O projecto viria a realizar-se a partir de S. Patrício. Para beneficiar da experiência de outra Con-gregação franciscana já consolidada, em Fevereiro de 1870 o Padre Beirão enviou a Irmã Maria Clara mais três companheiras do Recolhimento a fazer o noviciado nas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, no norte da França, onde professou a 14 de Abril de 1871. Regressada de imediato a Portugal, o Padre Beirão, logo no dia 3 de Maio, empossou-a como superiora e mestra de noviças das recolhidas capuchinhas que aderiram à reforma da sua agremiação. Foi o momento fundacional da nova Congregação. O instituto recém-criado foi aprova-do pelo Governador Civil de Lisboa, por alvará de 22 de Maio de 1874, com a designação de Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus, mas somente como «associação de beneficiência». Não era possível outra forma de reconhecimento pela autoridade civil pois as congregações religiosas estavam proibidas em Portugal desde 1834. O passo seguinte foi a aprovação pontifícia da Congregação pelo Papa Pio IX a 27 de Março de 1876. O novo estatuto canónico garantia segurança institucional à jovem comunidade religiosa. Por iniciativa do Padre Beirão, a Irmã Maria Clara assumiu a responsabilidade da mesma como Superiora Geral em cerimónia familiar realizada a 3 de Maio de 1876, quinto aniversário da fundação. Tinha 33 anos. As irmãs começaram a chamar-lhe Fundadora e a dar-lhe, na intimidade, o nome de Mãe Clara. Dois anos depois, a 13 de Julho de 1878, o Padre Beirão faleceu. A sua inspiração esteve sempre presente no modo como a Irmã Maria Clara dirigiu a Congregação até à morte, ocorrida a 1 de Dezembro de 1899. A memória litúrgica desta beata portuguesa far-se-á a 1 de Dezembro.
PALAVRA COM SENTIDO
“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)
O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…
sexta-feira, 27 de maio de 2011
BEATIFICAÇÃO DA FUNDADORA DAS IRMÃS FRANCISCANAS HOSPITALEIRAS DA IMACULADA CONCEIÇÃO
O projecto viria a realizar-se a partir de S. Patrício. Para beneficiar da experiência de outra Con-gregação franciscana já consolidada, em Fevereiro de 1870 o Padre Beirão enviou a Irmã Maria Clara mais três companheiras do Recolhimento a fazer o noviciado nas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras e Mestras de Calais, no norte da França, onde professou a 14 de Abril de 1871. Regressada de imediato a Portugal, o Padre Beirão, logo no dia 3 de Maio, empossou-a como superiora e mestra de noviças das recolhidas capuchinhas que aderiram à reforma da sua agremiação. Foi o momento fundacional da nova Congregação. O instituto recém-criado foi aprova-do pelo Governador Civil de Lisboa, por alvará de 22 de Maio de 1874, com a designação de Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus, mas somente como «associação de beneficiência». Não era possível outra forma de reconhecimento pela autoridade civil pois as congregações religiosas estavam proibidas em Portugal desde 1834. O passo seguinte foi a aprovação pontifícia da Congregação pelo Papa Pio IX a 27 de Março de 1876. O novo estatuto canónico garantia segurança institucional à jovem comunidade religiosa. Por iniciativa do Padre Beirão, a Irmã Maria Clara assumiu a responsabilidade da mesma como Superiora Geral em cerimónia familiar realizada a 3 de Maio de 1876, quinto aniversário da fundação. Tinha 33 anos. As irmãs começaram a chamar-lhe Fundadora e a dar-lhe, na intimidade, o nome de Mãe Clara. Dois anos depois, a 13 de Julho de 1878, o Padre Beirão faleceu. A sua inspiração esteve sempre presente no modo como a Irmã Maria Clara dirigiu a Congregação até à morte, ocorrida a 1 de Dezembro de 1899. A memória litúrgica desta beata portuguesa far-se-á a 1 de Dezembro.
PALAVRA DO PAPA
Durante a oração do Angelus, em Roma, no dia 22 de Maio
“O Evangelho do Domingo de hoje, o Quinto de Páscoa, propõe um duplo mandamento da fé: crer em Deus e crer em Jesus. O Senhor, de facto, diz aos seus discípulos: “Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1). Não são dados separados, mas um único acto de fé, a plena adesão à salvação realizada por Deus Pai, mediante o seu Filho Unigénito. O Novo Testamento pôs fim à invisibilidade do Pai. Deus mostrou o seu rosto, como confirma a resposta de Jesus ao apóstolo Felipe: “Aquele que me viu, viu também o Pai (Jo 14, 9). O Filho de Deus, com a sua encarnação, morte e ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado, para nos dar a liberdade de filhos de Deus, e revelou-nos o rosto de Deus, que é amor: Deus pode ser visto, é visível em Cristo. Santa Teresa de Ávila escreveu que “não devemos afastar-nos do que constitui todo o nosso bem e o nosso remédio, quer dizer, da santíssima humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Portanto, só crendo em Cristo, permanecendo unidos a Ele, os discípulos, entre os quais estamos nós, podem continuar a sua acção permanente na história: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço (Jo 14, 12).
A fé em Jesus implica segui-lo quotidianamente, nas simples acções que compõem a nossa jornada. “É próprio do mistério de Deus actuar de modo oculto. Só pouco a pouco Ele constrói na grande história da humanidade a sua história. Faz-se homem mas de maneira que possa ser ignorado pelos seus contemporâneos, pelas forças que contam na história. Sofre e morre e, como Ressuscitado, quer chegar à humanidade só através da fé dos seus, a quem se manifesta. Continuamente Ele bate às portas do nosso coração e, se abrimos, pouco a pouco, torna-nos capazes de O ‘ver’. Santo Agostinho afirma: “era necessário que Jesus dissesse: ‘eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14, 6), porque, uma vez conhecido o caminho, faltava conhecer a meta” e a meta é o Pai. Para os cristãos, para cada um de nós, portanto, o Caminho para o Pai é deixar-se guiar por Jesus, pela sua palavra de Verdade, e acolher o dom da sua Vida. Façamos nosso o convite de São Boaventura: “Abre, portanto, os olhos; tem um ouvido espiritual; abre os teus lábios e dispõe o teu coração, para que possas, em todas as criaturas, ver, escutar, louvar, amar, venerar, glorificar, honrar o teu Deus”.
PARA REZAR
“EM FÁTIMA RENASCE A ESPERANÇA”
O responsável dos Assuntos Económicos da Santa Sé, Cardeal Velasio de Paolis, esteve em Fátima e presidiu à oração do Terço, da Procissão e da Eucaristia, no contexto da peregrinação da Família Scalabriniana a Fátima. Segundo informação da Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, Dom Velasio esteve acompanhado por um grupo de 300 peregrinos que, com ele, celebravam os 40 anos de missão dos Scalabrinianos, em Portugal. Das palavras proferidas nesta ocasião, destacamos: “…A exclusão de Deus do horizonte humano colocará a humanidade em risco de colapso…O homem deixado às suas próprias forças fica refém da sua solidão e dos seus medos …O mundo deixado à exclusiva possibilidade humana conhecerá rapidamente o perigo e entrará em risco de colapso. Para escapar desse risco, os fiéis devem apegar-se a Nossa Senhora, que tem para com a humanidade um amor maternal que a impele a tomar conta de nós. Fátima tornou-se lugar da sua presença privilegiada, com a qual manifesta ao mundo o seu amor de mãe, reaviva em cada um de nós a fé e a esperança que nos abrem, de modo cada vez mais novo, o amor para com Deus e para com os pobres. Em Fátima, todos somos melhores e mais humanos. Em Fátima, renasce a esperança e o vale de lágrimas, que tantas vezes é a nossa vida, conhece uma nova Primavera. Em Fátima renasce a alegria e a paz. Nossa Senhora de Fátima repete-nos sempre as palavras de Jesus, que nos indicam o caminho para superar os nossos receios e os nossos medos. Também nós, como os discípulos de Jesus, temos os nossos medos e perturbações, dos quais a crise económica e social, que atravessa Portugal de modo particular e a Europa de modo geral, é um sinal…Apesar disso, algumas palavras ressoam hoje de modo muito especial: “Não se perturbe o vosso coração”. Estas palavras chegam-nos, também, através de Nossa Senhora, a Mãe de Jesus, que quis fazer-se presente neste lugar para dissipar, em nome do seu filho, todos os nossos medos”.



