PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 16 de dezembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na oração do Angelus, dia 9 de Dezembro, na Praça de São Pedro, em Roma.

“…No tempo do Advento, a liturgia realça, de modo particular, duas figuras que preparam a vinda do Messias: a Virgem Maria e João Baptista. Hoje, São Lucas apresenta-nos este último e fá-lo com características diferentes das dos outros Evangelistas. “Todos os quatro Evangelhos colocam, no início do ministério de Jesus, a figura de João Baptista e apresentam-no como o Seu precursor. Contudo, São Lucas privilegia a conexão entre as duas figuras e as suas respectivas missões [...] Já na concepção e no nascimento, Jesus e João colocaram-se em relação entre si” (A infância de Jesus, 23). Essa configuração ajuda a entender que João, enquanto filho de Zacarias e Isabel - ambos de famílias sacerdotais - não é apenas o último dos profetas, mas representa também todo o sacerdócio da Antiga Aliança e, por isso, prepara os homens para o culto espiritual da Nova Aliança, inaugurado por Jesus (cf. ibid. 27-28). Lucas também afasta qualquer leitura mítica que, às vezes, é feita dos Evangelhos e situa historicamente a vida do Baptista: "No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador [...] e quando eram sumos-sacerdotes Anás e Caifás” (Lc 3, 1-2). Dentro deste quadro histórico, encontra-se o verdadeiro grande acontecimento - o nascimento de Cristo – que os seus contemporâneos não vão perceber. Para Deus, os grandes homens da história formam o pano de fundo para os pequenos! João Baptista define-se como a “voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Lc 3, 4). A voz proclama a palavra, mas, neste caso, a Palavra de Deus é anterior, por que é ela mesma que desce sobre João, Filho de Zacarias, no deserto (cf. Lc 3, 2). Ele desempenha um grande papel, mas sempre em relação a Cristo. Santo Agostinho comenta: "João é a voz. Do Senhor, ao contrário, diz-se: "No princípio era o Verbo" (João 1, 1). João é a voz que passa, Cristo é o Verbo eterno, que existia no princípio. Se tiras a voz da palavra, o que é que resta? Um som fraco. A voz sem palavra atinge o ouvido, mas não edifica o coração” (Sermão 293, 3). O nosso objectivo é dar, hoje, ouvidos à essa voz para dar espaço e acolher no coração a Jesus, Palavra que nos salva. Neste Tempo de Advento, preparemo-nos para ver, com os olhos da fé, na humilde gruta de Belém, a salvação de Deus (cf. Lc 3, 6). Na sociedade de consumo, em que se busca a alegria nas coisas, o Baptista ensina-nos a viver de uma forma essencial, para que o Natal seja vivido não só como uma festa exterior, mas como a festa do Filho de Deus que veio para trazer aos homens a paz, a vida e a alegria verdadeira. À materna intercessão de Maria, Virgem do Advento, confiamos o nosso caminho de encontro com o Senhor que vem, para estarmos prontos para acolher, no coração e em toda a vida, o Emanuel, o Deus-connosco…”