- na homilia da Missa da Ceia do Senhor – Quinta-Feira Santa
“…Evocar e receber a Ceia do Senhor não pode ser para nenhum de nós algo de ocasional ou periférico, antes requer coerência de vida e totalidade de entrega, a Deus e aos outros: receber dignamente a Cristo, para O comunicar correcta e diligentemente aos outros. Estamos em Eucaristia e na Última Ceia que a assinalou. Acto pessoalíssimo de Cristo, que assim mesmo resumiu a sua vida como entrega, ao Pai e a nós, ao Pai por nós todos. Esta é a aliança, insubstituível porque total, em que n’ Ele somos refeitos, como filhos de Deus e oferta ao mundo. Nós mesmos, essenciais e sempre; não alguma coisa ou certos momentos, mas integrais e plenos, duma vez por todas. - O mundo que Cristo salva pela oferta de si, espera-nos agora como sinais vivos dessa oferta em nós! Espera, ansiosamente espera, incluindo-se aqui o que podemos considerar a dimensão social da Eucaristia, hoje particularmente requerida. Já o escreveu Bento XVI, com grande persuasão: “… as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n’Ele a fazer-se ‘pão repartido’ para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplicação dos pães e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os seus discípulos a empenharem-se pessoalmente: ‘Dai-lhes vós de comer’ (Mt 14, 16). Na verdade, a vocação de cada um de nós consiste em ser, unido a Jesus, pão repartido para a vida do mundo” (Sacramentum Caritatis, 88)…”
