- na homilia da missa de 15 de Agosto de 2012
“…O que é que a Assunção de Maria ensina ao nosso caminho, à nossa vida? A primeira resposta é: na Assunção vemos que, em Deus, há espaço para o homem; o próprio Deus é a casa com muitas moradas da qual fala Jesus (Jo 14, 2). O próprio Deus é a casa do homem, em Deus há espaço de Deus. E Maria, unindo-se a Deus, não se distancia de nós, não vai para uma galáxia desconhecida; mas, quem vai a Deus, aproxima-se, porque Deus está perto de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, está muito perto de nós, de cada um de nós. Há uma bela palavra de São Gregório Magno sobre São Bento que podemos aplicar, também, a Maria: São Gregório Magno diz que o coração de São Bento tornou-se tão grande que toda a criação podia entrar neste coração. Isso vale ainda mais para Maria: Maria, unida totalmente a Deus, tem um coração tão grande que toda a criação pode entrar neste coração. Os testemunhos, em todas as partes da terra, o demonstram. Maria está perto, pode escutar, pode ajudar: está perto de todos nós. Em Deus, há espaço para o homem, e Deus está perto, e Maria, unida a Deus, está muito perto, tem um coração alargado como o coração de Deus. Mas, há ainda outro aspecto: não só em Deus há espaço para o homem mas, também, no homem há espaço para Deus. Também vemos isso em Maria: Maria é a Arca Santa que transporta a presença de Deus. Em nós, há espaço para Deus e esta presença de Deus em nós – tão importante para iluminar o mundo na sua tristeza, nos seus problemas – realiza-se na fé: na fé, abrimos as portas do nosso ser para que Deus entre em nós, para que Deus possa ser a força que dá vida e caminho ao nosso ser. Em nós, há espaço para Deus…Vamos abrir-nos, como Maria se abriu, dizendo: “Seja feita a Tua vontade; eu sou a serva do Senhor”. Abrindo-nos a Deus, não perdemos nada. Pelo contrário: nossa vida torna-se rica e grande. E assim, fé, esperança e amor se combinam. Hoje, dizem-se muitas coisas sobre o mundo melhor que esperamos: é sinal da nossa esperança. Quando é que vai chegar este mundo melhor, não o sabemos; eu não sei. A verdade é que um mundo que se afaste de Deus não se torna melhor, mas pior. Só a presença de Deus pode garantir um mundo bom. Mas deixemos isso. Uma coisa é certa: Deus espera-nos, aguarda-nos; não caminhamos no vazio, somos esperados. Deus espera-nos e, no céu, encontraremos a bondade da Mãe, encontraremos os nossos, encontraremos o Amor eterno. Deus espera-nos: esta é a grande alegria e a grande esperança que nasce exactamente da festa da Assunção de Maria. Maria visita-nos: é a alegria da nossa vida e é a esperança da alegria…”
