PALAVRA COM SENTIDO
“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)
O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…
sábado, 12 de março de 2011
TEMPO DA QUARESMA
NOTÍCIAS / PALAVRAS DO PAPA
A Quaresma é um tempo propício para nos dedicarmos, com maior empenho, à nossa conversão, para intensificar a escuta da Palavra de Deus, a oração e a penitência, abrindo o coração ao acolhimento dócil da vontade divina.
O Papa, Bento XVI, presidiu em Roma, na Quarta-Feira de Cinzas, à procissão penitencial que percorreu as ruas do Bairro Aventino e que terminou na Basílica de Santa Sabina, onde teve lugar a celebração da Santa Missa e a imposição das Cinzas.
Na homilia, disse Bento XVI: “ Hoje, ressoa para nós o apelo ‘Voltai para mim de todo o coração’; hoje somos nós a sermos chamados a converter o nosso coração a Deus, conscientes sempre de não poder realizar a nossa conversão, sozinhos, unicamente com as nossas forças, porque é Deus que nos converte. Ele oferece-nos ainda o seu perdão convidando-nos a voltar para Ele para nos dar um coração novo, purificado do mal que o oprime, para participarmos da sua alegria… O nosso mundo precisa de ser convertido por Deus, precisa do seu perdão, do seu amor, precisa de um coração novo”. ( … )
Bento XVI salientou que, com o nosso testemunho evangélico, nós cristãos devemos ser uma mensagem viva, porque, em muitas circunstâncias, somos o único Evangelho que os homens de hoje ainda lêem. Eis a nossa responsabilidade… eis um motivo a mais para viver bem a Quaresma: oferecer o testemunho da fé, vivida num mundo em dificuldade e que precisa de voltar para Deus, que precisa de conversão.
O itinerário quaresmal – disse o Papa a concluir – é um tempo propício que nos é dado para nos dedicarmos, com maior empenho, à nossa conversão, para intensificar a escuta da Palavra de Deus, a oração e a penitência, abrindo o coração ao acolhimento dócil da vontade divina, para uma prática mais generosa da mortificação, de modo a estarmos mais disponíveis para ir em ajuda do próximo necessitado: um itinerário que nos prepara para reviver o Mistério Pascal. ( cf. Radio Vaticano )
Japão: Bento XVI manifesta profunda tristeza
O Papa revela a sua profunda tristeza pela tragédia através de um telegrama enviado à Conferência Episcopal do Japão.
«Bento XVI exprime proximidade com a população atingida por estes trágicos eventos assegurando a oração pelas vítimas e seus familiares».
Também num telegrama enviado ao presidente da Conferência Episcopal do Japão, Leo Jun Ikenaga, o secretário de Estado do Vaticano, D. Tarcisio Bertone, escrevia que «o Papa envia a sua bênção a todos aqueles que estão empenhados nas operações de socorro».
Lembramos que, ao sismo de magnitude 8,9 na escala de Richter, seguiu-se um tsunami com ondas de dez metros e várias réplicas do sismo que teve lugar a 179 quilómetros a leste de Sendai, na ilha de Honshu, e a 382 quilómetros a nordeste de Tóquio, capital do Japão.
Segundo últimas informações, este sismo pode ter feito mais de 1700 mortos. O Japão declarou o estado de emergência e várias equipas de socorro, provenientes de 45 países, estão prontas para ajudar.
N.R: Associamo-nos na tristeza e na oração.
CONTRIBUTO PENITENCIAL
Fundo Social Diocesano
Mais de uma dezena de dioceses católicas portuguesas vão canalizar, para fundos e instituições nacionais de apoio social, as verbas da renúncia quaresmal (contributo penitencial), prática em que os fiéis, abdicando de alguns dos seus bens, partilham com os mais necessitados, dando forma à penitência quaresmal na dimensão da caridade. Os montantes vão ser confiados ao Fundo Social Solidário (FSS) – constituído, em 2010, pela Conferência Episcopal Portuguesa - e a outras estruturas análogas geridas pelas dioceses. No que respeita à Diocese do Porto, na homilia de Quarta-Feira de Cinzas, o Sr. Bispo, D. Manuel Clemente disse a este propósito: “Como se tornou corrente, podeis encaminhar as vossas renúncias quaresmais para o Fundo Social Diocesano, ‘caixa comum’ para muitas necessidades, próximas ou distantes, que são apresentadas à Igreja do Porto…
domingo, 6 de março de 2011
QUARTA-FEIRA DE CINZAS
É o primeiro dia da Quaresma. As cinzas manifestam a fragilidade e transitoriedade da nossa vida, pela marca do pecado, e alertam para o desejo da conversão, da mudança de vida, acolhendo os apelos de Cristo à vivência radical do Evangelho.
Nas celebrações deste dia, aos fiéis é imposta cinza em sinal de arrependimento e de abandono à misericórdia de Deus. A quarta-feira de cinzas é dia de jejum e abstinência.
Na Igreja Matriz, a celebração será às 20,00 horas.
A QUARESMA NA PALAVRA DOS BISPOS
Eis-nos de novo na Quaresma que nos prepara e conduz à celebração da Páscoa da Ressurreição. É um tempo litúrgico muito precioso e importante para cuidar da qualidade da nossa vida espiritual; tempo especial de recolhimento e de oração para discernir a presença de Deus na nossa vida, para aferir a verdade e a autenticidade das nossas opções, dos nossos comportamentos, do nosso estilo de vida à luz da Palavra de Deus e dos desafios do nosso tempo.
Hoje corremos o risco de nos deixar seduzir pelo estilo consumista, na busca de um bem estar meramente material, que um autor descreve de modo acutilante: “O consumismo converteu-se na ‘nova religião’ do homem moderno. A meta absoluta consiste em possuir e gozar: eis a sua doutrina. Para isso é necessário trabalhar e ganhar dinheiro: eis a sua ética e os seus valores. As grandes superfícies são as novas catedrais: eis os seus lugares de culto. Os praticantes acodem à sua compra semanal: eis o preceito de fim-de-semana. Vivem com devoção intensa as grandes festas (Natal, Ano Novo, férias, casamentos, dia do pai, da mãe, dos namorados...)... Temos de tudo e carecemos de paz e de alegria interior” ( J. A. Pagola).
Neste horizonte cultural, o Santo Padre na sua mensagem de Quaresma convida-nos a reavivar – a viver de novo ou mais intensamente – a graça do nosso baptismo, a vida nova em Cristo, nestes termos: “deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo, no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo”.

Igreja, Casa da Fraternidade
Vivendo assim nesta Casa, onde aprendemos a ser família, que dialoga e exercita o dom da gratuidade e da fraternidade, estaremos mais sensíveis ao jejum, à esmola e à oração. Uma pedagogia que se adquire na captação do Amor profundo de Deus pela humanidade. Um itinerário tradicional refrescado pela Palavra de Deus de cada domingo que poderá ajudar as comunidades cristãs e os movimentos apostólicos da nossa Diocese a crescerem na adesão a Cristo e à gratuidade do Reino.
Nesta correspondência ao Evangelho, peço, por isso, que a Quaresma intensifique o nosso sentido de partilha e fraternidade em tempos de emergência social.(…)
Igreja, Casa do Amor Voluntário
A vida e morte de Cristo aponta-nos o caminho da doação e do seguimento incondicional de Deus-Pai. Neste Ano Europeu do Voluntariado recordo que a Palavra vivida leva à entrega de si no amor ao próximo e suscita a alegria de servir as comunidades e as pessoas mais vulneráveis da nossa sociedade, nomeadamente crianças, idosos e pessoas portadoras de incapacidade física e mental. Pessoas estas que necessitam da visita amiga, da água da samaritana e da presença transfiguradora do amor inesgotável de Deus no amor humano.
Na Casa, Páscoa Feliz para Todos!
Será portanto oportuno fazer de cada coração humano uma casa cheia de ternura, de amizade e esperança para anunciar que Cristo está vivo e sempre pronto a libertar-nos da nossa auto-suficiência abrindo-nos ao amor do Pai e à reconciliação com os irmãos.
Caminhemos na Esperança rumo ao domingo de Páscoa, que anuncia a vitória de Cristo sobre a morte e a abertura de caminhos novos de justiça e de paz no mundo. Façamos com que a Boa-Nova do Reino ecoe até aos confins da terra e permaneça firme em nós a esperança do Ressuscitado. Seguindo a Cristo, façamos da nossa existência, e da Igreja, uma autêntica e renovada Casa habitada pela Palavra.
Na mensagem da Quaresma deste ano, o Santo Padre convida-nos a viver a Quaresma, ao ritmo de cada domingo, na descoberta da graça, das possibilidades e dos desafios do nosso baptismo de tal modo que na Vigília Pascal renovemos com verdade as promessas baptismais e, tendo morrido com Jesus pelo Baptismo, com Ele ressuscitemos para uma vida nova (cf. Col 2,12.)
Aproveitai, ajudados pela mensagem do Santo Padre, cada domingo da quaresma para entrar mais profundamente nos diversos aspectos da graça que o baptismo dá e para criar o bom hábito de colocar o domingo no centro da semana, de tal modo que, durante a semana, se viva de harmonia com o mistério celebrado no domingo anterior e que, ao mesmo tempo, em cada dia da semana se prepare o novo encontro com Jesus Ressuscitado na Eucaristia do domingo seguinte.
Em ordem a esta caminhada e exercitação para as Festas Pascais a Igreja indica-nos ainda os exercícios do jejum, da oração e da esmola. São exercícios, se bem-feitos, capazes de nos ajudar a abrir o coração ao Amor de Deus e ao próximo, vencendo o perigo duma vida sem Deus, encerrada n egoísmo mortal e insensível aos sofrimentos de nossos irmãos. Realizai-os bem, em quantidade e qualidade, porque têm capacidade de nos identificar com Jesus Cristo.
A Quaresma sempre foi um tempo forte de escuta e de meditação da Palavra de Deus, que alimenta a nossa oração e nos orienta no emaranhado da existência quotidiana. Escuta e meditação da Palavra, que nos deve levar à leitura assídua e ao estudo aturado da Bíblia, bem como ao aprofundamento da Doutrina Social da Igreja, que é a aplicação do Evangelho de Jesus à situação concreta da vida.Não é possível construir uma sociedade mais justa e fraterna, sem ter em atenção os critérios e as directrizes da Doutrina Social da Igreja, que rejeita, tanto o Capitalismo de Estado, como o Liberalismo selvagem. Na Doutrina Social da Igreja, há dois pilares essenciais: primado da pessoa humana e promoção do bem comum, que é por definição o bem de todos. Destes dois pilares derivam os princípios da solidariedade e da subsidiariedade. A aplicação destes dois princípios exige a vivência destas duas virtudes: justiça e caridade. Não se pode dar por caridade o que é devido por justiça. E não há verdadeira justiça sem a gratuidade do amor.






