer sobre quanto é injusta a vida, sobre quão ingratos são os outros e como é maldoso o mundo, e assim por diante. Todos sabemos isto. Por vezes, sofremos esta experiência negativa. Mas assim, fechados dentro de nós mesmos, vemos tudo escuro. En-tão chegamos até a familiarizar-nos com a tristeza, que encontra demora em nós: aquela tristeza desmoraliza-nos, esta tristeza é algo ruim. Ao contrário, Jesus quer tirar-nos destas “areias movediças” e, portanto, diz a cada um: «Vinde!” — “Quem?” — “Tu, tu, tu...”. A via de saída encontra-se na relação, em estender a mão e em levantar o olhar para quem nos ama verdadeiramente.
Com efeito, sair de si mesmo não é suficiente, é necessário saber para onde ir. Porque muitas metas são ilusórias: prometem alívio e distraem só um pouco, garantem paz e proporcionam divertimento, deixando depois na solidão anterior, são “fogos-de-artifício”. Por esta razão, Jesus indica para onde ir: “Vinde a mim”. E muitas vezes, diante de um peso da vida ou de uma situação que nos faz sofrer, tentemos falar com alguém que nos escute, com um amigo, com um perito na matéria... É muito bom fazer isto, mas não esqueçamos Jesus! Não esqueçamos de nos abrirmos a Ele e de lhe contar a nossa vida, de lhe confiar as pessoas e as situações. Talvez haja algumas “áreas” da nossa vida que nunca lhe abrimos e que permaneceram obscuras, porque nunca viram a luz do Senhor. Cada um de nós tem a própria história. E se alguém tiver esta zona obscura, procurai Jesus, ide ter com um sacerdote, ide... Mas ide ter com Jesus, e contai isto a Jesus. Hoje Ele diz a cada um de nós: “Coragem, não sucumbas sob os pesos da vida, não te feches diante dos medos e dos pecados, mas vem a mim!”.
Ele espera por nós, espera-nos sempre, não para resolver magicamente os nossos problemas, mas para nos tornar mais fortes em relação aos nossos problemas. Jesus não nos tira os pesos da vida, mas sim a angústia do coração; não nos suprime a cruz, mas carrega-a juntamente connosco. E com Ele, todo o peso se torna leve (cf. v. 30), porque Ele é o repouso que nós buscamos. Quando Jesus entra na vida, chega a paz, a que permanece também nas provações, nos sofrimentos. Vamos ter com Jesus, demos-lhe o nosso tempo, encontremo-lo todos os dias na oração, num diálogo confiante, pessoal; familiarizando-nos com a sua Palavra redescubramos sem temor o seu perdão, saciemo-nos com o seu Pão de vida: sentir-nos-emos amados, sentir-nos-emos consolados por Ele.
É Ele mesmo que nolo pede, quase com uma certa insistência. Reitera-o ainda no final do Evangelho de hoje: “Tomai o meu jugo sobre vós […] achareis o repouso para as vossas almas” (v. 29). E deste modo, aprendamos a ir ter com Jesus e, quando nos meses de verão procurarmos um pouco de repouso de tudo aquilo que cansa o nosso corpo, não esqueçamos de encontrar o repouso verdadeiro no Senhor. Nos ajude nisto a Virgem Maria nossa Mãe, que sempre cuida de nós quando estamos cansados e oprimidos e nos acompanha ao encontro com Jesus. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 9 de Julho de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)