PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Vinde a Mim… e encontrareis descanso para as vossas almas” (cf. Mateus 11, 28-29) No Evangelho de hoje Jesus diz: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.» (Mat. 11, 28). O Senhor não reserva esta frase a alguns dos seus amigos, não, dirige-a a “todos” aqueles que estão cansados e oprimidos pela vida. E então quem pode sentir-se excluído deste convite? O Senhor sabe quanto a vida pode ser difícil. Sabe que muitas coisas cansam o coração: desilusões e feridas do passado, pesos a serem carregados e injustiças a suportar no presente, incertezas e preocupações para com o futuro. Perante tudo isto, a primeira palavra de Jesus é um convite, um convite a mover-se e a reagir: «Vinde». O erro que cometemos, quando as coisas não correm bem, é permanecer ali onde estamos, deitados ali. Parece evidente, mas quanto é difícil reagir e abrir-se! Não é fácil. Nos momentos obscuros é natural querer estar sozinho consigo mesmo, remoer sobre quanto é injusta a vida, sobre quão ingratos são os outros e como é maldoso o mundo, e assim por diante. Todos sabemos isto. Por vezes, sofremos esta experiência negativa. Mas assim, fechados dentro de nós mesmos, vemos tudo escuro. En-tão chegamos até a familiarizar-nos com a tristeza, que encontra demora em nós: aquela tristeza desmoraliza-nos, esta tristeza é algo ruim. Ao contrário, Jesus quer tirar-nos destas “areias movediças” e, portanto, diz a cada um: «Vinde!” — “Quem?” — “Tu, tu, tu...”. A via de saída encontra-se na relação, em estender a mão e em levantar o olhar para quem nos ama verdadeiramente. Com efeito, sair de si mesmo não é suficiente, é necessário saber para onde ir. Porque muitas metas são ilusórias: prometem alívio e distraem só um pouco, garantem paz e proporcionam divertimento, deixando depois na solidão anterior, são “fogos-de-artifício”. Por esta razão, Jesus indica para onde ir: “Vinde a mim”. E muitas vezes, diante de um peso da vida ou de uma situação que nos faz sofrer, tentemos falar com alguém que nos escute, com um amigo, com um perito na matéria... É muito bom fazer isto, mas não esqueçamos Jesus! Não esqueçamos de nos abrirmos a Ele e de lhe contar a nossa vida, de lhe confiar as pessoas e as situações. Talvez haja algumas “áreas” da nossa vida que nunca lhe abrimos e que permaneceram obscuras, porque nunca viram a luz do Senhor. Cada um de nós tem a própria história. E se alguém tiver esta zona obscura, procurai Jesus, ide ter com um sacerdote, ide... Mas ide ter com Jesus, e contai isto a Jesus. Hoje Ele diz a cada um de nós: “Coragem, não sucumbas sob os pesos da vida, não te feches diante dos medos e dos pecados, mas vem a mim!”. Ele espera por nós, espera-nos sempre, não para resolver magicamente os nossos problemas, mas para nos tornar mais fortes em relação aos nossos problemas. Jesus não nos tira os pesos da vida, mas sim a angústia do coração; não nos suprime a cruz, mas carrega-a juntamente connosco. E com Ele, todo o peso se torna leve (cf. v. 30), porque Ele é o repouso que nós buscamos. Quando Jesus entra na vida, chega a paz, a que permanece também nas provações, nos sofrimentos. Vamos ter com Jesus, demos-lhe o nosso tempo, encontremo-lo todos os dias na oração, num diálogo confiante, pessoal; familiarizando-nos com a sua Palavra redescubramos sem temor o seu perdão, saciemo-nos com o seu Pão de vida: sentir-nos-emos amados, sentir-nos-emos consolados por Ele. É Ele mesmo que nolo pede, quase com uma certa insistência. Reitera-o ainda no final do Evangelho de hoje: “Tomai o meu jugo sobre vós […] achareis o repouso para as vossas almas” (v. 29). E deste modo, aprendamos a ir ter com Jesus e, quando nos meses de verão procurarmos um pouco de repouso de tudo aquilo que cansa o nosso corpo, não esqueçamos de encontrar o repouso verdadeiro no Senhor. Nos ajude nisto a Virgem Maria nossa Mãe, que sempre cuida de nós quando estamos cansados e oprimidos e nos acompanha ao encontro com Jesus. (Papa Francisco, na Oração do Angelus, no dia 9 de Julho de 2017, na Praça de São Pedro, Vaticano, Roma)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

EM DESTAQUE


- FESTA DAS FOGACEIRAS 2017



Na próxima Sexta-Feira, dia 20 de Janeiro, o Concelho de Santa Maria da Feira celebra a sua festa maior: a Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião. Esta festa, com mais de 500 anos, agradece a intercessão de São Sebastião no combate contra o flagelo da peste que alastrou nestas Terras da Feira. A promessa mantém-se viva e a acção de graças mobiliza milhares de pessoas, congregadas pela fé, a afirmar o seu louvor a Deus pela intervenção miraculosa do Santo Mártir. Dois momentos importantes marcam esta festividade cristã: a celebração da Eucaristia, com a bênção das fogaças – às 11,00 horas, e a Procissão que percorre algumas ruas do centro da cidade – às 15,30 horas.
Este ano, preside à Festa das Fogaceiras o Sr. D. António Augusto Azevedo, Bispo-Auxiliar do Porto.

- SÃO SEBASTIÃO



Descendente de uma família nobre, Sebastião terá nascido em Narbona, no sul de França, em meados do século III. Segundo a maioria dos estudiosos, os seus pais eram naturais de Milão, para onde voltaram depois do nascimento de Sebastião. Aí viveu Sebastião até se mudar para Roma.
Em nome da religião, enveredou por uma carreira militar para, desse modo defender, poder os cristãos que sofriam uma terrível perseguição. As suas qualidades são amplamente elogiadas: figura imponente, prudência, bondade, bravura… Era estimado pela nobreza e respeitado por todos.
De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Aproveitando-se do seu estatuto, Sebastião visitava as prisões de Roma animava os cristãos condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo. Mas, esta sua obra abriu caminho para o seu martírio. Foi denunciado por ser cristão. O imperador Diocleciano acusou-o de ingratidão e condenou-o à morte. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. Por isso, São Sebastião é representado com o corpo pejado com várias setas, e surge preso a um tronco de árvore.
Entretanto, uma jovem de nome Irene (mais tarde, também martirizada - santa Irene) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e muita persistência, Sebastião voltou junto do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e injustiça.
Então, Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e, depois, o seu corpo foi atirado para a Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O seu corpo foi, porém, recuperado pelos cristão de Roma e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Sebastião foi morto no dia 20 de Janeiro, do ano 300.
Logo após o seu martírio começou a ser venerado como santo.