PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… E vós, quem dizeis que eu sou…” (cf. Mateus 16, 15) O Evangelho deste domingo (Mt 16, 13-20) narra um excerto-chave no caminho de Jesus com os seus discípulos: o momento em que Ele quer verificar a que ponto está a fé deles. Primeiro quer saber o que pensa d’Ele o povo; e o povo pensa que Jesus é um profeta, o que é verdade, mas não compreende o cerne da sua Pessoa, não capta o centro da sua missão. Depois, faz aos discípulos a pergunta que deveras lhe está mais a peito, ou seja, questiona-os diretamente: «E vós, quem dizeis que eu sou?» (v. 15). E com aquele «e vós» Jesus separa definitivamente os Apóstolos da multidão, como quem diz: e vós, que andais comigo todos os dias e me conheceis de perto, compreendestes algo mais? O Mestre espera dos seus uma resposta de uma certa envergadura e diversa em relação à da opinião pública. Com efeito, precisamente essa resposta brota do coração de Simão, chamado Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (v. 16). Dos lábios de Simão Pedro saem palavras maiores do que ele, palavras que não vêm das suas capacidades naturais. Talvez ele não tenha frequentado a escola primária, e é capaz de proferir estas palavras, mais fortes do que ele! Mas são inspiradas pelo Pai celeste (cf. v. 17), o qual revela ao primeiro dos Doze a verdadeira identidade de Jesus: Ele é o Messias, o Filho enviado por Deus para salvar a humanidade. E desta resposta, Jesus compreende que, graças à fé doada pelo Pai, há uma base sólida sobre a qual pode construir a sua comunidade, a sua Igreja. Por isso diz a Simão: «Tu, Simão, és Pedro — ou seja, pedra, rocha — e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (v. 18). Também connosco, hoje, Jesus quer continuar a construir a sua Igreja, esta casa com fundamentos sólidos mas onde não faltam fendas, e que precisa continuamente de ser concertada. Sempre. A Igreja tem sempre necessidade de ser reformada, concertada. Sem dúvida não nos sentimos rochas, mas apenas pequenas pedras. Contudo, nenhuma pequena pedra é inútil, aliás, nas mãos de Jesus a pedra mais pequenina torna-se preciosa, porque Ele a recolhe, a conserva com grande ternura, a trabalha com o seu Espírito, e a coloca no lugar certo, que Ele desde sempre pensou e onde pode ser mais útil para toda a construção. Cada um de nós é uma pequena pedra, mas nas mãos de Jesus toma parte na construção da Igreja. E todos nós, por mais pequenos que sejamos, somos transformados em «pedras vivas», porque quando Jesus pega na sua pedra, a faz sua, a torna viva, cheia de vida, cheia de vida do Espírito Santo, cheia de vida do seu amor, e assim temos um lugar e uma missão na Igreja: ela é comunidade de vida, feita de tantíssimas pedras, todas diversas, que formam um único edifício no sinal da fraternidade e da comunhão. Além disso, o Evangelho de hoje recorda-nos que Jesus quis para a sua Igreja também um centro visível de comunhão em Pedro — também ele, não é uma grande pedra, é uma pedra pequenina, mas nas mãos de Jesus torna-se centro de comunhão — em Pedro e em quantos lhe teriam sucedido na mesma responsabilidade primacial, que desde as origens foram identificados nos Bispos de Roma, a cidade onde Pedro e Paulo deram o testemunho do sangue. Recomendemo-nos a Maria, Rainha dos Apóstolos, Mãe da Igreja. Ela estava no cenáculo, ao lado de Pedro, quando o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e os impulsionou a sair, a anunciar a todos que Jesus é o Senhor. Hoje a nossa Mãe nos ampare e nos acompanhe com a sua intercessão, para que realizemos plenamente aquela unidade e comunhão pelas quais Cristo e os Apóstolos rezaram e deram a vida. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 27 de Agosto de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

EM DESTAQUE


- FESTA DAS FOGACEIRAS 2017



Na próxima Sexta-Feira, dia 20 de Janeiro, o Concelho de Santa Maria da Feira celebra a sua festa maior: a Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião. Esta festa, com mais de 500 anos, agradece a intercessão de São Sebastião no combate contra o flagelo da peste que alastrou nestas Terras da Feira. A promessa mantém-se viva e a acção de graças mobiliza milhares de pessoas, congregadas pela fé, a afirmar o seu louvor a Deus pela intervenção miraculosa do Santo Mártir. Dois momentos importantes marcam esta festividade cristã: a celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças – às 11,00 horas, e a Procissão que percorre algumas ruas do centro da cidade – às 15,30 horas.
Este ano, preside à Festa das Fogaceiras o Sr. D. António Augusto Azevedo, Bispo-Auxiliar do Porto.

- SÃO SEBASTIÃO



Descendente de uma família nobre, Sebastião terá nascido em Narbona, no sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram naturais de Milão, para onde voltaram depois do nascimento de Sebastião. Aí viveu Sebastião até se mudar para Roma.
Em nome da religião, enveredou por uma carreira militar para, desse modo defender, poder os cristãos que sofriam uma terrível perseguição. As suas qualidades são amplamente elogiadas: figura imponente, prudência, bondade, bravura… Era estimado pela nobreza e respeitado por todos.
De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Aproveitando-se do seu estatuto, Sebastião visitava as prisões de Roma animava os cristãos condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo. Mas, esta sua obra abriu caminho para o seu martírio. Foi denunciado por ser cristão. O imperador Diocleciano acusou-o de ingratidão e condenou-o à morte. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. Por isso, São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas, e surge preso a um tronco de árvore.
Entretanto, uma jovem de nome Irene (mais tarde, também martirizada - santa Irene) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e muita persistência, Sebastião voltou junto do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e injustiça.
Então, Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e, depois, o seu corpo foi atirado para a Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O seu corpo foi, porém, recuperado pelos cristão de Roma e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Sebastião foi morto no dia 20 de Janeiro, do ano 300.
Logo após o seu martírio começou a ser venerado como santo.