PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

domingo, 16 de dezembro de 2012

PALAVRAS DO PAPA



- na oração do Angelus, dia 9 de Dezembro, na Praça de São Pedro, em Roma.

“…No tempo do Advento, a liturgia realça, de modo particular, duas figuras que preparam a vinda do Messias: a Virgem Maria e João Baptista. Hoje, São Lucas apresenta-nos este último e fá-lo com características diferentes das dos outros Evangelistas. “Todos os quatro Evangelhos colocam, no início do ministério de Jesus, a figura de João Baptista e apresentam-no como o Seu precursor. Contudo, São Lucas privilegia a conexão entre as duas figuras e as suas respectivas missões [...] Já na concepção e no nascimento, Jesus e João colocaram-se em relação entre si” (A infância de Jesus, 23). Essa configuração ajuda a entender que João, enquanto filho de Zacarias e Isabel - ambos de famílias sacerdotais - não é apenas o último dos profetas, mas representa também todo o sacerdócio da Antiga Aliança e, por isso, prepara os homens para o culto espiritual da Nova Aliança, inaugurado por Jesus (cf. ibid. 27-28). Lucas também afasta qualquer leitura mítica que, às vezes, é feita dos Evangelhos e situa historicamente a vida do Baptista: "No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador [...] e quando eram sumos-sacerdotes Anás e Caifás” (Lc 3, 1-2). Dentro deste quadro histórico, encontra-se o verdadeiro grande acontecimento - o nascimento de Cristo – que os seus contemporâneos não vão perceber. Para Deus, os grandes homens da história formam o pano de fundo para os pequenos! João Baptista define-se como a “voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas" (Lc 3, 4). A voz proclama a palavra, mas, neste caso, a Palavra de Deus é anterior, por que é ela mesma que desce sobre João, Filho de Zacarias, no deserto (cf. Lc 3, 2). Ele desempenha um grande papel, mas sempre em relação a Cristo. Santo Agostinho comenta: "João é a voz. Do Senhor, ao contrário, diz-se: "No princípio era o Verbo" (João 1, 1). João é a voz que passa, Cristo é o Verbo eterno, que existia no princípio. Se tiras a voz da palavra, o que é que resta? Um som fraco. A voz sem palavra atinge o ouvido, mas não edifica o coração” (Sermão 293, 3). O nosso objectivo é dar, hoje, ouvidos à essa voz para dar espaço e acolher no coração a Jesus, Palavra que nos salva. Neste Tempo de Advento, preparemo-nos para ver, com os olhos da fé, na humilde gruta de Belém, a salvação de Deus (cf. Lc 3, 6). Na sociedade de consumo, em que se busca a alegria nas coisas, o Baptista ensina-nos a viver de uma forma essencial, para que o Natal seja vivido não só como uma festa exterior, mas como a festa do Filho de Deus que veio para trazer aos homens a paz, a vida e a alegria verdadeira. À materna intercessão de Maria, Virgem do Advento, confiamos o nosso caminho de encontro com o Senhor que vem, para estarmos prontos para acolher, no coração e em toda a vida, o Emanuel, o Deus-connosco…”

 

ANO DA FÉ



MENSAGEM DE NATAL
da Conferência Episcopal Portuguesa

Neste tempo de Natal, queremos levar a cada um dos nossos concidadãos, especialmente aos cristãos das nossas dioceses, uma mensagem de solidariedade e de esperança. Celebramos o nascimento de Cristo, Deus infinito que Se fez um de nós, assumindo todas as vicissitudes dos seres humanos. Nasceu numa gruta da periferia de Belém, pois Maria e José não conseguiram encontrar uma casa na cidade para os acolher. O presente clima social não sugere muito «Boas Festas». Escasseiam empregos e bens materiais. É urgente estreitar os laços da família e dos vários círculos de relações e solidariedades; é fundamental comunicarmos com Deus, que em Jesus se torna o mais próximo dos nossos próximos. Contemplar o mistério da encarnação de Jesus é acolher o pobre, como nos recorda a Mensagem enviada pelo recente Sínodo dos Bispos: «Nas nossas comunidades, deve dar-se um lugar privilegiado aos pobres, um lugar que não exclui ninguém, mas pretende ser um reflexo de como Jesus Se ligou a eles. A presença do pobre nas nossas comunidades é misteriosamente poderosa: muda as pessoas, mais do que um discurso; ensina fidelidade, permite compreender a fragilidade da vida, pede oração; em suma, leva a Cristo. O gesto da caridade, por sua vez, exige ser acompanhado pelo empenho em favor da justiça, com um apelo que a todos envolve, pobres e ricos» (n. 12). Só quem oferece Natal aos outros pode ter Natal para si. Que os gestos de entreajuda, solidariedade e partilha se multipliquem. A autêntica alegria das Boas Festas está na dádiva altruísta e generosa. Haverá Boas Festas se o outro for o centro das nossas atenções e serviços, vencendo confortos e rotinas egoístas, tal como Deus que fez de nós o seu centro, oferecendo se em pessoa no Jesus do Natal, em Belém.Haverá Boas Festas se soubermos presentear tempo, carinho e ofertas a pessoas que vivem sozinhas, a doentes, crianças ou idosos, e a obras de serviço social. Que a tradicional troca de prendas seja aproveitada para escolher ofertas que sejam ajuda para quem precisa. Haverá Boas Festas se deixarmos que Jesus nasça no melhor dos presépios, que é o nosso coração, e, neste Ano da Fé, aderirmos mais, de alma e coração, à pessoa de Jesus. Ele será a nossa força para «intensificar o testemunho de caridade» (Bento XVI, Porta Fidei, 14). Como recordou, também recentemente, o Santo Padre, falando a nossa língua, «a fé não é um peso, mas uma profunda alegria que transforma toda a vida» (2012.11.28). O Natal é também uma especial festa da família. Tudo o que possamos fazer para reforçar os laços familiares será humanamente louvável e agradável a Deus, que Se fez da nossa família pelo seu nascimento, nosso irmão universal. Em tempos de crise, mais essencial se torna a solidariedade familiar, o acolhimento e ajuda aos membros que passam por maiores dificuldades. Queremos fazer eco do cântico dos anjos na noite de Natal: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama», independentemente de culturas, ideologias e credos. A cada um de vós e às vossas famílias, desejamos um santo Natal. Fátima, 11 de dezembro de 2012
Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa

PARA REZAR




HINO DE ADVENTO

Não demoreis, ó Salvador do mundo,
Erguei-vos, ó divina Claridade;
Ó Sol do novo dia, Luz, Verdade,
Vencei da noite o sono tão profundo.

O vosso nascimento em nossa história
Transforme em alegria o sofrimento;
Chegue depressa o tão feliz momento
e contemplar a luz da vossa glória!

Olhai a humanidade pecadora,
Olhai as suas dores, seus pecados;
De tantos males somos esmagados!
Abri a vossa mão libertadora!

SANTOS POPULARES


SÃO PEDRO CANÍSIO
- da catequese do Papa Bento XVI, em 9 de Fevereiro de 2011

Hoje, gostaria de vos falar de Pedro Canísio, uma figura importante na Igreja Católica do século XVI. Nasceu no dia 8 de Maio de 1521, em Nijmegen, na Holanda. O seu pai era o Presidente da Câmara daquela cidade. Enquanto estudava na Universidade de Colónia, na Alemanha, visitava os monges cartuxos de Santa Bárbara - um centro dinamizador da vida católica – e contactava com outros homens piedosos que cultivavam a espiritualidade chamada devotio moderna. Entrou na Companhia de Jesus a 8 de Maio de 1543, em Mainz (Renânia-Palatinado), depois ter frequentado um curso de exercícios espirituais sob a supervisão do Beato Pedro Faber, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola. Foi ordenado sacerdote, em Junho 1546, em Colónia, e, no ano seguinte, esteve presente no Concílio de Trento, como teólogo do Bispo da Áustria, o cardeal Otto Truchsess von Waldburg, onde trabalhou com outros dois jesuitas, Diego Lainez e Alfonso Salmeron. Em 1548, Inácio de Loyola mandou-o para Roma, para completar a sua formação espiritual no Colégio de Messina, onde realizou humildes serviços domésticos. Em Bologna, obteve o doutoramento em teologia, no dia 4 de Outubro de 1549. Logo de seguida, foi enviado por Santo Inácio à Alemanha, para se dedicar ao apostolado. Em 2 de Setembro daquele ano, 1549, visitou o Papa Paulo III, em Castel Gandolfo. Depois disso, foi à Basílica de São Pedro para rezar. Aí, implorou a ajuda dos grandes apóstolos Pedro e Paulo, para que dessem uma eficácia permanente à bênção apostólica - que tinha recebido do Papa - para poder cumprir o desígnio de Deus e realizar plenamente a missão que lhe foi confiada. No seu diário, escreveu algumas das palavras da oração que fez: "Lá, senti um grande consolo e a presença da graça que me foram concedidos por meio desses intercessores (Pedro e Paulo). Eles confirmaram a minha missão na Alemanha e pareciam transmitir-me, como apóstolo da Alemanha, o apoio da sua benevolência. Senhor, tu conheces de que maneira e quantas vezes, nesse mesmo dia, me confiaste a Alemanha; quero cuidar dela e por ela desejo viver e morrer". Devemos lembrar que estamos na época da Reforma luterana, no momento em que a fé católica - nos países de língua germânica - diante do fascínio da Reforma, parecia estar a apagar-se. Era uma tarefa quase impossível para Pedro Canísio, responsável pela revitalização e pela renovação da fé católica nos países germânicos. Isso só seria possível com a força da oração; só seria possível apenas a partir de uma profunda amizade com Jesus Cristo; a partir da amizade com Cristo no seu Corpo, a Igreja, que é alimentada na Eucaristia, sua presença real. Fiel à missão que recebeu de Inácio e do Papa Paulo III, Pedro Canísio partiu para a Alemanha. Foi, em primeiro lugar, ao Ducado da Baviera, que durante muitos anos foi a sede do seu ministério. Como decano, reitor e vice-chanceler da Universidade de Ingolstadt, cuidou da vida acadêmica do Instituto e da reforma religiosa e moral do povo. Em Viena - onde, por um breve tempo, foi administrador da diocese - desenvolveu o seu ministério pastoral nos hospitais e nas prisões, tanto na cidade como no campo, e preparou a publicação do Catecismo. Em 1556, fundou o Colégio de Praga e, até 1569, foi o primeiro superior da Província Jesuíta da Alta Alemanha. Entre outras tarefas, estabeleceu - nos países germânicos - uma densa rede de comunidades da sua Ordem, especialmente colégios, que foram pontos de partida para a reforma católica, para a renovação da fé católica… Em 1580, retirou-se para Friburgo, na Suíça, dedicando-se inteiramente à pregação e à composição das suas obras… Foi editor das obras completas de São Cirilo de Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de São Jerónimo e das Orações de São Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em vários idiomas, biografias de alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas os seus escritos mais populares foram os três Catecismos elaborados entre 1555 e 1558. O primeiro foi desenvolvido para estudantes que já tinham um nível de compreensão das noções elementares de teologia; o segundo, para as crianças, para o início da instrução religiosa; o terceiro, para jovens com uma formação escolar média ou superior. A doutrina católica foi exposta em forma de perguntas e respostas breves, usando os termos bíblicos de forma muito clara e simples. Morreu na Suíça, em 21 de Dezembro de 1597. Foi beatificado pelo Beato Pio IX, em 1864; proclamado, em 1897, o segundo Apóstolo da Alemanha pelo Papa Leão XIII. Foi canonizado pelo Papa Pio XI e proclamado Doutor da Igreja, em 1925. A sua memória litúrgica faz-se no dia 21 de Dezembro.