Neste Sábado, 20 de Abril, as crianças do 4º ano da Catequese da Igreja
Matriz fizeram a sua Festa da Palavra. Toda a vida cristã deve ser vivida em confronto
com a Palavra de Deus. Estas crianças começaram a fazer a experiência do
encontro com o Senhor, através da palavra da Bíblia. Querem aprofundar e
compreender melhor o que Deus lhes revela, para conhecer melhor a Jesus; para
amá-Lo mais; para praticarem o que Ele ensina; para falarem d’Ele aos seus companheiros
e amigos. A entrega da Bíblia exprime o desejo de Jesus de ser a sua luz, o seu
amigo, a sua alegria. Que estas crianças, ajudadas pelos seus pais e
educadores, possam perseverar, fielmente, no amor que a Palavra de Deus faz
germinar no mundo.
PALAVRA COM SENTIDO
PALAVRA COM SENTIDO
“… O Senhor ressuscitou, verdadeiramente!…” (cf. Antífona do Domingo de Páscoa)
Hoje ecoa em todo o mundo o anúncio da Igreja: «Jesus Cristo ressuscitou»; «ressuscitou verdadeiramente»!
Como uma nova chama, se acendeu esta Boa Nova na noite: a noite dum mundo já a braços com desafios epocais e agora oprimido pela pandemia, que coloca à dura prova a nossa grande família humana. Nesta noite, ressoou a voz da Igreja: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» (Sequência da Páscoa).
É um «contágio» diferente, que se transmite de coração a coração, porque todo o coração humano aguarda esta Boa Nova. É o contágio da esperança: «Cristo, minha esperança, ressuscitou!» Não se trata duma fórmula mágica, que faça desvanecerem-se os problemas. Não! A ressurreição de Cristo não é isso. Mas é a vitória do amor sobre a raiz do mal, uma vitória que não «salta» por cima do sofrimento e da morte, mas atravessa-os abrindo uma estrada no abismo, transformando o mal em bem: marca exclusiva do poder de Deus.
O Ressuscitado é o Crucificado; e não outra pessoa. Indeléveis no seu corpo glorioso, traz as chagas: feridas que se tornaram frestas de esperança. Para Ele, voltamos o nosso olhar para que sare as feridas da humanidade atribulada.
Hoje penso sobretudo em quantos foram atingidos diretamente pelo coronavírus: os doentes, os que morreram e os familiares que choram a partida dos seus queridos e por vezes sem conseguir sequer dizer-lhes o último adeus.
O Senhor da vida acolha junto de Si no seu Reino os falecidos e dê conforto e esperança a quem ainda está na prova, especialmente aos idosos e às pessoas sem ninguém. Não deixe faltar a sua consolação e os auxílios necessários a quem se encontra em condições de particular vulnerabilidade, como aqueles que trabalham nas casas de cura ou vivem nos quartéis e nas prisões.
Para muitos, é uma Páscoa de solidão, vivida entre lutos e tantos incómodos que a pandemia está a causar, desde os sofrimentos físicos até aos problemas económicos.
Esta epidemia não nos privou apenas dos afetos, mas também da possibilidade de recorrer pessoalmente à consolação que brota dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia e da Reconciliação. Em muitos países, não foi possível aceder a eles, mas o Senhor não nos deixou sozinhos! Permanecendo unidos na oração, temos a certeza de que Ele colocou sobre nós a sua mão (cf. Sal 139/138, 5), repetindo a cada um com veemência: Não tenhas medo! «Ressuscitei e estou contigo para sempre» (cf. Missal Romano).
Jesus, nossa Páscoa, dê força e esperança aos médicos e enfermeiros, que por todo o lado oferecem um testemunho de solicitude e amor ao próximo até ao extremo das forças e, por vezes, até ao sacrifício da própria saúde. Para eles, bem como para quantos trabalham assiduamente para garantir os serviços essenciais necessários à convivência civil, para as forças da ordem e os militares que em muitos países contribuíram para aliviar as dificuldades e tribulações da população, vai a nossa saudação afetuosa juntamente com a nossa gratidão.
Nestas semanas, alterou-se improvisamente a vida de milhões de pessoas. Para muitos, ficar em casa foi uma ocasião para refletir, parar os ritmos frenéticos da vida, permanecer com os próprios familiares e desfrutar da sua companhia. Mas, para muitos outros, é também um momento de preocupação pelo futuro que se apresenta incerto, pelo emprego que se corre o risco de perder e pelas outras consequências que acarreta a atual crise. Encorajo todas as pessoas que detêm responsabilidades políticas a trabalhar ativamente em prol do bem comum dos cidadãos, fornecendo os meios e instrumentos necessários para permitir a todos que levem uma vida digna e favorecer – logo que as circunstâncias o permitam – a retoma das atividades diárias habituais.
Este não é tempo para a indiferença, porque o mundo inteiro está a sofrer e deve sentir-se unido ao enfrentar a pandemia. Jesus ressuscitado dê esperança a todos os pobres, a quantos vivem nas periferias, aos refugiados e aos sem abrigo. Não sejam deixados sozinhos estes irmãos e irmãs mais frágeis, que povoam as cidades e as periferias de todas as partes do mundo. Não lhes deixemos faltar os bens de primeira necessidade, mais difíceis de encontrar agora que muitas atividades estão encerradas, bem como os medicamentos e sobretudo a possibilidade duma assistência sanitária adequada. Em consideração das presentes circunstâncias, sejam abrandadas também as sanções internacionais que impedem os países visados de proporcionar apoio adequado aos seus cidadãos e seja permitido a todos os Estados acudir às maiores necessidades do momento atual, reduzindo – se não mesmo perdoando – a dívida que pesa sobre os orçamentos dos mais pobres.
Este não é tempo para egoísmos, pois o desafio que enfrentamos nos une a todos e não faz distinção de pessoas. Dentre as muitas áreas do mundo afetadas pelo coronavírus, penso de modo especial na Europa. Depois da II Guerra Mundial, este Continente pôde ressurgir graças a um espírito concreto de solidariedade, que lhe permitiu superar as rivalidades do passado. É muito urgente, sobretudo nas circunstâncias presentes, que tais rivalidades não retomem vigor; antes, pelo contrário, todos se reconheçam como parte duma única família e se apoiem mutuamente. Hoje, à sua frente, a União Europeia tem um desafio epocal, de que dependerá não apenas o futuro dela, mas também o do mundo inteiro. Não se perca esta ocasião para dar nova prova de solidariedade, inclusive recorrendo a soluções inovadoras. Como alternativa, resta apenas o egoísmo dos interesses particulares e a tentação dum regresso ao passado, com o risco de colocar à dura prova a convivência pacífica e o progresso das próximas gerações.
Este não é tempo para divisões. Cristo, nossa paz, ilumine a quantos têm responsabilidades nos conflitos, para que tenham a coragem de aderir ao apelo a um cessar-fogo global e imediato em todos os cantos do mundo. Este não é tempo para continuar a fabricar e comercializar armas, gastando somas enormes que deveriam ser usadas para cuidar das pessoas e salvar vidas. Ao contrário, seja o tempo em que finalmente se ponha termo à longa guerra que ensanguentou a amada Síria, ao conflito no Iémen e às tensões no Iraque, bem como no Líbano. Seja este o tempo em que israelitas e palestinianos retomem o diálogo para encontrar uma solução estável e duradoura que permita a ambos os povos viverem em paz. Cessem os sofrimentos da população que vive nas regiões orientais da Ucrânia. Ponha-se termo aos ataques terroristas perpetrados contra tantas pessoas inocentes em vários países da África.
Este não é tempo para o esquecimento. A crise que estamos a enfrentar não nos faça esquecer muitas outras emergências que acarretam sofrimentos a tantas pessoas. Que o Senhor da vida Se mostre próximo das populações da Ásia e da África que estão a atravessar graves crises humanitárias, como na Região de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Acalente o coração das inúmeras pessoas refugiadas e deslocadas por causa de guerras, seca e carestia. Proteja os inúmeros migrantes e refugiados, muitos deles crianças, que vivem em condições insuportáveis, especialmente na Líbia e na fronteira entre a Grécia e a Turquia. E não quero esquecer a ilha de Lesbos. Faça com que na Venezuela se chegue a soluções concretas e imediatas, destinadas a permitir a ajuda internacional à população que sofre por causa da grave conjuntura política, socioeconómica e sanitária.
Queridos irmãos e irmãs,
Verdadeiramente palavras como indiferença, egoísmo, divisão, esquecimento não são as que queremos ouvir neste tempo. Mais, queremos bani-las de todos os tempos! Aquelas parecem prevalecer quando em nós vencem o medo e a morte, isto é, quando não deixamos o Senhor Jesus vencer no nosso coração e na nossa vida. Ele, que já derrotou a morte abrindo-nos a senda da salvação eterna, dissipe as trevas da nossa pobre humanidade e introduza-nos no seu dia glorioso, que não conhece ocaso.
Com estas reflexões, gostaria de vos desejar a todos uma Páscoa feliz. (Mensagem do Papa Francisco na Bênção Urbi et Orbe, no Domingo de Páscoa de 2020).
segunda-feira, 22 de abril de 2013
DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
- da Mensagem de Bento XVI
“…As
vocações sacerdotais e religiosas nascem da experiência do encontro pessoal com
Cristo, do diálogo sincero e familiar com Ele, para entrar na sua vontade. Por
isso, é necessário crescer na experiência de fé, entendida como profunda
relação com Jesus, como escuta interior da sua voz que ressoa dentro de nós.
Este itinerário, que torna uma pessoa capaz de acolher o chamamento de Deus, é
possível no âmbito de comunidades cristãs que vivem uma intensa atmosfera de
fé, um generoso testemunho de adesão ao Evangelho, uma paixão missionária que
induza a pessoa à doação total de si mesma pelo Reino de Deus, alimentada pela
recepção dos sacramentos, especialmente a Eucaristia, e por uma fervorosa vida
de oração. Esta «deve, por um lado, ser muito pessoal, um confronto do meu eu
com Deus, com o Deus vivo; mas, por outro, deve ser incessantemente guiada e
iluminada pelas grandes orações da Igreja e dos santos, pela oração litúrgica,
na qual o Senhor nos ensina continuamente a rezar de modo justo» (Enc. Spe
salvi, 34).
A
oração constante e profunda faz crescer a fé da comunidade cristã, na certeza
sempre renovada de que Deus nunca abandona o seu povo e que o sustenta
suscitando vocações especiais, para o sacerdócio e para a vida consagrada, que
sejam sinais de esperança para o mundo. Na realidade, os presbíteros e os
religiosos são chamados a entregar-se de forma incondicional ao Povo de Deus,
num serviço de amor ao Evangelho e à Igreja, num serviço àquela esperança firme
que só a abertura ao horizonte de Deus pode gerar…”
Deus Pai, fonte da vida,
que pelo teu filho, Jesus
Cristo,nos deste o Espirito de confiança e de amor:
envia operários para a tua Igreja;
dá vitalidade de fé a cada família, paróquia e diocese,
onde desabrochem numerosas vocações sacerdotais e religiosas
e os baptizados vivam generosamente o Evangelho;
ilumina com a santidade da tua palavra
os pastores e os consagrados;
anima os jovens nos seminários e nas casas de formação;
renova a esperança na Igreja e continua a chamar muitos
para que nunca faltem testemunhas autênticas,
transfiguradas no encontro contigo,
e anunciadoras da tua alegria à comunidade cristã e aos irmãos.
Amém.
PALAVRA DO SANTO PADRE FRANCISCO
- na Homilia do III
Domingo da Páscoa, 14 de Abril, na Basílica de São Paulo Extramuros - Roma.
“…No grande desígnio de Deus, cada detalhe é importante,
incluindo o teu, o meu pequeno e humilde testemunho, mesmo o testemunho oculto
de quem vive a sua fé, com simplicidade, nas suas relações diárias de família, de
trabalho, de amizade. Existem os santos de todos os dias, os santos
«escondidos», uma espécie de «classe média da santidade» – como dizia um
escritor francês –, aquela «classe média da santidade» da qual todos podemos
fazer parte. Mas há também, em diversas partes do mundo, quem sofra – como
Pedro e os Apóstolos – por causa do Evangelho; há quem dê a própria vida para
permanecer fiel a Cristo, com um testemunho que lhe custa o preço do sangue.
Recordemo-lo bem todos nós: não se pode anunciar o Evangelho de Jesus sem o
testemunho concreto da vida. Quem nos ouve e vê, deve poder ler nas nossas
acções aquilo que ouve da nossa boca, e dar glória a Deus! Isto traz-me à mente
um conselho que São Francisco de Assis dava aos seus irmãos: Pregai o
Evangelho; caso seja necessário, mesmo com as palavras. Pregar com a vida: o
testemunho. A incoerência, dos fiéis e dos Pastores, entre aquilo que dizem e o
que fazem, entre a palavra e a maneira de viver, mina a credibilidade da
Igreja.
Mas tudo isto só é possível, se reconhecermos Jesus Cristo;
pois foi Ele que nos chamou, nos convidou a seguir o seu caminho, nos escolheu.
Só é possível anunciar e dar testemunho, se estivermos unidos a Ele,
precisamente como, no texto do Evangelho de hoje: estão ao redor de Jesus
ressuscitado Pedro, João e os outros discípulos; vivem uma intimidade diária
com Ele, pelo que sabem bem quem é, conhecem-No. O Evangelista sublinha que
«nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: “Quem és tu?”, porque bem
sabiam que era o Senhor» (Jo 21, 12). Está aqui um dado importante para
nós: temos de viver num relacionamento intenso com Jesus, numa intimidade tal,
feita de diálogo e de vida, que O reconheçamos como «o Senhor». Adorá-Lo! A
passagem que ouvimos do Apocalipse, fala-nos da adoração: as miríades de anjos,
todas as criaturas, os seres vivos, os anciãos prostram-se em adoração diante
do trono de Deus e do Cordeiro imolado, que é Cristo e para quem é dirigido o
louvor, a honra e a glória (cf. Ap 5, 11-14). Gostaria que todos se
interrogassem: “Tu (eu) adoras o Senhor?” Vamos ter com Deus só para pedir,
para agradecer, ou vamos até Ele também para O adorar? Mas então que significa
adorar a Deus? Significa aprender a estar com Ele, a demorar-se em diálogo com
Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor, a mais
importante de todas. Cada um de nós possui, na própria vida, de forma mais ou
menos consciente, uma ordem bem definida das coisas que são consideradas mais
ou menos importantes. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve
ter; adorar o Senhor significa afirmar, crer – e não apenas por palavras – que
Ele é o único que guia verdadeiramente a nossa vida; adorar o Senhor quer dizer
que vivemos na sua presença convencidos de que é o único Deus, o Deus da nossa
vida, o Deus da nossa história.Daqui deriva uma consequência para a nossa vida: despojar-nos dos numerosos ídolos, pequenos ou grandes, que temos e nos quais nos refugiamos, nos quais buscamos e muitas vezes depomos a nossa segurança. São ídolos que, frequentemente, conservamos bem escondidos; podem ser a ambição, o carreirismo, o gosto do sucesso, o sobressair, a tendência a prevalecer sobre os outros, a pretensão de ser os únicos senhores da nossa vida, qualquer pecado ao qual estamos presos, e muitos outros. Há uma pergunta que eu queria que ressoasse, esta tarde, no coração de cada um de nós e que lhe respondêssemos com sinceridade: Já pensei qual possa ser o ídolo escondido na minha vida que me impede de adorar o Senhor? Adorar é despojarmo-nos dos nossos ídolos, mesmo os mais escondidos, e escolher o Senhor como centro, como via mestra da nossa vida. Amados irmãos e irmãs, todos os dias o Senhor nos chama a segui-Lo corajosa e fielmente; fez-nos o grande dom de nos escolher como seus discípulos; convida-nos a anunciá-Lo jubilosamente como o Ressuscitado, mas pede-nos para o fazermos, no dia-a-dia, com a palavra e o testemunho da nossa vida…”
PARA REZAR
SALMO 100
Aclamai o Senhor, terra inteira,
servi o Senhor com alegria,
vinde a Ele com cânticos de júbilo.
Sabei que o Senhor é Deus,
Ele nos fez, a Ele pertencemos,somos o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.
O Senhor é bom,
eterna é a sua misericórdia,a sua fidelidade estende-se de geração em geração.
SANTOS POPULARES
SANTA CATARINA DE SENA
Catarina nasceu na aldeia de Fontebranda, em
Sienna, Itália, no dia 25 de Março de 1347, dia da Anunciação. Era filha de Giacomo
Benincasa e de Mona Lapa. Filha duma família cristã, principiou, desde tenra
idade, a sentir grande tendência para a vida de piedade. Aos 5 anos, subia as
escadas de joelhos rezando, a cada degrau, uma Avé-Maria. Aos 6 anos, o Senhor
quis mimoseá-la com a sua primeira manifestação sensível: Cristo apareceu-lhe
sentado num trono, revestido com resplandecentes ornamentos pontificais, tendo
a cabeça cingida com uma tiara papal, abençoando-a com a mão direita. Aos 7
anos, fez “voto” de virgindade, e aos 12, segundo o costume do país e da época,
apesar de ser muito criança, os seus pais pensaram em casá-la, mas recusou
energicamente o matrimónio. No entanto, levada pelos falsos conselhos duma
irmã, começou por se deixar mundanizar. Este período parece ter sido curto.
Tratava-se apenas de imperfeições de criança. Mais consciente do apelo que
Jesus lhe fazia a uma vida de santidade, chorou-o arrependida, durante vários
anos. Depois, intensificando as suas penitências, fixou-se numa espécie de vida
religiosa, fazendo, mais tarde, os três votos religiosos, que viveu intensamente,
apesar de sempre ter vivido no mundo. Durante muito tempo, não tomou outro
alimento, excepto pão e ervas cruas. Enquanto pensava na vida religiosa das
grandes Ordens, S. Domingos apareceu-lhe e prometeu-lhe, que, mais tarde, ia
ser recebida na sua grande família espiritual. Na cidade de Sienna, havia um
numeroso grupo de Terceiras dominicanas, as quais, embora usassem o hábito da
Ordem, (chamavam-se “mantellate”), viviam
nas suas próprias casas. Aos 16 anos entrou na Ordem Terceira de S. Domingos,
indo juntar-se ao grupo das “Mantellate”.
As aspirações de Catarina foram, assim, realizadas em plena conformidade com o
género de vida que já se havia proposto. Passou a viver fechada num pequeno
quarto, que lhe fora designado, vivendo aí como eremita, unicamente ocupada das
coisas de Deus e saindo, apenas, para ir à igreja. Empregava a noite e o dia em
colóquios divinos para orar o mais tempo possível. Chegou a dormir apenas meia
hora em cada noite. Catarina era estimulada, no meio deste ambiente, por graças
sobrenaturais, sendo visitada pelo próprio Cristo. Animavam-na, também, os
conselhos e exortações dos sacerdotes dominicanos. Aos 20 anos, o Senhor
ordenou-lhe que se dedicasse ao apostolado e, daí em diante, levasse uma vida
mais activa, sem afrouxar a sua intensa vida de oração. Desde então, multiplica
as suas obras de caridade: socorre os pobres, cuida dos doentes, manifestando,
sobretudo, uma grande abnegação durante o tempo em que a peste invadiu a
Itália. Exorta os ímpios à emenda de vida; extingue vinganças e ódios. Depois
de ter obtido a perfeição na fé, pede ao Senhor a perfeição na caridade. Desde
então, quantos dela se aproximam, sem excepção de ninguém, notam que os
acontecimentos exteriores, contradições e sofrimentos, de maneira alguma
perturbam a sua alma. Amava a todos com um coração verdadeiramente maternal. Catarina
foi uma das mais brilhantes mentes teológicas do seu tempo, embora sem qualquer
educação formal. Trabalhou com êxito como moderadora entre a Santa Sé e a
cidade de Florença e persuadiu o Papa, que na época vivia em Avignon - França, a
voltar para Roma, tendo-o conseguido somente no pontificado do Papa Urbano VI.
Mais tarde, Catarina foi para Roma, onde lutou infatigavelmente com orações,
exortações e cartas para ganhar novos partidários para o Papa legítimo. Aos 26
anos, começou a sentir, no seu corpo, as dores da Paixão de Cristo. Dois anos
mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, recebeu a comunhão na pequena
igreja de Santa Cristina. Quando meditava e agradecia, orando aos pés do
crucifixo, raios de luz furaram as suas mãos, os seus pés e o seu lado. Todos
puderam ver os estigmas de Cristo, no seu corpo. Por causa de tanta dor, deixou
de falar e de comer. Assim viveu durante oito anos, alimentando-se unicamente
da Sagrada Comunhão. Rezou muito para que as marcas dos estigmas não fossem
visíveis e o Senhor concedeu-lhe essa graça. Mas, após a sua morte, os estigmas
voltaram a ficar bem visíveis no seu corpo incorrupto, como uma transparência na
pele, no lugar das chagas de Cristo. Testemunhas afirmavam que, muitas vezes,
quando rezava entrava em levitação. Das cartas de Santa Catarina de Sena, há
uma trilogia chamada "O Diálogo", considerado o mais brilhante
escrito da história da Igreja Católica. Catarina morreu jovem, aos 33 anos de
idade, em 29 de Abril de 1380. Em 1430, o seu corpo foi encontrado incorrupto e
conservado. Foi canonizada, em 1461,
pelo Papa Pio II, e em 4 de Outubro de 1970, apesar de não ter aprendido a ler
e a escrever, foi proclamada Doutora de Igreja, pelo Papa Paulo VI. A Igreja
faz a sua memória litúrgica no dia 29 de Abril.
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