PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FESTA DAS FOGACEIRAS

 



A Paróquia de Santa Maria da Feira, mais uma vez, recebe a realização da Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião. Festa antiga e sempre nova, expressão da fé e da fidelidade de um povo que, em tempos de crise, de dificuldade, de morte soube confiar-se à bondade de Deus pela intercessão de São Sebastião. Fazer a festa, hoje, deveria significar entrar em luta contra a maldade do mundo; a violência que vai germinando onde menos se espera; o desespero que domina tantas almas e vidas, por causa da noite que se abateu sobre elas; a tristeza que divide as famílias pela agressão, o abandono, a indiferença; a escravização dos sentimentos ao lucro, ao gozo, à superficialidade, à corrupção. Sebastião foi, na sua vida, um lutador pela verdade, pela liberdade, pelo respeito, pela responsabilidade, pela fé em Jesus Cristo. Quanto temos a aprender com ele?...

                                                                           
A Festa faz-se no dia 20 de Janeiro.
 A Eucaristia, às 11 horas, será presidida pelo Sr. Dom João Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto. Sebastião, como a maior parte dos leitores sabe, nasceu em meados do séc. III ( 263?..) provavelmente em Milão, terra da sua mãe; alguns apontam Narbona, terra natal do seu pai, como sendo o lugar do seu nascimento. São poucos os dados históricos acerca dele. Pelo ano 270, foi para Roma onde viveu a maior parte da sua vida e conheceu o imperador Diocleciano, de quem se tornou grande amigo. Foi soldado do exército romano, chegando a alcançar o comando de uma coorte de pretorianos, a guarda particular do imperador. Cristão convicto, a todos falava de Jesus. Pela sua acção, muitos se converteram ao Evangelho: soldados, prisioneiros e, até, o governador de Roma, Cromazio, e o seu filho, Tibúrcio, que depois deram a vida por Jesus, sofrendo, também eles, o martírio. Sebastião, por ser cristão e por testemunhar Jesus, confortando os cristãos que estavam aprisionados, foi denunciado e, também, preso. Diocleciano tentou, em vão, persuadi-lo a renegar a fé, fazendo apelo à amizade que os unia. Sebastião manteve-se fiel a Jesus e aos princípios que davam sentido à sua vida. Então, foi condenado à morte, sentença que os arqueiros se encarregaram de cumprir. Crivado de flechas, Sebastião foi encontrado por Irene (Santa Irene), uma cristã, que, ao retirá-lo da árvore onde os seus algozes o tinham amarrado, verificou que ainda estava com vida. Levando-o para sua casa, tratou das suas feridas e Sebastião restabeleceu-se em poucos dias. Insensível às súplicas dos cristãos, seus amigos, apresentou-se ao imperador, recriminando-o pela antipatia que nutria pelos cristãos e pela perseguição que promovia contra eles. Voltou a ser preso e, desta vez, condenado a ser açoitado até morrer. Isto aconteceu por volta do ano 304. O seu cadáver foi atirado para o reservatório dos esgotos de Roma ( Cloaca Massima ), para que desaparecesse para sempre. Porém, foi descoberto por uma mulher, de nome Lucina ( Santa Lucina) que o retirou da imundície, o lavou e preparou para ser sepultado. Dizem que, em sonhos, Sebastião lhe apareceu pedindo-lhe que o sepultasse nas catacumbas, ao lado da sepultura onde repousavam as relíquias dos Apóstolos Pedro e Paulo. Estas catacumbas chamam-se, agora, “catacumbas de São Sebastião”. Desde esta altura, em Roma, foi intenso o culto de São Sebastião. A devoção ao Santo Mártir espalhou-se pelo mundo e resiste ao passar dos séculos. São Sebastião, depois de São Pedro e São Paulo, é o terceiro padroeiro de Roma. Mais tarde, próximo do lugar onde foi sepultado, junto à via Ápia - que ligava Roma ao resto do mundo - foi construída uma basílica em sua honra: a Basílica de São Sebastião.

PARA REZAR



- HINO DE VÉSPERAS I: COMUM DOS MÁRTIRES

Quando pela palavra se combate,
Erguendo, não a espada mas a cruz,
Como a cruz redentora do Calvário,
Também o sangue é luz.

Quando se renuncia à própria vida,
No gesto heróico da oblação suprema,
Para glória de Deus e bem das almas,
Também o sangue é poema.

Como a água das fontes cristalinas,
Brotando do sopé de serra brava,
Se é por Jesus que se derrama o sangue,
O sangue também lava.

Em cada Mártir o Senhor Se exalta
Sobre os ódios da turba irada e cega.
Como a palavra, e mais do que a palavra,
O sangue também prega.

Honra e louvor ao Pai omnipotente
E ao Filho, que por nós morreu na cruz,
E ao Espírito que glorifica os Mártires
No Sangue de Jesus.

SANTOS POPULARES



SÃO VICENTE

Vicente de Saragoça nasceu em Huesca, em Aragão (actual Espanha). Não se sabe a data do seu nascimento. Os relatos apontam para que tenha vivido nos finais do séc. III e inícios do séc. IV. Há poucos dados documentais acerca da sua vida. Sabe-se que, ainda criança, com os seus pais, deixou Huesca e foi viver para Saragoça. Aqui, Vicente foi ordenado Diácono da Igreja. Foi contemporâneo do imperador romano Diocleciano. Roma estendia o seu vasto império até a península Ibérica. Durante o seu reinado, Diocleciano reabilitou as velhas tradições romanas, incentivando o culto dos deuses antigos e proibindo o culto do cristianismo. Este imperador deu início àquela que seria – no entendimento de muitos historiadores - a penúltima perseguição do Império Romano ao cristianismo. Em Fevereiro de 303, Diocleciano promulgou um edito imperial que ordenou a destruição de todas as igrejas e objectos de culto dos cristãos e que toda a população do Império oferecesse sacrifícios aos deuses romanos. Durante esta perseguição aos cristãos, o Diácono Vicente recusou-se a obedecer às ordens imperiais de oferecer sacrifícios aos deuses pagãos. Por causa desta recusa, foi cruelmente martirizado no ano de 304, em Valência ( Espanha ) Após o martírio, o corpo de Vicente foi atirado aos animais mas, segundo a lenda, foi protegido pelos corvos que impediram que o seu corpo fosse devorado. Esta protecção foi vista pelos cristãos como um milagre; por isso, construíram, em sua homenagem, uma igreja onde depositaram o seu corpo, e Vicente passou a ser tratado como santo. Com o fim do Império Romano, a península Ibérica sofreu a invasão dos mouros e foi inteiramente ocupada. Em 713, os muçulmanos, querendo apagar os sinais do cristianismo e fortalecer a sua autoridade, puseram o corpo de São Vicente num barco e deixaram-no à deriva no mar. O barco, levando as relíquias do santo mártir, foi dar ao Promontorium Sacrum (Promontório Sacro, Cabo de Sagres, Portugal), que se passou a chamar Cabo de São Vicente. Os cristãos que aí viviam sob o domínio dos mouros, recolheram o corpo, transportando-o para uma ermida erguida em sua homenagem. Durante alguns séculos, o culto a São Vicente alastrou-se por todo o território que seria, no futuro, o Reino de Portugal. Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, decidiu resgatar o corpo de São Vicente aos sarracenos que dominavam Sagres, nessa época. Sob as suas ordens, as relíquias do santo foram levadas para Lisboa. Diz a tradição que, quando o corpo seguiu no barco, dois corvos o acompanharam durante todo o percurso. As relíquias, transferidas de Sagres para uma igreja fora das muralhas da cidade de Lisboa (Igreja de São Vicente de Fora), geraram uma profunda veneração por São Vicente que, em 1173, foi proclamado padroeiro de Lisboa. A sua memória litúrgica faz-se no dia 22 de Janeiro.