SANTA BEATRIZ DA SILVA
Beatriz de Menezes da Silva
nasceu em Ceuta, em 1424, quando esta cidade pertencia a Portugal. Possuía
descendência real hispano-portuguesa e pertencia à mais alta nobreza da corte. Beatriz
era filha de D. Rui Gomes da Silva, alcaide da vila fronteiriça de Campo Maior,
e de D. Isabel de Menezes, Condessa de Portalegre, filha de D. Pedro de
Menezes, conde de Vila Real; assim, por via materna, descendia não só dessa
casa senhorial, como também das dos condes de Ourém e Barcelos, linhagens
antiquíssimas que tinham no Rei D. Sancho I de Portugal o seu remoto
antepassado. Era, ainda, irmã do frade franciscano Beato Amadeu da Silva. Como condessa
costumava subir com muita frequência ao monte Hacho, com a finalidade de
venerar Nossa Senhora da África pois, desde a mais tenra idade, nutria uma
grande veneração e amor pela Imaculada Conceição. Tinha 10 anos quando o seu
pai, cumprido o serviço militar em Ceuta, regressou a Portugal. No ano de 1447,
deixou o solar da família Ruiz de Silva e Meneses, em Campo Maior, com a
finalidade de acompanhar, na qualidade de dama de honra, a princesa Isabel de
Portugal, que partiu para Castela a fim de contrair matrimónio com o rei daquela
nação, João II de Castela. A corte de Castela não tinha, na altura, uma
residência fixa, variando conforme as circunstâncias. Às vezes residia em
Madrigal de Altas Torres, onde viria a nascer a princesa Isabel, a Católica;
outras vezes residia em Tordesilhas. Tudo dependia da necessidade daquele
ambiente cortesão, onde imperava um clima rodeado de receios e intrigas.
Beatriz da Silva era uma jovem de deslumbrante beleza. Apesar de possuir sangue
real, era uma donzela cheia de jovialidade, gostava de rir e cantar e excedia
todas as demais do seu tempo em formosura e gentileza. Isto fez com que a
própria Beatriz se desse conta de que, a sua rara beleza, passara a ser motivo de
constantes rivalidades entre os seus apaixonados pretendentes. Muitos condes e
duques estavam decididos a pedir a sua mão em casamento, dando origem a
acaloradas disputas. Beatriz refugiava-se no silêncio e na oração. Diante desta
incómoda circunstância, chegou a dizer que trocaria a sua aparência pela da
mulher mais feia do mundo. Pela sua extrema piedade, não tardou que o poder do
mal lançasse contra ela os seus furores. Surgiram boatos maldosos que colocavam
em dúvida a sua virtude. Por causa desses boatos, a própria rainha, Isabel de
Portugal, começou a deixar-se levar por ideias fantasiosas, desconfiando da
fidelidade conjugal do Rei, que poderia deixar-se levar pela formosura de Beatriz
e pela sua "má índole" que mentes maliciosas, caluniosamente, haviam
propagado. Cega de ciúmes e de cólera, a rainha decidiu investir contra ela de
maneira violenta. Um dia, fez-se acompanhar por Beatriz até a um sótão escuro e
atirou-a para dentro de um grande cofre, fechando-o à chave. Dias depois,
abriu-o, esperando encontrar um cadáver, mas Beatriz estava viva e de perfeita
saúde. Este cofre encontra-se preservado, ainda hoje, no convento de Santa
Clara, em Tordesilhas. Beatriz, então, decidiu fugir das intrigas da corte de
Castela. Dirigiu-se para Toledo e foi aceite no Mosteiro de São Domingos. Não
abraçou a vida monástica mas, durante cerca de 30 anos, seguiu o mesmo estilo
de vida das monjas. Nessa época, a nova rainha, Isabel a Católica, visitava
Beatriz, com alguma frequência. Tinha por ela uma grande admiração. Por isso,
concedeu-lhe os palácios de Galiana e o Mosteiro de Santa fé. Foi neste
mosteiro que Beatriz entrou com doze religiosas, depois de 30 anos de espera.
Aqui fundou uma Ordem de monjas contemplativas a que deu o nome de Ordem da
Imaculada Conceição, também conhecida como das Irmãs Concepcionistas. A
congregação expandiu-se rapidamente quer na Europa quer na América. Esta
congregação alcançou, em 1489, uma primeira aprovação papal através da bula
‘Inter Universa’, do Papa Inocêncio VIII; mas só após a morte de Beatriz
(1492), a Ordem da Imaculada Conceição obteria a bula fundacional ‘Ad Statum
Prosperum’, no ano de 1511, com a assinatura do Papa Júlio II. Algum tempo
depois, Beatriz ficou gravemente doente. No leito da morte, recebeu o hábito e
pronunciou os votos, como madre Fundadora da Ordem. No momento da sua morte, há
um pormenor que não pode ser esquecido. Desde que saíra da Corte de
Tordesilhas, Beatriz cobria o seu belíssimo rosto com um véu branco a fim de
ocultar, aos olhos de todos, a sua grande beleza, que fora causa de tantos
desgostos e dissabores. No momento derradeiro, ao levantarem-lhe o véu para lhe
ser administrado o sacramento da Unção dos Enfermos, todos viram, com assombro,
que, do seu rosto, saiam raios de luz que iluminaram todo o aposento em que se
encontravam, e uma estrela luminosa fixou-se-lhe na testa e ali permaneceu até
que soltou o último suspiro. Por este motivo, a figura da Santa Beatriz da
Silva é representada, nas imagens e nas pinturas, com uma estrela na testa. Morreu
no dia 9 de Agosto de 1492. Foi declarada Beata pelo Papa Pio XI, a 28 de Julho
de 1926. Foi declarada santa - canonizada - a 3 de Outubro de 1976, pelo Papa
Paulo VI. A festa litúrgica de Santa Beatriz da Silva celebra-se a 1 de
Setembro.
