PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

domingo, 22 de novembro de 2015

SANTOS POPULARES


SANTA CECÍLIA YU SO-SA

Cecília nasceu em Seul, a actual capital da Coreia do Sul, em 1761. Ainda jovem, casou com o viúvo Agostinho Yak-jong, um dos primeiros cristãos da Coreia. Com ele foi para a capital e, ali, recebeu o sacramento do baptismo das mãos do Pe. Chu Mun-mo, missionário chinês na Coreia. O seu marido, Agostinho, foi martirizado em 1801, juntamente com Carlos Chong Chol-sang, filho do primeiro casamento do seu marido. Nessa altura, Cecília foi presa e libertada algum tempo depois. Mas, todos os seus bens foram confiscados. Cecília, viúva e privada dos seus bens, viu-se tocada pela pobreza e decidiu regressar, com os seus filhos, a Majae, a região da família do seu marido. Ali, foi recebida friamente pelo seu cunhado, pessoa avessa ao cristianismo. Foi um amigo do seu falecido marido que teve compaixão dela e lhe ofereceu uma casa para morar. A frieza dos antigos amigos e parentes trouxe-lhe muita tristeza e inquietação.
Enfrentou, corajosamente, a morte da viúva de Carlos, o filho do seu marido, martirizado; do filho daquele casal; e da sua própria filha mais velha. No meio de toda esta desgraça, Cecília permaneceu firme na fé; conservou viva a fortaleza da paciência. Frente à hostilidade de que era objecto, manteve sempre uma conduta prudente, não fazendo alarde do cristianismo, mas não deixando de transmitir a doutrina cristã aos seus filhos, no âmbito do seu lar. Quando o seu filho, Paulo, atingiu a idade dos 20 anos, sugeriu que ele se casasse. Ele, porém, disse-lhe que queria dedicar a sua vida a continuar a obra evangelizadora do seu pai mártir. Decidiu, então, partir para a capital, deixando a mãe e a irmã, em Majae. Cecília temia os perigos pelos quais o seu filho passaria para reorganizar o ressurgimento do cristianismo; mas, aceitou, serenamente, a sua decisão, sabendo que ele não a poderia ajudar nas necessidades da sua família. Em 1827, o Bispo de Pequim recriminou Paulo por não prestar ajuda à sua mãe. Então, Paulo trouxe-a consigo para a capital, juntamente com a sua irmã Isabel. A vida, na capital, era muito difícil e, por isso, Cecília resolveu voltar para Majae. Porém, convenceram-na a ficar, para ajudar os missionários que recomeçaram a chegar à Coreia. Nesta tarefa, Cecília assistia diariamente à Missa e dedicava-se a ajudar os católicos mais pobres. 
Em 1839, recomeçou a perseguição aos cristãos e foi aconselhada a partir para Majae, mas ela preferiu ficar. No íntimo do coração, ela e a filha, Isabel, sentiram que deviam começar a preparar-se para o martírio.
No dia 1 de Junho, estando o seu filho ausente, foi presa. Quando lhe perguntaram se era verdade que era católica, respondeu que sim. Quando foi intimada a abandonar a sua religião e a denunciar os demais católicos, disse que não sabia onde os outros cristãos moravam e que estava disposta a morrer para conservar a sua fé
Foi interrogada cinco vezes e cada interrogatório era acompanhado de agressões físicas, com golpes de cana de bambu, que a deixaram às portas da morte. Em seguida, foi levada para a prisão de Bo-jeong, onde morreu no dia 23 de Novembro de 1839, com quase oitenta anos de idade.
Cecília Yu So-Sa foi canonizada no dia 6 de Maio de 1984, em Seul, capital da Coreia do Sul, pelo Papa João Paulo II, juntamente com mais 102 mártires coreanos. Entre estes, contam-se, também, os seus dois filhos mártires: São Paulo Chong Ha-sang e Santa Isabel Chong Chong-hye. Na homilia da celebração eucarística, o Papa disse: “… Os mártires da Coreia deram testemunho de Cristo, morto e ressuscitado. No sacrifício da própria vida, tornaram-se, de um modo muito especial, semelhantes a Cristo. Na verdade, eles puderam fazer suas as palavras de São Paulo: ‘Trazemos sempre no nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo… somos, a toda a hora, entregues à morte por causa de Jesus, para que, também, a vida de Jesus apareça na nossa carne mortal’. (2 Cor.4, 10-11) A morte dos mártires é semelhante à morte de Cristo na cruz porque, como a morte de Cristo, também a sua se tornou o início de uma nova vida. Esta nova vida não foi manifestada unicamente neles, isto é, naqueles que sofreram uma morte como a de Cristo, mas foi estendida a outros. Tornou-se fermento da Igreja como comunidade viva de discípulos e de testemunhas de Jesus Cristo. ‘O sangue dos mártires é fermento de cristãos’: estas palavras do primeiro século do cristianismo encontram confirmação aqui, diante dos nossos olhos…”
A memória litúrgica de Santa Cecília Yu So-Sa celebra-se no dia 23 de Novembro.