PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 4 de março de 2012

DIA NACIONAL DA CARITAS: 11 de MARÇO


- da nota pastoral para o dia nacional Caritas 2012

“ … A Igreja, em Portugal, celebra todos os anos, no III Domingo da Quaresma, o Dia Cáritas como tempo de reflexão e de compromisso dos cristãos e das suas comunidades. Para tal é proposto um tema destinado a formar consciências e a motivar para as exigências da caridade. Nestes tempos de perplexidade e de alteração do paradigma social dominante, somos convidados a reflectir e a concretizar essa reflexão em gestos de partilha, sob o lema: «edificar o bem comum: tarefa de todos e de cada um». A Quaresma torna-se deste modo um período onde procuramos reconhecer que «a disponibilidade para Deus abre à disponibilidade para os irmãos e para uma vida entendida como tarefa solidária e jubilosa» (Caritas in Veritate, 78). (…)O crescente desemprego gera e agrava ambientes amargos nas famílias e na sociedade; o isolamento dos idosos conduz à solidão extrema na própria morte; e muitas famílias de todas as idades, particularmente as suas crianças, não conseguem prover às suas necessidades básicas. De tudo isto resultam graves situações de desencanto e de ruptura verdadeiramente alarmantes. Em tal encruzilhada, sem saída à vista, somos interpelados a optar por um caminho diferente do passado, optando claramente pelo bem comum, sem perdermos de vista o destino universal dos bens do mundo. (…)Ninguém é estranho na vida do cristão e muitos problemas deixariam de existir se as respostas acontecessem em termos de proximidade, talvez no silêncio da caridade verdadeira, e com pequenos gestos de que todos são capazes …”
( D. Jorge Ortiga, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade )

QUARESMA 2012 : A PALAVRA DO PAPA


- “ A palavra de Jesus: "convertei-vos e acreditai no evangelho" (Mc 1,15) é um convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias as nossas vidas à Sua vontade, orientando, para o bem, todas as nossas acções e pensamentos…O tempo da Quaresma é o momento propicio para renovar e tornar mais sólida a nossa relação com Deus, através da oração diária, dos gestos de penitencia, das obras de caridade fraterna…”


- “A transfiguração é um momento antecipado de luz que nos ajuda a encarar, com o olhar da fé, a paixão de Jesus. Esta é, sim, um mistério de sofrimento, mas é também a “bem-aventurada paixão”, porque é um mistério do extraordinário amor de Deus; é o êxodo definitivo que nos abre a porta para a liberdade e novidade da Ressurreição, da salvação do mal. Temos necessidade de salvação no nosso caminho quotidiano, pois ele está, muitas vezes, marcado também pelo mal”.

PARA REZAR


SALMO 116
Amo o Senhor,
porque ouviu a voz do meu lamento.
Ele inclinou para mim os seus ouvidos,
no dia em que o invoquei.

Cercaram-me os laços da morte,
caíram sobre mim as angústias do sepulcro;
estava aflito e cheio de ansiedade,
mas invoquei o nome do Senhor:
«Ó Senhor, salva-me a vida!»

O Senhor é bondoso e compassivo,
o nosso Deus é misericordioso.
O Senhor guarda os simples;
eu estava sem forças e Ele salvou-me.

Volta, minha alma, ao teu repouso,
porque o Senhor foi bom para contigo.
Ele livrou da morte a minha vida,
das lágrimas, os meus olhos,
da queda, os meus pés.

Andarei na presença do Senhor,
no mundo dos vivos.
Eu tinha confiança, mesmo quando disse:
«A minha aflição é muito grande!»
Na minha perturbação, eu dizia:
«Todo o homem é mentiroso!»

Como retribuirei ao Senhor
todos os seus benefícios para comigo?
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor.

Cumprirei as minhas promessas feitas ao Senhor
na presença de todo o seu povo.
É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.

Senhor, sou teu servo, filho da tua serva;
quebraste as minhas cadeias.
Hei-de oferecer-te sacrifícios de louvor,
invocando, Senhor, o teu nome.

Cumprirei as minhas promessas feitas ao Senhor
na presença de todo o seu povo,
nos átrios da casa do Senhor,
no meio de ti, Jerusalém!

SANTOS POPULARES


SÃO JOÃO DE DEUS

João Cidade, filho de André Cidade e de sua mulher Teresa Duarte, nasceu na cidade de Mon-temor-o-Novo, no dia 8 de Março de 1495. Com oito anos de idade, juntamente com um clérigo que pernoitou em sua casa, foi para Espanha e fixou-se em Oropesa (Toledo), ao serviço da família de Francisco Cid Maioral, que se dedicava à criação de gado. João foi pastor durante quase vinte anos. Por duas vezes saiu de Oropesa e ambas para integrar contingentes militares. Em 1523, deslocou-se até à fronteira com a França, em Fuenterrabía. Nesta experiência, porém, não se saiu muito bem e chegou a estar condenado a morte. Regressou a Oropesa, vencido. Em 1532, seguiu para Viena (Áustria) para combater contra os Turcos. E já não voltaria mais a Oropesa. Ao regressar de Viena, de barco, entrou em Espanha pela Galiza; visitou o santuário de Santiago de Compostela e resolveu regressar à sua terra natal, Montemor-o-Novo. Aí, teve a notícia da morte dos pais. Sem mais família, voltou para Espanha. Ficou alguns meses em Sevilha; depois rumou a Ceuta e Gibraltar; finalmente, fixou-se em Granada, onde se estabeleceu como livreiro. Vendia livros de cavalaria, mas também de conteúdo e caráter religioso, pelos quais cobrava mais barato. Em 1537, no dia 20 de Janeiro, escutando o sermão de S. João de Ávila, na festa de São Sebastião, sentiu-se profundamente tocado: passando por uma crise de conversão, saiu do eremitério aos gritos, dizendo-se grande pecador, atirando-se ao chão e ferindo-se com pedras. Enlouquecido, destruiu a sua livraria… Este comportamento repetiu-se durante vários dias, de tal forma que foi dado como louco e internado no Hospital Real de Granada. Após alguns meses de dura experiência, no hospital - marcado pela brutalidade com que os doentes eram tratados - sentiu-se curado e completamente sereno. Tendo deixado o hospital, decidiu dedicar-se à assistência dos doentes e dos pobres, cuidando-os com mais humanidade do que aquela com que foi tratado no hospital. Escolheu como guia espiritual S. João de Ávila. Foi em peregrinação ao Santuário da Virgem de Guadalupe, onde aproveitou para aprender algumas técnicas de cuidados básicos de saúde, na escola de medicina dos monges, e no regresso, passou por Baeza, onde permaneceu com o seu Mestre durante algum tempo. Voltou novamente a Granada, onde iniciou a sua actividade de ajuda aos pobres, doentes e necessitados. Na cidade, todos pensavam que se tratava de uma nova forma de loucura. Mas, aos poucos, compreenderam a sua verdadeira sensatez. Trabalhava, pedia esmolas, recolhia os pobres, dedicava-se a eles… De início, sozinho; depois, progressivamente, uniram-se a ele outras pessoas, voluntários, benfeitores e os primeiros discípulos. Era muito original a maneira como pedia esmola, utilizando a expressão: “Irmãos, fazei o bem a vós mesmos, ajudando os pobres”. Foi pioneiro na história da humanidade ao separar os doentes por patologia e ao dar um leito a cada paciente.
Foi um profeta da caridade. Aos 43 anos vivia na cidade de Granada. Tocado por Deus e pela situação de abandono e marginalização em que viviam os pobres e os doentes, operou uma mudança radical na sua vida. Da compaixão passou à acção: consciente de que todos eram seus irmãos, passou a viver para todos os que precisavam: "chagados, tolhidos, incuráveis, feridos, desamparados, tinhosos, loucos, prostitutas, mendigos, andarilhos, órfãos, pobres envergonhados... “Todos, aqui, têm um lugar" dizia João numa das suas cartas.
Por volta do ano 1539, fundou um hospital, na Rua Lucena, bem diferente dos existentes, inovador para a época, ao qual deu o nome de "Casa de Deus", já que em cada paciente via o próprio Cristo. Nesta casa eram acolhidas todas as pessoas, sem distinção. Com a colaboração de alguns companheiros, organizou a assistência conforme considerava que os pobres mereciam. O povo, vendo nele tanta bondade, começou a chamá-lo João de Deus. O Bispo de Tuy, vendo que era verdade o que sobre João diziam, mudou-lhe o nome de João Cidade para João de Deus. Á maneira dos profetas e com uma postura de não-violência, denunciou as injustiças sociais, desmandos morais e a desumanização dos cuidados nos hospitais. Foi voz para os fracos e excluídos no meio de uma sociedade marcada pelo egoísmo, fanatismo religioso e muitas injustiças. João Cidade -“João de Deus”- faleceu no dia 8 de Março de 1550, na Casa dos Pisas, em Grana-da, Espanha. O seu estilo atraiu muitos discípulos. Estes, ajudados por muitos outros, continuaram e ainda continuam o seu trabalho. Fundaram outros hospitais, embarcaram em muitas missões. Em 1572, o Papa reconheceu-os como Instituto Religioso para o carisma da Hospitalidade, considerando que, "era a flor que faltava no jardim da Igreja". Hoje, os Irmãos de São João de Deus estão presentes nos cinco continentes, em 50 países, com cerca de 300 obras apostólicas. São João de Deus é o patrono dos doentes, dos hospitais e dos enfermeiros. São João de Deus foi beatificado pelo Papa Urbano VIII, em 28 de Outubro de 1630, e canonizado, em 16 de Outubro de 1690, pelo Papa Alexandre VIII.
A sua festa celebra-se no dia 8 de Março.