BEATOS FRANCISCO E JACINTA MARTO
Francisco nasceu em Aljustrel, Fátima, no dia 11 de Junho de 1908, e a sua irmã, Jacinta, nasceu na mesma localidade, no dia 11 de Março de 1910, filhos de Manuel Pedro Marto e de sua mulher Olímpia de Jesus dos Santos. Na sua humilde família, aprenderam a conhecer e a louvar a Deus e a Virgem Maria. Em 1916, viram três vezes um Anjo e, em 1917, seis vezes a Santíssima Virgem que os exortavam a rezar e a fazer penitência pela remissão dos pecados, para obter a conversão dos pecadores e a paz para o mundo. Na sequência das aparições, os dois irmãos ficaram muito chocados com a visão do Inferno, durante a terceira aparição (Julho de 1917). Profundamente marcados pela triste sorte dos pecadores, na sua simplicidade, decidem responder ao apelo da Virgem Maria e fazer penitência e sacrifícios pela conversão dos pecado-res. De acordo com as memórias de Lúcia, Francisco era um rapaz muito dado, calmo; gostava de música, mostrando habilidade para tocar pífaro. Sendo muito independente nas opiniões era, no entanto, pacificador e mostrava-se muito respeitoso para com as outras pessoas. Conta a sua prima que até os animais não escapavam à sua caridade. Francisco passou a preferir rezar sozinho. Marcado pelas palavras de Nossa Senhora para "que não ofendam mais a Deus", ele retirava-se na solidão "para consolar Jesus pelos pecados do mundo".
Jacinta era uma criança afectiva; muito afável e emocionalmente frágil.
As duas crianças – juntamente com a sua prima Lúcia - praticavam mortificações e penitências. É possível que prolongados jejuns os tenham enfraquecido ao ponto de terem sucumbido à epidemia do vírus “influenza” que varreu a Europa, em 1918, em consequência da Primeira Guerra Mundial. A 23 de Dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram ao mesmo tempo. Indo visitá-los, Lúcia encontrou Jacinta no auge da alegria. Na sua Primeira Memória, Lúcia conta: "Um dia mandou-me chamar: que fosse junto dela depressa. Lá fui, correndo. – Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito; que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria e por amor de Jesus. Perguntei se tu ias comigo. Disse que não. Isto é o que me custa mais. Disse que ia minha mãe levar-me e, depois, fico lá sozinha! Em fins de Dezembro de 1919, de novo a Santíssima Virgem se dignou visitar a Jacinta, para lhe anunciar novas cruzes e sacrifícios. Deu-me a notícia e dizia-me: – Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem os meus pais; que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela buscar para o Céu. Durante a sua permanência de 18 dias no hospital em Lisboa, Jacinta foi favorecida com novas visitas de Nossa Senhora, que lhe anunciou o dia e a hora em que haveria de morrer. Quatro dias antes de a levar para o Céu, a Santíssima Virgem tirou-lhe todas as dores. Nas vésperas da sua morte, alguém lhe perguntou se queria ver a mãe, ao que ela respondeu: - A minha família dura-rá pouco tempo e em breve se encontrarão no Céu… Nossa Senhora aparecerá outra vez, mas não a mim, porque com certeza morro, como Ela me disse".
Francisco adoeceu vítima de pneumonia e faleceu na casa da sua família, no dia 4 de Abril de 1919. Jacinta, que sofria de pleurisia e não podia ser anestesiada devido à má condição do seu coração, foi assistida em vários hospitais, acabando por sucumbir, no dia 20 de Fevereiro de 1920, no Hospital D. Estefânia, em Lisboa.
Foram beatificados pelo Papa João Paulo II, no dia 13 de Maio de 2000, tornando-se as duas primeiras crianças não mártires a serem beatificadas.
A sua memória litúrgica faz-se no dia 20 de Fevereiro.
