PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Hás-de temer o Senhor, teu Deus…” (cf. Deuteronómio 6, 2)

Só Deus é Deus e Senhor. E não há outro Deus a quem amar, servir, adorar, acreditar, rezar, agradecer… Temer o Senhor não é ‘ter medo de Deus’. Não precisamos ter medo de Deus: Ele é amor, perdão, misericórdia, alegria, paz, salvação e esperança… Temer o Senhor é reconhecer a grandeza do seu poder; a santidade do seu nome; a ternura que nos dedica; a alegria da vida que nos oferece. Temer o Senhor é acolher a sua Palavra; cumprir os seus mandamentos; responder com fidelidade aos seus apelos; confiar na sua promessa e anunciá-la com a bondade dos nossos gestos. Quem ‘teme a Deus’ procura fazer tudo para não pecar contra ele; fazer nascer no coração o receio e a tristeza de o poder ofender. O apelo feito pela palavra de Deus aponta-nos o caminho da verdade, da justiça, da caridade, da compaixão. Uma grande exigência que nos trará a felicidade e a bênção.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

SANTOS POPULARES


SANTA NARCISA DE JESUS MARTILLO Y MORÁN

Narcisa nasceu no dia 29 de Outubro de 1832, em Nobol, diocese de Guayaquil, Equador. Os seus pais, Pedro Martillo e Josefina Morán, eram agricultores. Foi a sexta de nove filhos. Faltando dados sobre o início da sua vida, sabe-se que foi crismada aos sete anos, no dia 16 de Setembro de 1839. Ainda pequena, perdeu a sua mãe. Então, coube a Narcisa a missão de educar e cuidar dos seus irmãos mais novos. Dessa época, é lembrada a sua especial caridade, a sua alegria, o seu grande amor pela oração e a grande importância que atribuía à direcção e aconselhamento espiritual.
Na adolescência, dedicou-se aos trabalhos domésticos e, aos 15 anos, aprendeu o ofício de costureira, exercendo-o na sua casa mas, também, nas casas das famílias vizinhas.
Era uma jovem muito alegra: gostava de cantar e de tocar viola, mas não participava nas festas familiares: limitava-se a ajudar na preparação e, depois, isolava-se para se dedicar à oração.
Em 1851 – Narcisa tinha 18 anos - faleceu o seu pai. Narcisa foi morar para Guayaquil, onde moravam alguns dos seus parentes. Aí, trabalhou como costureira, para não ser um peso para os seus hospedeiros. Começou, então, a colaborar na Paróquia e a ajudar o Padre Luís Tola que, mais tarde, viria a ser o Bispo de Portoviejo. Parte do que ganhava como costureira dava-o aos pobres e doentes. Manteve sempre um carácter alegre, divertido e amável e não deixava transparecer as privações pelas quais passava e a que se submetia livremente.
Dedicou muito tempo ao apostolado, especialmente dirigido às crianças, a quem ensinava o catecismo. Trabalhou também com jovens abandonadas e refugiadas na ‘Casa de Acolhimento’; visitava os doentes e os moribundos. Os seus locais preferidos eram os bosques e os esconderijos, onde se recolhia em contemplação e se dedicava a práticas de penitência. Queria seguir o exemplo da Santa - também equatoriana - Marianita de Jesus (1618-1645), oferecendo sacrifícios pela expiação da sua cidade. Chegou a mandar fazer uma cruz salpicada de pregos, sobre a qual se deitava todas as noites, durante cerca de quatro horas, antes de se acomodar no chão para um breve repouso.    
Nunca professou votos religiosos solenes, mas tornou-se leiga dominicana, entrando na Ordem Terceira Dominicana (ramo leigo da Ordem dos Pregadores). Depois da sua morte, soube-se que tinha feito votos particulares de virgindade perpétua, pobreza, obediência, clausura, vida eremítica, jejum a pão e água, comunhão quotidiana, confissão, mortificação e oração.
Em 1865, o seu director espiritual, gravemente enfermo, pediu-lhe que o acompanhasse a Cuenca, onde se restabeleceria numa casa de religiosas. Narcisa permaneceu dois anos em Cuenca, até a morte do seu director. Retornando a Guayaquil, encontrou uma amiga, Mercedes Molina - agora declarada Beata, pela Igreja - empenhada na direcção de um orfanato. Não hesitou em ajudá-la na formação das crianças e na confecção de indumentárias. As duas amigas assistiam à Missa quotidiana e moravam no orfanato.
Segundo testemunhas da época, "Narcisa era muito bela, alta e bem proporcionada; a sua cabeleira loura, abundante e anelada, chamava a atenção das pessoas; era muito estimada na cidade. Era muito amável e, em certos momentos, manifestava a sua alegria cantando, enquanto a sua amiga tocava viola. Era muito caridosa”.
Em 1868, o frade franciscano Pedro Gual, que se tornara seu director espiritual, convidou Narcisa a transferir-se para Lima, onde ficaria hospedada no convento dominicano de Patrocínio. O capelão daquele mosteiro tornou-se o seu confessor até à sua morte.
Apesar de sua compleição robusta, no último período da sua vida, era evidente a crescente debilidade resultante das suas penitências. Poucas horas antes do seu falecimento, na noite do dia 8 de Dezembro de 1869, ao despedir-se das Irmãs, como que “fazendo graça”, disse que partiria para uma “longa viagem”. Um pouco antes da meia-noite, a Madre, que devia fazer o turno de vigília, percebeu que a cela de Narcisa estava misteriosamente iluminada e dela provinha um perfume fortíssimo. A religiosa foi verificar o que se passava e "ao abrir a porta do quarto de Narcisa, viu a mesma claridade que se notava do lado de fora e sentiu que ali a fragrância era maior; ela tinha falecido abrasada pela febre do seu corpo e, sobretudo, pelo ardor do amor divino". Tinha apenas 37 anos. Faleceu em Lima, a capital do Peru, no dia da inauguração do Concílio Vaticano I, oferecendo os seus últimos sofrimentos por este importante acontecimento da Igreja. 
Narcisa de Jesus foi beatificada pelo Papa João Paulo II, no dia 25 de Outubro de 1992, e canonizada pelo Papa Bento XVI, no dia 12 de Outubro de 2008, sendo a quarta pessoa, oriunda da América Latina, a ser canonizada por Bento XVI e a terceira santa equatoriana. O Papa Bento XVI referiu-se a Narcisa com as seguintes palavras: "Santa Narcisa de Jesus mostrou-nos um caminho de perfeição cristã. Oferece-nos um testemunho atraente e um exemplo acabado de uma vida totalmente dedicada a Deus e aos irmãos".
O seu corpo, incorrupto foi trasladado, em 1955, para Guayaquil e, agora, encontra-se no Santuário dedicado a Santa Narcisa, na sua cidade natal, Nobol, no Equador.
A memória litúrgica de Santa Narcisa de Jesus celebra-se no dia 8 de Dezembro.