PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

SANTOS POPULARES


BEATO JOSÉ MARIA CASSANT

José Maria Cassant nasceu em Casseneuil, França, no dia 6 de Março de 1878, de pais camponeses e muito católicos. Recebeu uma sólida educação cristã e, desde pequeno, sentiu uma grande identificação com a Missa e a liturgia, manifestando o desejo de ser sacerdote. Sempre preferiu o silêncio e a solidão da capela às brincadeiras de criança. Estudou no colégio dos Irmãos de São João Baptista de la Salle, revelando muita dificuldade em aprender e memorizar o conteúdo das aulas, embora a elas se aplicasse com afinco. Aos quinze anos ainda estudava no meio de meninos de oito a dez anos. Este obstáculo intelectual impediu-o de ser aceite no Seminário Diocesano, após ter manifestado aos seus familiares o desejo de ser padre. O seu director espiritual sugeriu-lhe que fosse para o Mosteiro da Trapa. Depois de ter contactado com o orientador vocacional do Mosteiro, foi admitido, no dia 5 de dezembro de 1894, na abadia cisterciense de Santa Maria do Deserto, na Diocese de Toulouse. Durante o tempo de noviciado, desenvolveu uma profunda espiritualidade contemplativa, a partir da sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus e o seu lema era: “Tudo para Jesus, tudo por Maria”. Contemplando Jesus na sua Paixão, o jovem monge deixou-se impregnar pelo amor de Cristo. Consciente das suas lacunas e debilidades, confiava única e totalmente em Jesus, que era a sua força. Pronunciou os votos perpétuos na Solenidade da Ascensão e começou a preparação definitiva para o sacerdócio, que considerava em função da Eucaristia, em que Cristo Salvador se entrega inteiramente aos homens, e em cujo Coração traspassado na cruz, recebe todos os que a Ele recorrem com confiança.
Apesar das dificuldades em concluir os estudos teológicos na Abadia, foi aprovado satisfatoriamente no exame final e recebeu a Ordenação Diaconal no dia 22 de Fevereiro de 1902. Foi ordenado Presbítero no dia 12 de Outubro de 1902.
Atingido pela tuberculose, o jovem presbítero só revelou os seus sofrimentos quando já não os podia esconder, oferecendo-os sempre por Cristo e pela Igreja e meditando assiduamente sobre a Via-Sacra do Salvador. Esta doença tornou a sua vida, a cada dia, mais difícil. No leito de morte, afirmou: "Quando já não puder celebrar a Santa Missa, Jesus poderia levar-me deste mundo".
O Padre José Maria faleceu na madrugada do dia 17 de Junho de 1903, depois de ter recebido a Sagrada Comunhão. Tinha 25 anos de idade, dos quais 16 transcorridos na discrição, em Casseneuil, e 9 no claustro de um Mosteiro, dedicando-se às coisas mais simples: oração, estudo e trabalho. Coisas ordinárias, porém, que ele soube viver de maneira extraordinária, com uma generosidade incondicional. Por isso, a mensagem do Padre José Maria é muito actual: num mundo em que reina a desconfiança, que muitas vezes é vítima do desespero, mas que é sequioso de amor e de ternura, a sua vida pode ser uma resposta para quem, sobretudo entre os jovens, se põe em busca de um sentido para a sua vida.
João Paulo II reconheceu a heroicidade das suas virtudes, no dia 19 de Junho de 1984.
O Padre José Maria Cassant foi beatificado pelo Papa João Paulo II, no dia 3 de Outubro de 2004. Na homilia da missa da beatificação, disse o Papa: “…O Padre José Maria depositou sempre a sua confiança em Deus, na contemplação do mistério da Paixão e na união com Cristo presente na Eucaristia. Assim, ele impregnava-se do amor de Deus, abandonando-se a Ele, "a única felicidade da terra", e desapegando-se dos bens do mundo, no silêncio da Trapa. No meio das provações, com o olhar fixo em Cristo, oferecia os seus sofrimentos pelo Senhor e pela Igreja. Possam os nossos contemporâneos, especialmente os contemplativos e os doentes, descobrir, no seu exemplo, o mistério da oração que eleva o mundo a Deus e que revigora nos momentos de prova!...”
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 17 de Junho.