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- na homilia
do Domingo de Páscoa
Neste
solene Domingo da Páscoa, ouvimos a Palavra de Deus que dá sentido à nossa
celebração e oferece luz à nossa vida de ressuscitados. Vale a pena fazer festa
quando o Deus da vida não lhe é alheio; quando os dias que despertam e
adormecem caminham de olhos erguidos para Deus. Vale a pena celebrar a Ressurreição
porque, cada vez que o fazemos, Deus faz festa connosco. A manhã do primeiro
dia da semana deixa transpirar um ambiente novo, segundo narra S. João (Jo 20,
1-9). Ao desânimo do Calvário sucede o gesto diligente de Madalena, de Pedro e
do discípulo João. Ao silêncio da morte chorada responde o hino festivo da vida
nova do Ressuscitado. Ao túmulo fechado corresponde, agora, um túmulo de pedra
retirada e vazio. A aurora do dia que começa a despontar junta-se à alegria da
feliz notícia da ressurreição.
Neste
Domingo de Páscoa, voltemos o olhar para a Cruz, agora elevada à condição de
trono e que preside ao espaço litúrgico da nossa Catedral. Hoje, ela é cruz
vitoriosa, porque aquele que morreu na cruz ressuscitou para que ressuscitem,
com Ele, todos os crucificados. Lembro um antigo e sábio texto de S. Leão
Magno: “ Ó admirável poder da Cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela o
tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do crucificado. De facto
atraíste tudo a Vós, Senhor…” (Sermão LVII). O Senhor não passa em vão nas
nossas vidas de dor e não esquece nenhum daqueles com quem se cruzou no caminho.
Os que acompanharam Jesus para o Calvário e O viram suspenso na cruz foram,
também, as primeiras testemunhas do túmulo vazio. A eles devemos, hoje, a boa
notícia da ressurreição. O Ressuscitado arrasta-nos, a partir de agora, na
esteira da sua vida nova. A sua Páscoa é chamada a tornar-se a nossa Páscoa.
Dou-Te
graças, Senhor, por todos quantos, ao longo das suas vidas, semeiam palavras de
estímulo e de bondade em anúncios festivos da Páscoa e da Ressurreição! Dou-Te
graças, Senhor, pelos que acreditaram diante da cruz que o amor é perdão e que
a graça divina é misericórdia e, por isso, acolhem, com bondade de pai, o filho
que regressa e volta à mesa do reencontro e à festa da Páscoa! Dou-Te graças,
Senhor, pela Tua Mãe e pelas nossas mães que não se afastam da cruz dos seus
filhos e, nas vigílias da noite, velam por nós para que amanheçam em tons de
Páscoa todos os dias da nossa vida. Dou-te graças, Senhor, por quantos aliviam
o peso que aflige os seus irmãos e fazem da mansidão, da misericórdia e da
alegria partilhada o adro do encontro…e a porta da Páscoa! Dou-Te graças,
Senhor, por todos os que vivem a graça da conversão e a santidade da
reconciliação, porque só este é o caminho da Páscoa! Dou-te graças, Senhor,
porque Tu, Senhor, és o alimento vivo de todos os dias, a dizer-nos que foi na
Eucaristia que os discípulos de Emaús Te reconheceram, vivo e ressuscitado, na
tarde deste dia de Páscoa. Dou-te graças, Senhor, porque é tão bela a vida dos
cristãos renascidos, pelo baptismo, para a vida nova da Páscoa e porque é tão
urgente esta missão que, de cada um de nós, faz mensageiros da alegria do
evangelho, nascida da Páscoa de Jesus!
Façamos
da Páscoa uma profecia de um mundo melhor onde haja lugar para Deus no coração
de cada um de nós. Façamos do tempo pascal um anúncio que leve a alegria da
Páscoa a outras pessoas, a novas terras, a todos os povos e se traduza em novas
gramáticas de pedagogia pastoral, mais criativa, mais próxima, mais atenta aos
que vivem longe de Deus. As festas da catequese, a celebração dos sacramentos
mais frequente neste tempo, o dia diocesano da juventude e do escutismo, a
semana de oração pelas vocações, o ambiente mariano do mês de Maio, que, neste
ano, vamos valorizar na dinâmica do nosso Plano de Pastoral diocesano, a bênção
dos finalistas e tantas outras iniciativas podem ser uma oportunidade de
abertura da Igreja ao mundo e de acolhimento fraterno e evangelizador de tantos
que, a partir destes momentos e por ocasião destas celebrações, se aproximam da
Igreja e abrem a porta do seu coração a Cristo ressuscitado.
Vós,
irmãos e irmãs, e convosco milhares de cristãos de toda a Diocese, que ao longo
desta Semana Maior vivestes intensamente na liturgia digna, verdadeira e bela
desta Catedral, os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo, sois
exemplo do caminho pascal que devemos percorrer.Quero, conjuntamente com os meus Irmãos Bispos, desejar à Cúria Diocesana, ao Cabido Portucalense, aos Seminários, aos sacerdotes, seminaristas, diáconos, consagrados(as) e leigos(as); aos responsáveis e membros de todos os Serviços e Secretariados diocesanos, aos movimentos apostólicos e instituições; às famílias, às crianças, aos jovens, aos idosos, aos doentes; aos que vivem momentos de provação e de privação pela falta de família, de trabalho, de saúde e de liberdade uma Santa Páscoa.
Recorro a este belo poema de um irmão sacerdote para espelhar os meus sentimentos e exprimir os meus votos pascais: “Tu pedes, Senhor, o meu barro frágil para levar aos homens a frescura da Tua água; que eu a sirva límpida e gratuita, de modo que quem beber saiba que Tu és a água e a nascente. Tu pedes que erga nas praças as palavras no silêncio aprendidas; que eu seja fiel, para que quem ouvir Te saiba o caminho… Confunde-me a Tua misericórdia que me aceita: espelho tão baço para a Tua luz; eira tão estreita para servir aos irmãos o trigo do Teu amor de Ressuscitado!” (P. João Aguiar, Transparências, p. 9)
Uma Santa e Feliz Páscoa. Aleluia! Aleluia!
Porto, Sé
Catedral, 5 de Abril de 2015
António, Bispo
do Porto
