- sobre a unidade dos cristãos, na Festa da Conversão de São Paulo
“Às vezes temos a impressão de que o caminho para a plena restauração da comunhão é ainda muito longo e cheio de obstáculos, mas, apesar disso, eu convido todos a renovar a sua determinação para procurar com coragem e generosidade a unidade que é a vontade de Deus… Diante de dificuldades de todos o tipo, São Paulo sempre manteve uma forte confiança em Deus, que leva a sua obra ao seu cumprimento…Nesta jornada, há sinais positivos de um renovado sentido de fraternidade e de um sentimento compartilhado de responsabilidade para com os grandes problemas que afligem o nosso mundo …A conversão de Paulo não é o resultado de uma longa reflexão interior, nem fruto de esforço pessoal. Foi antes de tudo pela graça de Deus, que agiu de acordo com os seus caminhos inescrutáveis …Por isso é que Paulo escreveu em Gálatas: "Já não vivo eu, mas é Cristo quem vive em mim, e esta vida, que eu vivo na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus que me amou e se entregou por mim" (Gal 2,20). A transformação de Paulo não se limita ao âmbito ético, tal como a conversão da imoralidade à moralidade, nem ao plano intelectual, como uma mudança na maneira de compreender a realidade, mas, antes, é uma renovação radical do próprio ser, similar, em muitos aspectos, a um renascimento…À medida que elevamos a nossa oração, temos a confiança de ser transformados e conformados à imagem de Cristo, o que é especialmente verdadeiro na oração pela unidade dos cristãos…Mesmo experimentando a situação actual de dolorosa divisão, nós, cristãos, podemos e devemos olhar para o futuro com esperança, porque a presença de Cristo ressuscitado chama todos os cristãos a agir em conjunto pela causa do bem. Unidos em Cristo, somos chamados a partilhar da sua missão, que é a de levar esperança até onde dominam a injustiça, o ódio e o desespero… A espera pela unidade visível da Igreja deve ser paciente e confiante; a atitude de espera paciente não significa passividade ou resignação, mas uma resposta pronta e alerta para qualquer possibilidade de comunhão e de fraternidade que o Senhor nos dá…Tudo é motivo de grande esperança e alegria, e deve encorajar-nos a continuar o nosso compromisso de alcançar a linha de chegada juntos, sabendo que o nosso trabalho não é vão, no Senhor (cf. 1 Cor 15,58 )"(cf. Zenit)
