PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 31 de Outubro, em Roma.

“…Hoje gostaria de dar outro passo na nossa reflexão, começando, mais uma vez, por algumas perguntas: a fé tem um carácter somente pessoal, individual? Interessa somente à minha pessoa? Vivo a minha fé sozinho? Vejamos: O acto de fé é um acto eminentemente pessoal, que vem do íntimo mais profundo e sinaliza uma troca de direcção, uma conversão pessoal: é a minha existência que recebe uma mudança, uma orientação nova. Na Liturgia do Baptismo, no momento das promessas, o celebrante pede para manifestar a fé católica e formula três perguntas: crês em Deus, Pai omnipotente? Crês em Jesus Cristo, seu único Filho? Crês no Espírito Santo? Antigamente, estas perguntas eram feitas pessoalmente àqueles quem iam receber o Baptismo, antes que imergissem, por três vezes, na água. E, também hoje, a resposta é no singular: ‘Creio”. Mas, este meu crer não é resultado de uma reflexão minha, solitária; não é o produto de um pensamento meu, mas é fruto de uma relação, de um diálogo, no qual há um escutar, um receber e um responder; é o comunicar com Jesus que me faz sair do meu “eu”, fechado em mim mesmo, para abrir-me ao amor de Deus Pai. É como um renascimento no qual me descubro unido não somente a Jesus, mas também a todos aqueles que caminharam e caminham pela mesma via; e este novo nascimento, que inicia com o Baptismo, continua ao longo de todo o percurso da existência. Não posso construir a minha fé pessoal num diálogo privado com Jesus, porque a fé é-me dada por Deus através de uma comunidade que crê, que é a Igreja, e me insere, assim, na multidão dos crentes, numa comunhão que não é somente sociológica, mas enraizada no amor eterno de Deus que, em Si mesmo, é comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo; é Amor trinitário. A nossa fé é realmente pessoal na medida em que for também comunitária: a “minha” fé só existe e tem sentido se for vivida e testemunhada no “nós” da Igreja; a “minha” fé só é verdadeira fé católica se for expressão da fé comum da única Igreja…” ( Zenit )