PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PALAVRAS DO PAPA


- aos peregrinos de língua portuguesa, na Praça de São Pedro, em 8 de Fevereiro


“ Pregado na cruz, Jesus lança este grito: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» No momento extremo da sua rejeição pelos homens, Ele reza, deixando transparecer tanto a solidão do seu coração como a certeza da presença do Pai, a quem reafirma plena adesão aos seus desígnios de salvação da humanidade. Mas, como é possível que Deus não intervenha para libertar o seu Filho desta prova terrível? É importante compreender que a oração de Jesus não é o grito de um desesperado, que se sente abandonado. Mas, ao rezar um salmo de Israel - as palavras referidas são o início do salmo 22 - Jesus toma sobre Si o sofrimento do seu povo e de todos os homens oprimidos pelo mal e leva-o até ao próprio coração de Deus, seguro de que o seu grito será atendido na ressurreição. Enfim, Jesus vive o seu sofrimento em comunhão connosco e por nós; é um sofrimento que brota do amor e, por isso, já contém em si a redenção, a vitória do amor (…) Com a sua ressurreição, Cristo abriu a estrada para além da morte; temos a estrada desimpedida até ao Céu. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Pai celeste, e testemunhar a todos a sua bondade e misericórdia!..” ( cf. Rádio Vaticano )

- Oração do Angelus, na audiência geral do dia 12 de Fevereiro, na Praça de São Pedro

“No Domingo passado vimos como Jesus, na sua vida pública, curou muitos doentes, revelando que Deus quer a vida para homem, a vida em plenitude. O Evangelho deste Domingo mostra-nos Jesus em contacto com uma doença considerada, naquele tempo, a mais grave, quer por tornar a pessoa “impura”, quer por a excluir das relações sociais: falamos da lepra. Uma legislação especial ( cf. Lv 13-14 ) reservava aos sacerdotes a responsabilidade de declarar a pessoa leprosa, isto é, impura; também era da competência do sacerdote constatar a cura e readmitir o doente curado na vida normal. Quando Jesus andava a pregar pelas aldeias da Galileia, um leproso aproximou-se d’Ele e disse: “Se quiseres, podes curar-me”. Jesus não recusa o contacto com aquele homem mas, pelo contrário, movido por uma íntima solidariedade com a sua condi-ção, estende a mão, toca-o – superando a imposição legal – e diz-lhe: “Quero; fica purificado!” Naquele gesto e naquelas palavras de Cristo está toda a história da Salvação; está incarnada a vontade de Deus de nos curar, de nos purificar do mal que nos desfigura e que destrói as nossas relações. Naquele contacto entre as mãos de Jesus e o leproso, foram abatidas todas as barreiras entre Deus e a ‘impureza’ humana, entre o Sagrado e o seu oposto não, certamente, para negar o mal e a sua força negativa, mas para demonstrar que o amor de Deus é mais forte do que todo o mal, mesmo o mais contagioso e horrível. Jesus tomou sobre si as nossas enfermidades; fez-se “leproso” para que nós fôssemos purificados. (… ) Eis a vitória de Cristo: a nossa cura profun-da e a nossa ressurreição para uma vida nova (…)”