PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

sábado, 23 de março de 2013

SEMANA SANTA



A liturgia da Igreja celebra, na Semana Santa, os mistérios da Redenção operada por Jesus para salvar o homem do pecado e da morte. Esta semana, a mais importante da liturgia, começa com o Domingo de Ramos, lembrando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
A manhã de Quinta-Feira Santa é marcada pela celebração da Missa Crismal, assim chamada porque o Bispo, reunido com todo o clero diocesano na Catedral, abençoa os óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e consagra o Óleo do Crisma. O tríduo pascal começa com a celebração da Missa da Ceia do Senhor, ao fim da tarde. Nesta celebração faz-se a memória da instituição da Eucaristia e da Ordem e a dádiva do mandamento novo do Amor.
Na Sexta-Feira Santa celebra-se a morte do Senhor, com a adoração da cruz. Neste dia, a Igreja não celebra a Eucaristia. A celebração, da parte tarde, faz a memória da Paixão e Morte de Cristo. A adoração da Cruz manifesta a adesão plena à proposta de Jesus, reconhecendo na Cruz o sinal da grandeza do amor que salva.
No Sábado Santo, a Igreja fica em silêncio, contemplando o mistério da morte do Senhor, meditando e rezando. À noite, na Vigília Pascal - a maior e mais importante celebração cristã - a Igreja celebra-se a Ressurreição de Jesus Cristo.
No Domingo de Páscoa, celebramos Cristo Ressuscitado, presente nas nossas vidas e peregrino ao encontro do mundo para o convidar a crer e a viver a vida nova que brota da Páscoa. Entre nós, faz-se a Visita Pascal: anúncio, de casa em casa, da vitória de Cristo e convite à alegria e à esperança.

Horário das celebrações:
Quinta-Feira Santa: Missa da Ceia do Senhor – às 20,30 h., na Igreja da Misericórdia.
Sexta-Feira Santa: celebração da Paixão do Senhor – às 19,00 h., na Igreja Matriz
Sábado: Vigília Pascal – às 20,30 h., na Igreja Matriz
Domingo da Páscoa do Senhor: celebração da Eucaristia – às 8,00 e 19,00h., na Igreja Matriz.

VISITA PASCAL




A visita pascal - uma tradição muito antiga - quer levar aos fiéis o solene anúncio da Ressurreição de Cristo. De casa em casa, a mensagem percorre lugares, caminhos, famílias chamando para a alegria e para o testemunho de Cristo, na vida. A tradição continua enraizada e marca a vida da comunidade com um sinal de fé que, contrariando a mentalidade dominante, caracteriza o povo na sua busca de Deus, de sentido e de esperança.
Na nossa paróquia de Santa Maria da Feira, a visita pascal (o compasso) faz-se no Domingo e na Segunda-Feira de Páscoa, seguindo os itinerários habituais. Receber o compasso não é uma obrigação, mas sim um convite a acolher Jesus e a Vida que Ele nos oferece.

PARA REZAR



SALMO 22

Todos os que me vêem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo».

Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.

Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.

PALAVRA DO PAPA



- no discurso proferido pelo Papa Francisco aos delegados fraternos das Igrejas, Comunidades Eclesiais e Organismos Ecuménicos Internacionais, representantes do povo judeu e de religiões não cristãs, reunidos em Roma para a celebração do início oficial do Seu ministério petrino.

“…A Igreja Católica está ciente da importância que tem  a promoção da amizade e do respeito entre os homens e mulheres de diferentes tradições religiosas; quero repetir isso: promoção da amizade e do respeito entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas. Confirma-o, também, o valioso trabalho realizado pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Ela, também, está ciente da responsabilidade que todos nós temos em relação ao nosso  mundo, - a toda a criação - que devemos amar e proteger. Podemos fazer muito pelo bem de quem é mais pobre, de quem é fraco e de quem sofre, para favorecer a justiça, para promover a reconciliação, para construir a paz. Mas, especialmente, devemos manter viva, no mundo, a sede do absoluto, não permitindo que prevaleça uma visão da pessoa humana com uma só dimensão, segundo a qual o homem se reduz ao que produz e ao que consome: esta é uma das armadilhas mais perigosas do nosso tempo.
Sabemos quanta violência produziu, na história recente, a tentativa de eliminar Deus, o divino, do horizonte da humanidade, e chamamos a atenção para o valor de testemunhar, nas nossas sociedades, a originária abertura à transcendência que é inerente ao coração humano. Nisto, sentimo-nos perto de todos aqueles homens e mulheres que - ainda não se reconhecendo pertencentes de nenhuma tradição religiosa - sentem-se, porém, em busca da verdade, da bondade e da beleza - verdade, bondade e beleza de Deus - e que são nossos valiosos aliados no compromisso da defesa da dignidade do homem, na construção de uma convivência pacífica entre os povos e na guarda cuidadosa da criação…”

terça-feira, 19 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

- DA HOMILIA DO PAPA FRANCISCO – Roma, 19 de Março, Festa de São José

“…Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!
Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!
E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.
Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.
A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!..”


 

JORNADAS VICARIAIS DO ANO DA FÉ





Nos dias 16 e 17 de Março, realizaram-se as Jornadas Vicariais do Ano da Fé da Vigararia de Santa Maria da Feira, no Ginásio do Colégio de Santa Maria de Lamas. Com a presidência do Sr. Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, e a presença do Sr. D. João Lavrador, Bispo Auxiliar e delegado para a Região Pastoral Sul, as jornadas decorreram cheias de festa, de testemunho e de compromisso manifestados nas palavras e nos gestos dos que dinamizaram este evento. O Pavilhão encheu-se de fiéis que quiseram afirmar a sua fé em Jesus Cristo e a sua disponibilidade para servir a Igreja e o mundo na bondade, na verdade e na beleza, como tem dito o Santo Padre Francisco. Gostaríamos que estas Jornadas fossem ponto de partida para um empenhamento maior de todos na construção, entre nós, do Reino de Jesus Cristo.


domingo, 17 de março de 2013

HABEMUS PAPAM



- VIVA O PAPA!

Francisco foi o nome escolhido pelo Cardeal Jorge Mário Bergoglio, eleito pelos cardeais eleitores para suceder a Bento XVI que renunciou ao ministério petrino. É o primeiro Papa latino -americano e não europeu da história. O fumo branco saiu da chaminé colocada sobre a Capela Sistina às 19h06 locais (menos uma em Portugal) do dia 13 de Março de 2013. 

Na sua primeira aparição pública, o Papa disse: "Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!... Como sabeis, os cardeais no Conclave têm que escolher um bispo para Roma. Parece que os irmãos cardeais o foram procurar quase no fim do mundo. Mas, aqui estamos. Agradeço à comunidade diocesana de Roma o acolhimento que presta ao seu bispo.
Antes de mais, queria fazer uma oração pelo nosso bispo emérito, Bento XVI. Rezemos todos juntos para que o Senhor o abençoe e a Virgem o proteja. Desejo que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o cardeal vigário aqui presente, seja fecundo para a evangelização. Agora, gostaria de dar a bênção …mas, antes disso, peço-vos um favor: antes que o bispo abençoe o povo, peço-vos que rezem ao Senhor para que me abençoe. É a oração do povo pedindo a bênção para o seu bispo. Façamos, em silêncio, a vossa oração por mim…
Agora dar-vos-ei a bênção, a vós e a todos os homens e mulheres de boa vontade…
Irmãos e irmãs, deixo-vos… Muito obrigado pelo vosso acolhimento… rezai por mim e até logo. Ver-nos-emos em breve…Amanhã quero rezar a Nossa Senhora, para que proteja a cidade de Roma. Boa noite e bom descanço".

O Cardeal Bergoglio ( Papa Francisco ) nasceu em Buenos Aires, na Argentina, a 17 Dezembro de 1936, de uma modesta família de origem italiana. Entrou, em 1958, na Companhia de Jesus. Foi ordenado padre em 1969. Fez a profissão perpétua em 1973. Foi mestre de noviços, professor de Teologia, Provincial dos Jesuítas da Argentina. Em 1992, foi nomeado por João Paulo II bispo auxiliar de Buenos Aires, de que se tornou Arcebispo em 1998. Foi criado cardeal por João Paulo II, em 2001.

PALAVRA DO PAPA



- 1ª Homilia do Papa Francisco: na Santa Missa com os Cardeais – 14 de Março de 2013

Vejo que estas três Leituras têm algo em comum: é o movimento. Na primeira Leitura, o movimento no caminho; na segunda Leitura, o movimento na edificação da Igreja; na terceira, no Evangelho, o movimento na confissão. Caminhar, edificar, confessar.
Caminhar. «Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 5). Trata-se da primeira coisa que Deus disse a Abraão: caminha na minha presença e sê irrepreensível. Caminhar: a nossa vida é um caminho e, quando nos detemos, está errado. Caminhar sempre, na presença do Senhor, à luz do Senhor, procurando viver com aquela irrepreensibilidade que Deus pedia a Abraão, na sua promessa.
Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor. Aqui temos outro movimento da nossa vida: edificar.
Terceiro, confessar. Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.
Caminhar, edificar-construir, confessar. Mas a realidade não é tão fácil, porque às vezes, quando se caminha, constrói ou confessa, sentem-se abalos, há movimentos que não são os movimentos próprios do caminho, mas movimentos que nos puxam para trás.
Este Evangelho continua com uma situação especial. O próprio Pedro que confessou Jesus Cristo com estas palavras: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, diz-lhe: Eu sigo-Te, mas de Cruz não se fala. Isso não vem a propósito. Sigo-Te com outras possibilidades, sem a Cruz”. Quando caminhamos sem a Cruz, edificamos sem a Cruz ou confessamos um Cristo sem Cruz, não somos discípulos do Senhor: somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.
Eu queria que, depois destes dias de graça, todos nós tivéssemos a coragem, sim a coragem, de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor, que é derramado na Cruz; e de confessar como nossa única glória Cristo Crucificado. E assim a Igreja vai para diante.
Faço votos de que, pela intercessão de Maria, nossa Mãe, o Espírito Santo conceda a todos nós esta graça: caminhar, edificar, confessar Jesus Cristo Crucificado. Assim seja.

PARA REZAR



Senhor meu Deus, humildemente peço
O teu amor de Pai e o teu perdão,
Embora eu saiba que o não mereço.

Defende e acolhe a humilde devoção,
Reforma sempre na verdade santa
O antigo pensamento errado e vão.

Louvado seja Deus, minha esperança:
Ao cair sobre a terra a noite escura,
Renova em mim a paz e a confiança.

 
Louvor se dê ao Pai omnipotente,
Ao Filho, imagem sua e formosura,
E ao Espírito de ambos procedente.

SANTOS POPULARES



SÃO CIRILO DE JERUSALÉM

 

Cirilo nasceu no ano de 315 numa família cristã. Recebeu toda a sua educação em Jerusalém. Em 345, foi ordenado sacerdote e o seu apostolado principal foi preparar os catecúmenos para receberem o baptismo, ensinando-lhes o catecismo. No ano de 350, foi ordenado Bispo de Jerusalém. Durante o seu ministério episcopal, passou por muitas dificuldades, mas sempre demonstrou uma fé firme e muita paciência diante das tribulações. O período em que viveu – entre meados dos séculos IV e V – foi bastante conturbado pelas heresias que queriam dividir Cristo em duas pessoas: a do filho de Maria e a do Filho de Deus, apontando como antagónicas as naturezas humana e divina de Cristo. Isso dificultava a evangelização dos pagãos e causava divisões profundas nas comunidades eclesiais. Mas, São Cirilo, pela acção do Espírito, aparece como resposta para aquele momento: com suas pregações, ensinos, homilias e catequeses consegue dar uma resposta às questões levantadas pelas heresias. Cirilo participou do Concílio de Constantinopla, que deu resposta às heresias contra a divindade de Cristo. Foi Bispo da paz diante das divisões que surgiam na Igreja. Revoltados, os hereges que não aceitavam as decisões do Concílio, exilaram, por três vezes, este Bispo de paz. Durante dezasseis anos foi impedido de exercer o seu ministério, em Jerusalém. Grande defensor da verdadeira doutrina, foi um grande catequista. Preparava, com toda a dedicação, os recém-convertidos para receberem o baptismo, ensinando-lhes, sobretudo, a moral cristã. Ao explicar-lhes a santa missa, ensinava com que veneração e amor deveriam receber o corpo do Senhor, na Eucaristia, dizendo-lhes: “Ao aproximar-vos, não o façais com as mãos estendidas nem com os dedos separados, mas fazei-o com a esquerda um trono no qual se assente a direita, que vai conter o Rei. E, no côncavo da palma, recebei o corpo de Cristo, respondendo: ‘Amém’. Com segurança, então, depois de santificados os vossos olhos pelo contacto do santo corpo, recebei-O, cuidando para nada perderdes. Porque senão seria como se perdêsseis um de vossos próprios membros. Dizei-me com efeito: se alguém vos oferecesse palhetas de ouro, não as tomaríeis com todo o cuidado, velando para nada perderdes em vosso prejuízo? Deixareis, então, de vos esforçardes, ainda mais, para que nada tombe do que é muito mais precioso que o ouro e as pedras preciosas?”
Ainda sacerdote, escreveu várias catequeses e grandes sermões - pregados na Igreja do Santo Sepulcro, no tempo da Quaresma e da Páscoa - sobre os Sacramentos do baptismo, do crisma e da eucaristia.
Cirilo faleceu no ano de 386, no dia 18 de Março, sendo Bispo titular de Jerusalém. A sua festa litúrgica, agora no dia 18 de Março, começou a celebrar-se somente em 1882. O Papa Leão XIII concedeu-lhe o título de doutor da Igreja.