PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SOLENIDADE DE JESUS CRISTO, REI E SENHOR DO UNIVERSO



No último Domingo do ano litúrgico, a Igreja celebra a festa de Cristo Rei. É uma das festas mais importantes no calendário católico, pois nela celebramos Cristo, Rei do universo. O Seu reino não é deste mundo, mas começa a construir-se aqui, na nossa realidade de todos os dias: reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz. Esta festa foi estabelecida pelo Papa Pio XI, em 11 de Março de 1925. O Papa queria motivar os católicos para darem público testemunho de Jesus, centro da vida da Igreja e centro da história universal. O Papa Bento XVI disse, na oração do Angelus, no dia 30 de Novembro de 2005: “…Hoje, último domingo do Ano litúrgico, celebra-se a solenidade de Cristo Rei do universo. Desde o anúncio do seu nascimento, o Filho unigénito do Pai, que nasceu da Virgem Maria, é definido "rei" no sentido messiânico, ou seja, herdeiro do trono de David, segundo as promessas dos profetas, para um reino que não terá fim (cf. Lc 1, 32-33). A realeza de Cristo permaneceu totalmente escondida, até aos seus trinta anos, transcorridos numa existência comum em Nazaré. Depois, durante a vida pública, Jesus inaugurou o novo Reino, que "não é deste mundo" (Jo 18, 36) e no final realizou-o plenamente com a Sua morte e ressurreição. Ao aparecer ressuscitado aos Apóstolos, disse: "Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra" (Mt 28, 18): esta autoridade brota do amor, que Deus manifestou plenamente no sacrifício do seu Filho. O Reino de Cristo é dom oferecido aos homens de todos os tempos, para que todo aquele que acredita no Verbo encarnado "não morra, mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 16). Por isso, precisamente no último Livro da Bíblia, o Apocalipse, Ele proclama: "Eu sou o Alfa e o Ómega, o princípio e o fim" (Ap 22, 13). "Cristo Alfa e Ómega", assim se intitula o parágrafo que conclui a primeira parte da Constituição pastoral Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, promulgada há quarenta anos. Naquela bela página, que retoma algumas palavras do servo de Deus o Papa Paulo VI, lemos: "O Senhor é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do género humano, a alegria de todos os corações e a plenitude das suas aspirações". E assim continua: "Vivificados e reunidos no seu Espírito, caminhamos em direcção à perfeição final da história humana, que corresponde plenamente ao seu desígnio de amor: "recapitular todas as coisas em Cristo, tanto as do céu como as da terra" (Ef 1, 10)…"

PALAVRAS DO PAPA



- na Audiência geral, no dia 21 de Novembro, em Roma.

“…Continuamos a avançar neste Ano da Fé carregando no coração a esperança de redescobrir a grande alegria que existe no acto de acreditar, bem como a esperança de reencontrar o entusiasmo para comunicar, a todos, as verdades da fé. Verdades que não são uma simples mensagem sobre Deus, uma informação a seu respeito. Verdades que expressam o acontecimento extraordinário do encontro de Deus com os homens, encontro salvífico e libertador, que realiza as aspirações mais profundas do homem, o seu anseio de paz, fraternidade e amor. A fé leva-nos a descobrir que o encontro com Deus melhora, aperfeiçoa e eleva o que há de verdadeiro, de bom e de belo no homem. Acontece que, enquanto Deus se revela e se deixa conhecer, o homem vem a saber quem é Deus e, conhecendo-o, descobre-se a si mesmo, a sua origem, o seu destino, a grandeza e a dignidade da vida humana. A fé permite um conhecimento autêntico de Deus, que envolve toda a pessoa: é um saber no sentido latino de "sàpere" [degustar], um conhecimento que dá “sabor” à vida, um novo sabor de existir, uma maneira alegre de estar no mundo. A fé exprime-se no dom de si mesmo aos outros, na fraternidade que nos torna solidários, capazes de amar, vencedores da solidão que nos deixa tristes. Esse conhecimento de Deus através da fé não é só intelectual, mas vital. É o conhecimento do Deus-Amor, graças ao seu próprio amor. O amor de Deus mostra-nos, abre- nos os olhos, permite-nos conhecer toda a realidade, indo além das perspectivas estreitas do individualismo e do subjetivismo, que desorientam as consciências. O conhecimento de Deus é uma experiência de fé que implica, ao mesmo tempo, um caminho intelectual e moral: profundamente tocados pela presença do Espírito de Jesus em nós, superamos os horizontes do nosso egoísmo e abrimo-nos aos verdadeiros valores da existência…”

 

ANO DA FÉ



PARA REZAR

HINO DE VÉSPERAS I, SOLENIDADE DE CRISTO REI

Senhor do mundo e Rei dos corações,
A Vós louvor e glória eternamente!

Cristo, Filho Unigénito do Pai,
Seu esplendor, sua perfeita imagem,
Por Vós e para Vós tudo foi feito,
Sois o centro da história e do universo.

Deus de Deus, Luz de Luz, Verbo Divino,
Triunfador da morte e do pecado,
Ao vosso nome todos se ajoelham
Nas alturas, na terra e nos abismos.

Cruz é vosso trono verdadeiro,
Morrendo conquistastes nossas almas,
Reinais na santidade e na justiça,
Reinais no amor, na paz e na verdade.

Rei dos séculos, Príncipe da paz,
É vosso reino toda a Igreja santa,
Alimentai-nos com o vosso Corpo
E levai-nos ao Reino prometido.

SANTOS POPULARES



SANTO ELÓI

Elói (ou Elígio) nasceu na cidade de Chaptelat, perto de Limoges, em 588, na França.
Os seus pais, de origem franco-italiana, eram modestos camponeses cristãos, com princípios rígidos de honestidade e lealdade. Cuidaram de transmitir estes valores, com eficiência, ao seu filho. Com sabedoria e muito sacrifício, fizeram questão que ele estudasse, pois a sua única herança seria ter uma profissão. Por isso, ainda jovem, Elói começou a frequentar a escola de ourives de Limoges que era a mais conceituada da Europa daquela época e muito respeitada, ainda hoje. Quando concluiu a formação profissional, no grau de mestre, já era muito conhecido pela sua competência, integridade e honestidade. Tinha uma alma de monge e de artista, dedicando muito tempo ao silêncio, à contemplação e esmerava-se na perfeição do seu trabalho que encantava a todos. Fugia dos gastos com jogos e diversões; muito do que ganhava repartia com os pobres. Levava uma vida simples, austera e de muita oração. Por isso, os seus conterrâneos deram-lhe o apelido de "o Monge". A sua fama de honestidade profissional e simplicidade de vida chegou à Corte e aos ouvidos do rei Clotário II, em Paris. O rei decidiu contratar Elói para lhe fazer um trono de ouro e lhe deu a quantidade de metal que julgava ser suficiente. Mas, com aquela quantidade, Elói fez dois tronos e entregou-os ao rei. Admirado com a honestidade do artista, o rei convidou-o para ser guardião e administrador do tesouro real. Então, Elói foi residir na Corte, em Paris. Assumiu estes cargos e também o de mestre dos ourives do rei. Permaneceu nestes cargos mesmo depois da morte do soberano. Quando o herdeiro real, Dagoberto II, assumiu o trono, quis manter Elói na corte como seu colaborador, pois tinha por ele uma grande estima. Então, porque confiava nas suas capacidades e virtudes, nomeou-o seu conselheiro e seu embaixador. Elói, no exercício da sua profissão, realizou obras de arte importantes: o túmulo de São Martinho de Tours, o mausoléu de São Dionísio em Paris, o cálice de Cheles e outros trabalhos artísticos de cunho religioso. Mas, acima de tudo, Elói era um homem profundamente religioso. Nunca lhe faltou tempo e inspiração para as suas grandes obras de caridade, nem arte para se dedicar ao próximo, especialmente aos pobres e abandonados. O dinheiro que recebia pelos trabalhos na Corte, usava-o para resgatar prisioneiros de guerra; fundar e reconstruir mosteiros, masculinos e femininos; construir igrejas e para contribuir para o bem-estar espiritual e material dos mais necessitados. Em 639, o rei Dagoberto II morreu. Elói, então, deixou a Corte e entrou para a vida religiosa. Dois anos depois, foi consagrado bispo de Noyon, na região da Flandres. Como bispo, dedicou-se empenhadamente na evangelização e reevangelização do norte da França, da Holanda e da Alemanha, onde se tornou um dos protagonistas e se revelou um grande e zeloso pastor ao serviço da Igreja de Cristo. Durante os últimos dezanove anos da sua vida, o Bispo Elói viveu na pobreza e na piedade. Foi um incansável exemplo de humildade, de caridade e de mortificação. Antes dele, a região da sua diocese estava entregue ao paganismo e à idolatria. Com as suas pregações e as visitas que, frequentemente, fazia a todas as paróquias, o povo foi- se convertendo até que, um dia, todos estavam baptizados. Santo Elói morreu no dia 1 de Dezembro de 660, na Holanda, durante uma missão evangelizadora. A história da sua vida e da sua santidade espalhou-se rapidamente por toda a França, Itália, Holanda e Alemanha, graças ao seu amigo, bispo Aldoeno, que escreveu a sua biografia. A Igreja declarou-o santo e autorizou o seu culto, um dos mais antigos da cristandade. Santo Elói é o padroeiro dos joalheiros, dos ourives, dos cuteleiros, dos ferreiros, dos garagistas e dos metalúrgicos. Na Igreja Matriz de Santa Maria da Feira, há uma imagem de Santo Elói. Os “frades lóios” eram também conhecidos por “frades de Santo Elói”. A sua memória litúrgica faz-se no dia 1 de Dezembro.