SÃO JOÃO DE DEUS
João Cidade, filho de André Cidade e de sua mulher Teresa Duarte, nasceu na cidade de Mon-temor-o-Novo, no dia 8 de Março de 1495. Com oito anos de idade, juntamente com um clérigo que pernoitou em sua casa, foi para Espanha e fixou-se em Oropesa (Toledo), ao serviço da família de Francisco Cid Maioral, que se dedicava à criação de gado. João foi pastor durante quase vinte anos. Por duas vezes saiu de Oropesa e ambas para integrar contingentes militares. Em 1523, deslocou-se até à fronteira com a França, em Fuenterrabía. Nesta experiência, porém, não se saiu muito bem e chegou a estar condenado a morte. Regressou a Oropesa, vencido. Em 1532, seguiu para Viena (Áustria) para combater contra os Turcos. E já não voltaria mais a Oropesa. Ao regressar de Viena, de barco, entrou em Espanha pela Galiza; visitou o santuário de Santiago de Compostela e resolveu regressar à sua terra natal, Montemor-o-Novo. Aí, teve a notícia da morte dos pais. Sem mais família, voltou para Espanha. Ficou alguns meses em Sevilha; depois rumou a Ceuta e Gibraltar; finalmente, fixou-se em Granada, onde se estabeleceu como livreiro. Vendia livros de cavalaria, mas também de conteúdo e caráter religioso, pelos quais cobrava mais barato. Em 1537, no dia 20 de Janeiro, escutando o sermão de S. João de Ávila, na festa de São Sebastião, sentiu-se profundamente tocado: passando por uma crise de conversão, saiu do eremitério aos gritos, dizendo-se grande pecador, atirando-se ao chão e ferindo-se com pedras. Enlouquecido, destruiu a sua livraria… Este comportamento repetiu-se durante vários dias, de tal forma que foi dado como louco e internado no Hospital Real de Granada. Após alguns meses de dura experiência, no hospital - marcado pela brutalidade com que os doentes eram tratados - sentiu-se curado e completamente sereno. Tendo deixado o hospital, decidiu dedicar-se à assistência dos doentes e dos pobres, cuidando-os com mais humanidade do que aquela com que foi tratado no hospital. Escolheu como guia espiritual S. João de Ávila. Foi em peregrinação ao Santuário da Virgem de Guadalupe, onde aproveitou para aprender algumas técnicas de cuidados básicos de saúde, na escola de medicina dos monges, e no regresso, passou por Baeza, onde permaneceu com o seu Mestre durante algum tempo. Voltou novamente a Granada, onde iniciou a sua actividade de ajuda aos pobres, doentes e necessitados. Na cidade, todos pensavam que se tratava de uma nova forma de loucura. Mas, aos poucos, compreenderam a sua verdadeira sensatez. Trabalhava, pedia esmolas, recolhia os pobres, dedicava-se a eles… De início, sozinho; depois, progressivamente, uniram-se a ele outras pessoas, voluntários, benfeitores e os primeiros discípulos. Era muito original a maneira como pedia esmola, utilizando a expressão: “Irmãos, fazei o bem a vós mesmos, ajudando os pobres”. Foi pioneiro na história da humanidade ao separar os doentes por patologia e ao dar um leito a cada paciente.
Foi um profeta da caridade. Aos 43 anos vivia na cidade de Granada. Tocado por Deus e pela situação de abandono e marginalização em que viviam os pobres e os doentes, operou uma mudança radical na sua vida. Da compaixão passou à acção: consciente de que todos eram seus irmãos, passou a viver para todos os que precisavam: "chagados, tolhidos, incuráveis, feridos, desamparados, tinhosos, loucos, prostitutas, mendigos, andarilhos, órfãos, pobres envergonhados... “Todos, aqui, têm um lugar" dizia João numa das suas cartas.
Por volta do ano 1539, fundou um hospital, na Rua Lucena, bem diferente dos existentes, inovador para a época, ao qual deu o nome de "Casa de Deus", já que em cada paciente via o próprio Cristo. Nesta casa eram acolhidas todas as pessoas, sem distinção. Com a colaboração de alguns companheiros, organizou a assistência conforme considerava que os pobres mereciam. O povo, vendo nele tanta bondade, começou a chamá-lo João de Deus. O Bispo de Tuy, vendo que era verdade o que sobre João diziam, mudou-lhe o nome de João Cidade para João de Deus. Á maneira dos profetas e com uma postura de não-violência, denunciou as injustiças sociais, desmandos morais e a desumanização dos cuidados nos hospitais. Foi voz para os fracos e excluídos no meio de uma sociedade marcada pelo egoísmo, fanatismo religioso e muitas injustiças. João Cidade -“João de Deus”- faleceu no dia 8 de Março de 1550, na Casa dos Pisas, em Grana-da, Espanha. O seu estilo atraiu muitos discípulos. Estes, ajudados por muitos outros, continuaram e ainda continuam o seu trabalho. Fundaram outros hospitais, embarcaram em muitas missões. Em 1572, o Papa reconheceu-os como Instituto Religioso para o carisma da Hospitalidade, considerando que, "era a flor que faltava no jardim da Igreja". Hoje, os Irmãos de São João de Deus estão presentes nos cinco continentes, em 50 países, com cerca de 300 obras apostólicas. São João de Deus é o patrono dos doentes, dos hospitais e dos enfermeiros. São João de Deus foi beatificado pelo Papa Urbano VIII, em 28 de Outubro de 1630, e canonizado, em 16 de Outubro de 1690, pelo Papa Alexandre VIII.
A sua festa celebra-se no dia 8 de Março.
