PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 8 de abril de 2012

PÁSCOA DO SENHOR


MENSAGEM DO PÁROCO



Senhor Jesus Ressuscitado: a festa da Tua Páscoa enche-nos de paz e de alegria. Queremos acolher-Te no nosso coração e receber-Te na nossa casa, para que a bênção da Tua presença nos conforte e nos proteja. Na alegria do Teu amor, pedimos-Te perdão porque, tantas vezes, não escutámos a Tua voz nem seguimos os Teus ensinamentos.
Neste mundo de dor, a Tua cruz traz-nos coragem e chama-nos à fidelidade. Na vitória do Teu calvário, descobrimos a força que nos renova e nos dá vida.
Queremos seguir os Teus passos… Caminhar contigo é harmonia… Carregar a cruz contigo é fortaleza. Morrer contigo é esperança… Ressuscitar contigo é VIDA…

Uma santa e feliz Páscoa
P. Eleutério Pais

PALAVRA DO PAPA


- na homilia da Missa na Ceia do Senhor – Quinta-Feira Santa

“… Devemos debruçar-nos sobre o conteúdo da oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Jesus diz: «Pai, tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres» (Mc 14, 36). A vontade natural do Homem Jesus recua, assustada, perante uma realidade tão monstruosa; pede que isso Lhe seja poupado. Todavia, enquanto Filho, depõe esta vontade humana na vontade do Pai: não Eu, mas Tu. E assim Ele transformou a atitude de Adão, o pecado primordial do homem, curando deste modo o homem. A atitude de Adão fora: Não o que quiseste Tu, ó Deus; eu mesmo quero ser deus. Esta soberba é a verdadeira essência do pecado. Pensamos que só poderemos ser livres e verdadeiramente nós mesmos, se seguirmos exclusivamente a nossa vontade. Vemos Deus como contrário à nossa liberdade. Devemos libertar-nos d’Ele – isto é todo o nosso pensar –; só então seremos livres. Tal é a rebelião fundamental, que permeia a história, e a mentira de fundo que desnatura a nossa vida. Quando o homem se põe contra Deus, põe-se contra a sua própria verdade e, por conseguinte, não fica livre mas alienado de si mesmo. Só somos livres, se permanecermos na nossa verdade, se estivermos unidos a Deus. Então tornamo-nos verdadeiramente «como Deus»; mas não opondo-nos a Deus, desfazendo-nos d’Ele ou negando-O. Na luta da oração no Monte das Oliveiras, Jesus desfez a falsa contradição entre obediência e liberdade, e abriu o caminho para a liberdade. Peçamos ao Senhor que nos introduza neste «sim» à vontade de Deus, tornando-nos deste modo verdadeiramente livres…”



- no termo da Via-Sacra, em Roma, junto do Coliseu, na Sexta-Feira Santa
“…A experiência do sofrimento marca a humanidade e, naturalmente, a família. Quantas vezes o caminho torna-se cansativo e difícil! Incompreensões, divisões, preocupação com o futuro dos filhos, doenças, incómodos de vários tipos. Para além disso, a situação de muitas famílias vê-se agravada, hoje em dia, pela precariedade do emprego e outras consequências negativas provo-cadas pela crise económica. O caminho da Via-Sacra, que acabamos de percorrer espiritualmente nesta noite, é um convite feito a todos nós, e de modo especial às famílias, para contemplar-mos Cristo crucificado a fim de termos a força para ultrapassar as dificuldades. A Cruz de Jesus é o sinal supremo do amor de Deus por cada homem, a resposta superabundante à necessidade que toda a pessoa sente de ser amada. Quando passarmos pela prova, quando as nossas famílias enfrentarem o sofrimento, a tribulação, olhemos para a Cruz de Cristo! Nela encontraremos a coragem para prosseguir o caminho, podendo repetir, com firme esperança, estas palavras de São Paulo: «Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas, em tudo isso, somos mais que vencedores graças Àquele que nos amou!» (Rm 8, 35.37).
Nas tribulações e dificuldades, não estamos sozinhos; não está sozinha a família: Jesus está presente com o seu amor, sustenta-a com a sua graça e dá-lhe a força para prosseguir, enfrentando os sacrifícios e superando qualquer obstáculo. E, quando os desvarios humanos e outras dificuldades põem em risco e ferem a unidade da nossa vida e da nossa família, é para o amor de Cristo que devemos voltar-nos. O mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo encoraja-nos a continuar com esperança. Se forem vividos com Cristo, com fé n’Ele, os dias de tribulação e de prova trazem já dentro de si a luz da ressurreição, a vida nova do mundo ressuscitado, a páscoa de todo o homem que crê na sua Palavra.
Naquele Homem crucificado que é o Filho de Deus, mesmo a própria morte ganha novo significado e orientação; é resgatada e vencida; torna-se passagem para a nova vida: «Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, continua só um grão de trigo; mas, se morrer, então produz muito fruto» (Jo 12, 24). Confiemo-nos à Mãe de Cristo. Ela que acompanhou o seu Filho ao longo da via dolorosa; Ela que esteve aos pés da Cruz na hora da sua morte; Ela que encorajou a Igreja, desde o seu nascimento, a viver na presença do Senhor, conduza os nossos corações, os corações de todas as famílias, através do vasto mysterium passsionis rumo ao mysterium pas-chale, rumo à luz que irrompe da Ressurreição de Cristo e manifesta a vitória definitiva do amor, da alegria e da vida, sobre o mal, o sofrimento e a morte. Amém.”

PALAVRAS DO BISPO DO PORTO


- na homilia da Missa da Ceia do Senhor – Quinta-Feira Santa


“…Evocar e receber a Ceia do Senhor não pode ser para nenhum de nós algo de ocasional ou periférico, antes requer coerência de vida e totalidade de entrega, a Deus e aos outros: receber dignamente a Cristo, para O comunicar correcta e diligentemente aos outros. Estamos em Eucaristia e na Última Ceia que a assinalou. Acto pessoalíssimo de Cristo, que assim mesmo resumiu a sua vida como entrega, ao Pai e a nós, ao Pai por nós todos. Esta é a aliança, insubstituível porque total, em que n’ Ele somos refeitos, como filhos de Deus e oferta ao mundo. Nós mesmos, essenciais e sempre; não alguma coisa ou certos momentos, mas integrais e plenos, duma vez por todas. - O mundo que Cristo salva pela oferta de si, espera-nos agora como sinais vivos dessa oferta em nós! Espera, ansiosamente espera, incluindo-se aqui o que podemos considerar a dimensão social da Eucaristia, hoje particularmente requerida. Já o escreveu Bento XVI, com grande persuasão: “… as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n’Ele a fazer-se ‘pão repartido’ para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplicação dos pães e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os seus discípulos a empenharem-se pessoalmente: ‘Dai-lhes vós de comer’ (Mt 14, 16). Na verdade, a vocação de cada um de nós consiste em ser, unido a Jesus, pão repartido para a vida do mundo” (Sacramentum Caritatis, 88)…”

RECORDANDO


"Regina Coeli"

(oração do meio dia, no Tempo Pascal)

V. Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
R. Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso seio, Aleluia!

V. Ressuscitou como disse, Aleluia!
R. Rogai por nós a Deus, Aleluia!

V. Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
R. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!

Oremos.
Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos - pela protecção da Virgem Maria, Sua Mãe - a glória da vida eterna. Pelo mesmo Cristo Nosso Senhor. Amém

PARA REZAR


- II hino de Laudes – Tempo pascal


Vós que testemunhastes a alegria
De ver Cristo Jesus ressuscitado,
Anunciai que já nasceu o dia
Em que o homem é salvo do pecado.

Levai a grande festa ao mundo inteiro,
Proclamai às nações a Boa-Nova.
Em Cristo, Deus e Homem verdadeiro,
A velha humanidade se renova.

Chegam, enfim, os tempos gloriosos,
Exultam sobre a terra os altos montes,
Brilham no céu os astros jubilosos,
Cantam as águas nas alegres fontes.

Cristo ressuscitou, venceu a morte.
O seu corpo se envolve em luz divina.
Eis o Sol da esperança, eis o Deus forte
Que nos liberta e que nos ilumina.

A nova criação hoje começa;
Jamais triunfará o vil pecado.
O Senhor nos cumpriu sua Promessa
No sangue do Cordeiro imaculado.