BEATOS LUÍS MATIN
E ZÉLIA GUÉRIN
Luís Martin nasceu em Bordéus - França, no dia 22 de Agosto de 1823. Era o terceiro dos cinco filhos de Maria Ana Boureau e de Pedro Francisco Martin, oficial do exército napoleónico. Depois do capitão Martin se ter reformado, a família foi morar em Alençon, em 1830, onde Luís foi educado com os Irmãos das Escolas Cristãs. Em 1842, Luís começou a aprender o ofício de relojoeiro. Durante três anos, esteve em Paris para aperfeiçoamento profissional, período em que frequentou, assiduamente, o santuário de Nossa Senhora das Vitórias. Por volta dos vinte anos, tentou ser admitido entre os cónegos regulares de Santo Agostinho do hospício do Grande São Bernardo nos Alpes suíços, mas não foi admitido por não saber latim. De volta a Alençon, instalou-se, em 1850, como relojoeiro e joalheiro. Tranquilo e piedoso, Luís dedicava-se, com afinco, ao trabalho e, nas horas livres, as suas principais actividades eram a pesca e as conversas com os jovens do Círculo Católico, fundado pelo seu amigo, Vital Romet.
Zélia Guérin nasceu no dia 23 de Dezembro de 1831, em
Gandelain, na Normandia, e teve dois irmãos: Maria Luísa, dois anos mais velha,
que aos 29 anos entrou para o Convento da Visitação de Mans, onde recebeu o
nome de Irmã Maria Dositeia, e Isidoro, dez anos mais novo. Os seus pais, Luísa
Joana Macè e Isidoro Guérin, rudes e severos, talvez não conseguissem traduzir
em afecto o zelo que tinham para com os seus filhos. Zélia define a sua
infância e a sua juventude como períodos “tristes como um sudário” Enquanto o
irmão mais novo era alvo de todos os mimos, a ela e à irmã Maria Luísa - que
seria ao longo da sua vida a sua grande conselheira espiritual - nunca foi
permitido sequer brincar com bonecas. A família estabeleceu-se em Alençon, em
1844, após a reforma do pai de Zélia. Nesta cidade, Zélia estudou no convento
da Adoração Perpétua, tendo sido sempre uma aluna excelente. Desde muito cedo,
sentia-se inclinada à vida religiosa. Chegou a pedir a admissão nas Irmãs da
Caridade de São Vicente de Paulo, mas a superiora julgou que ela não tinha
vocação para o claustro. Quase a completar vinte anos, fez uma novena à Virgem
Imaculada pedindo conselho para a escolha da profissão e teve a inspiração que
a levou a tornar-se rendeira, especializando-se no famoso “Ponto de Alençon”.
Habilidosa e empreendedora, aos 22 anos abriu, com a irmã, um pequeno atelier que se tornou famoso, graças à
excelência dos produtos ali confeccionados. Zélia, com a receita da sua
empresa, manteve toda a família, vendendo rendas para a alta sociedade
parisiense.
O encontro entre os dois aconteceu em 1858, na ponte
de São Leonardo, em Alençon. Ao ver Luís, Zélia percebeu distintamente que ele
seria o homem da sua vida.
Após poucos meses de noivado, casam. Conduzem uma vida
conjugal no seguimento do Evangelho, ritmada pela missa quotidiana, pela oração
pessoal e comunitária, pela confissão frequente, pela participação na vida
paroquial. Da sua união nascem nove filhos, quatro dos quais morrem
prematuramente. Entre as cinco filhas que sobreviveram, está Teresa, a futura
santa, que nasceu em 1873. As recordações da carmelita sobre os seus pais são
uma fonte preciosa para compreender a sua santidade. A família Martin educou as
suas filhas a tornar-se não só boas cristãs mas também honestas cidadãs. Aos 45
anos, Zélia recebe a terrível notícia de que tinha um tumor no seio. Viveu a
doença com firme esperança cristã até à morte ocorrida em Agosto de 1877. Com 54 anos, Luís teve de ocupar-se sozinho da família. A primogénita tem 17 anos e a última, Teresa, tem 4 e meio. Então, transferiu-se para Lisieux, onde morava o irmão de Zélia. Deste modo, as filhas receberam os cuidados da tia Celina. Entre os anos de 1882 e 1887, Luís acompanhou as três filhas ao Carmelo. O sacrifício maior para ele foi afastar-se de Teresa que entra para as carmelitas com apenas 15 anos. Luís foi atingido por uma enfermidade que o tornou inválido e que o levou à perda das faculdades mentais. Foi internado no sanatório de Caen. Morreu em Julho de 1894.
Foram beatificados pelo Papa Bento XVI, no dia 19 de Outubro de 2008.
A sua memória litúrgica celebra-se, respectivamente, no dia 29 de Julho e no dia 28 de Agosto.
