Na audiência geral do dia 3 de Agosto, o Papa propôs aos católicos que façam uma leitura continuada da Bíblia, desde os livros mais pequenos, como os de Tobias, Ester ou Rute, até às “obras-primas” como Job, Qohélet ou Cântico dos Cânticos.
O Papa sugeriu que os fiéis “tenham à mão, durante o período estival ou nos momentos de pausa, a Santa Bíblia, para a apreciar de uma maneira nova”, lendo “alguns dos seus livros, os menos conhecidos e também os mais notórios, como os Evangelhos".
“Muitos cristãos deixaram de ler a Bíblia e têm dela um conhecimento muito limitado e superficial”, salientou o Papa, que fez votos para que uma “leitura continuada” do texto sagrado para os cristãos possa tornar-se um “enriquecimento cultural” e “nutriente do espírito, capaz de alimentar o conhecimento de Deus e o diálogo com Ele, a oração”.
Bento XVI pretende apontar “alguns aspectos de carácter espiritual e concreto” que lhe parecem “úteis não só para quem vive – numa parte do mundo – o período de férias estivais, mas também para todos aqueles que estão empenhados no trabalho diário”.
“Não somos feitos só para trabalhar, mas também para pensar, reflectir ou simplesmente seguir com a mente e com o coração” uma história na qual “em certo sentido nos ‘perdemos’ para depois nos enriquecermos”.
O Papa recordou que alguns dos textos da “pequena ‘biblioteca’” que é a Bíblia “permanecem quase desconhecidos para a maior parte das pessoas”, e lembrou, de modo particular, textos “muito breves” como o livro de Tobias, cuja narrativa “contém um sentido muito elevado da família e do matrimónio”.
O Papa fez referência, ainda, ao livro de Ester, “no qual a rainha hebraica, com a fé e a oração, salva o seu povo do extermínio”, e ao “ainda mais breve” livro de Rute, narrativa de “uma estrangeira que conhece Deus e experimenta a sua providência”.
“Estes pequenos livros podem ler-se por inteiro numa hora”, frisou o Papa, que também destacou “obras-primas” de leitura exigente, como Job, que se detém sobre “o grande problema da dor inocente”, e Qohélet, também conhecido como Eclesiastes, que manifesta com “desconcertante modernidade” o “sentido da vida e do mundo”.
Bento XVI mencionou, igualmente, o Cântico dos Cânticos, “admirável poema simbólico do amor humano”, tendo passado seguidamente para o Novo Testamento, conjunto de obras “mais conhecidas” e com géneros literários “menos diversificados”.
No discurso que proferiu diante de centenas de fiéis, o Papa salientou a “beleza” da leitura “seguida” de um dos quatro Evangelhos, bem como dos Actos dos Apóstolos ou de uma das cartas que compõem a segunda parte do Novo Testamento. ( cf, Rádio Vaticano )