– PORTO
O mesmo já se tinha passado com os discípulos de Jesus. Os doze mais próximos de Jesus, os apóstolos, acompanhavam Jesus, em permanência. Conheciam as mesmas aldeias e cidades, aprenderam os hábitos e ouviram os ensinamentos do Mestre. Agora começava para eles o tempo novo da missão. E os apóstolos partiram para onde Jesus os enviara. Realizaram obra notável aos seus próprios olhos. E regressaram felizes a contar a Jesus o bem realizado.
A Palavra de Deus, que hoje aqui escutamos, é para todos nós. Foi proclamada, rezada, contemplada e reflectida em todas as comunidades e celebrações da nossa diocese. Convenhamos, todavia, que nesta Sé Catedral, ela tem uma ressonância diferente e encontra como principais destinatários o Diogo, o Dinis e o Vítor, que vão ser ordenados diáconos, rumo ao presbiterado, e o João Emanuel, o José Joaquim, o Mário, o Prabesh, o André, o Igor e o Jorge, que vão ser ordenados presbíteros.
Sede, a partir de hoje, profetas de Deus, para falar sempre e só em nome d’Ele. Sois voz de Deus. Sois, também, mãos de Deus, trabalhadores incansáveis deste encontro de Deus com o seu povo, alavancas de Deus que erguem o mundo e mesas de Deus que multiplicam a fraternidade sempre que repartem o pão aos pobres.
O Senhor Jesus escolheu-vos para dardes continuidade à Sua missão de Mestre, de Sacerdote e de Pastor. Para isso, procurai ser livres, felizes e transparentes, na cor límpida da vossa alma; generosos no ardor missionário do vosso coração; serenos na obediência, que é fonte de comunhão com Deus e com a Igreja. Sede perseverantes na oração e na contemplação de Deus, porque aí mora o segredo da vossa fidelidade. A oração é, sempre, a escola do amor que sentimos por Deus, pelos outros, pelo mundo.
Vivei, com o presbitério diocesano ou na vossa Ordem e Congregação religiosas, a beleza da fraternidade; o gosto de ser sacerdotes com os outros e também para os outros; o encanto de seguir Jesus em companhia, não individualmente mas juntos, na variedade dos vossos dons, na beleza dos vossos carismas e na diversidade das vossas personalidades.
Peço para vós a paz, sempre, em tudo e com todos. Paz convosco, com Deus e com o povo a quem ides servir. Só a paz que Deus dá vence o medo, sustenta a eficácia, afirma a verdade e espelha a beleza da nossa missão.
Caminhai com o povo, caríssimos ordinandos, como profetas de Deus e como discípulos de Jesus, com simplicidade e com humildade. Deixai-vos trabalhar pela pedagogia pastoral que Jesus nos ensinou, agora renovada e continuada no horizonte alargado da missão. Esta é uma hora de bênção para a Igreja do Porto, para a Ordem Beneditina e para a Congregação dos Sacerdotes Dehonianos.
O Senhor cuida de nós. Só Ele basta. Ele acalenta os nossos sonhos e alivia os nossos cansaços. Ele nem sequer recusa lavar os nossos pés, para que diariamente possamos caminhar com novas forças. O Senhor lava-nos e purifica-nos, se recorrermos também nós à sua misericórdia. Vivei sem medo e sem culpas para servirdes na alegria o povo que Ele vos confiará. Deus estará convosco sempre até ao fim dos tempos.
Só é possível olhar em frente se partirmos do encontro pessoal com Jesus, vivo e ressuscitado, e nos deixarmos olhar pelo olhar de Deus. Peço-vos que, diariamente, façais experiência deste encontro com Cristo. E aí, neste encontro pessoal com Ele, diante do sacrário, ou na celebração da Eucaristia e dos outros sacramentos, nasce a disponibilidade para a missão, neste treino pastoral que faz de vós discípulos missionários, homens livres, generosos e felizes.
Queremos todos fazer da alegria, da esperança e da misericórdia a nossa missão não só inscrita no Plano diocesano de Pastoral anteontem apresentado para a nossa diocese mas impressa nos nossos pés para que deixemos marcas de rumo no caminho que percorremos. É esta suave alegria de evangelizar, a que o Papa Francisco nos vai habituando com nova linguagem e gestos proféticos, que queremos viver no Porto.
Desejamos partilhar a bênção deste dia com outras Igrejas vizinhas e irmãs que, também hoje, celebram Ordenações de novos presbíteros. Vivemos, igualmente, esta hora em comunhão com o Papa Francisco e acompanhamo-lo com a nossa oração e gratidão nesta corajosa visita pastoral à América Latina. O Papa Francisco foi ao encontro do seu continente natal para dizer que a alegria, a esperança e a misericórdia, nascidas no Evangelho das bem-aventuranças e concretizadas nas Obras de misericórdia podem mudar o mundo.
Ides receber, depois da ordenação e antes de partirdes em missão, a bênção de Deus, a bênção solene desta celebração. Peço-vos que me abençoeis também a mim e a esta amada Igreja do Porto…”

