- aos sócios do Círculo de São Pedro
“ … Há pouco, demos início ao caminho quaresmal e, como recordei na minha recente Mensagem, este Tempo litúrgico convida-nos a meditar sobre o âmago da vida cristã: a caridade. A Quaresma é um tempo propício para que, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, nos renovemos na fé e no amor, quer a nível pessoal, quer a nível comunitário. Trata-se de um percurso caracterizado pela oração e pela partilha, pelo silêncio e pelo jejum, à espera de viver o júbilo pascal. A Carta aos Hebreus exorta-nos com estas palavras: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos reciprocamente na caridade e nas boas obras» (Hb 10, 24). (… ) O testemunho da caridade toca de modo particular o coração dos homens; a nova evangelização exige grande abertura de espírito e disponibilidade sábia em relação a todos. Neste sentido, insere-se bem a rede de intervenções assistenciais que vós realizais, todos os dias, a favor de quantos se encontram em necessidade. Apraz-me recordar a obra generosa que levais a cabo (…) assim como o testemunho silencioso, mas mais eloquente do que nunca, que ofereceis a favor dos doentes e dos seus familiares…
Sabemos que a autenticidade da nossa fidelidade ao Evangelho se verifica, também, com base na atenção e na solicitude concreta que nos esforçamos por manifestar em relação ao próximo, especialmente pelos mais frágeis e marginalizados. A atenção ao próximo exige que se deseje o seu bem, sob todos os aspectos: físico, moral e espiritual. Embora a cultura contemporânea dê a impressão de ter perdido o sentido do bem e do mal, é preciso reiterar vigorosamente que o bem existe e vence. Então, a responsabilidade pelo próximo significa querer e fazer o bem ao outro, desejando que ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão significa abrir os olhos para as suas necessidades, ultrapassando a dureza de coração que nos torna cegos aos sofrimentos dos outros. Assim, o serviço caritativo torna-se uma forma privilegiada de evangelização, à luz do ensinamento de Jesus, que considerará como feito a si mesmo aquilo que tivermos feito aos nossos irmãos, especialmente a quantos, entre eles, forem pequeninos e esquecidos (cfr. Mt 25, 40). É necessário harmonizar o nosso coração com o Coração de Cristo, a fim de que o apoio amoroso oferecido ao próximo se traduza em participação e partilha consciente dos seus sofrimentos e das suas esperanças, tornando deste modo visível, por um lado a misericórdia infinita de Deus por todos os homens, a qual brilha na Face de Cristo, e por outro a nossa fé n’Ele. O encontro com o outro e o abrir o coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança…”
