PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Vede bem como procedeis. Não vivais como insensatos…” (cf. Efésios 5, 15)

Os cristãos são, constantemente, desafiados a viver uma vida digna, humilde, marcada pelos valores do Evangelho. Na fidelidade a Cristo, temos o dever de construir um mundo novo, onde a verdade, o respeito, a confiança, a transparência, a bondade e a caridade tenham lugar de relevo e sejam vividas por todos os que colocam a sua esperança no Senhor. Infelizmente, muitas vezes, procedemos como ateus, sem fé, sem virtude, sem dignidade e tornamo-nos motivo de escândalo e de murmuração. Não podemos deixar-nos inebriar pela mundanidade, pelos sentimentos de rancor, de avareza, de sobranceria; não podemos escravizar-nos aos apegos da riqueza, do poder, do domínio; não podemos esquecer Aquele que nos dá a verdadeira vida. Seria uma insensatez abandonar o caminho que nos traz a verdadeira felicidade e que é penhor da vida do céu. Ser de Cristo é configurarmo-nos com Ele, com os seus sentimentos, com as suas propostas, com o seu amor.

segunda-feira, 6 de março de 2017

SANTOS POPULARES


BEATA MARIA ANTÓNIA 
DE SÃO JOSÉ 
(MAMA ANTULA)

Maria Antónia de Paz y Figueroa nasceu em Santiago del Estero, Argentina, em 1730, numa família de grandes tradições, naquela província. Entre os seus antepassados contam-se conquistadores e governantes. Era a filha de Don Miguel de Paz y Figueroa e de Dona Ana de Zurita. Depois da morte da sua mãe, o pai casou, em segundas núpcias, com Dona Maria Diaz Caballero. Maria Antónia cresceu numa numerosa família de irmãos e meios-irmãos.
Aos 15 anos, Maria Antónia decidiu dedicar-se à vida religiosa e assumiu um novo nome, como era costume na vida religiosa e naquela época: Maria Antónia de San José. Naquele tempo não havia ordens religiosas de vida activa, mas somente religiosas de clausura. Então, Maria Antónia decidiu usar vestes negras e tornar-se uma leiga consagrada. Esta forma de consagração secular feminina (consagrada no meio do mundo – hoje, chama-se Instituto Secular) era chamada de ‘beata’. Maria Antónia, juntamente com outras mulheres piedosas, dedicou-se à oração e ao trabalho de caridade, colaborando com os jesuítas, sob a orientação do Padre Gaspar Juarez.
Em 1767, o rei Carlos III decidiu expulsar os jesuítas de todas as possessões espanholas. Esta ordem real foi cumprida em Santiago del Estero, no dia 9 de Agosto desse mesmo ano.
A expulsão dos jesuítas teve um forte impacto no espírito e na vida de Maria Antónia. Consciente da importância do trabalho realizado por eles, decidiu manter vivo o seu trabalho, começando com o apostolado dos Exercícios Espirituais, com base nos ensinamentos de Santo Inácio de Loyola.
Maria Antónia, com o apoio do mercedário Frei Joaquim Nis (da Ordem de Nossa Senhora das Mercês; surgiu do séc. XIII para trabalhar na redenção de cristãos cativos. Uma das características é que, desde a sua criação, os seus membros fazem um quarto voto: morrer, se preciso for, por quem estiver em perigo de perder a sua fé. A Ordem existe actualmente em dezassete países), começou a percorrer a cidade de Santiago del Estero e os seus arredores. Andava descalça, com uma cruz de madeira na mão e comunicava com todos usando a língua quichua sempre que necessário, uma vez que a falava correctamente, como a maioria das pessoas naquela época, pois era a língua do povo. Às vezes, era insultada, apedrejada, considerada “louca e bruxa” e acusada de ser “um jesuíta mascarado”. Mas Maria Antónia continuou, com coragem e fé, a sua obra missionária. Organizou exercícios espirituais: em primeiro lugar, para os homens; e, em seguida, para as mulheres. Participavam nestes retiros, com muita frequência, pessoas de todos os níveis sociais. Deste modo, foi realizando o seu projecto em Jujuy, Salta e Tucuman; depois, foi a vez de Catamarca e La Rioja.
Empreendendo um novo roteiro, dirigiu-se a Córdoba, onde permaneceu durante três anos. Em 1779, orientou os seus passos para Buenos Aires. Esta viagem foi considerada uma loucura, quer pela distância, quer pelos perigos que poderiam surgir. Contudo, a viagem decorreu tranquilamente e sem qualquer problema.
Em Buenos Aires, teve de vencer a resistência inicial do Vice-Rei e do Bispo; mas, depois de alguns meses, pôde começar, ali, a sua missão. Dali, Maria António partiu para Colónia e Montevidéu, onde permaneceu três anos, pregando o evangelho através dos exercícios espirituais.
Quando regressou a Buenos Aires, dedicou os seus esforços na fundação da Santa Casa de Exercícios, situada na actual Avenida da Independência, nº 1190, que foi preservada e é um dos poucos edifícios, daquele tempo, que ainda se mantém de pé. Esta casa de espiritualidade foi construída num terreno oferecido por várias famílias e parece uma mansão do século XVIII.
Maria Antónia morreu no dia 7 de Março de 1799, na sua cela, na Santa Casa de Exercícios. Tinha a idade de 69 anos. Foi sepultada na Igreja de La Piedad, em Buenos Aires.
Durante a sua vida, Maria Antónia trocou correspondência com amigos e com jesuítas. Conservam-se, ainda, as cartas que enviou ao Padre Gaspar Juarez, provincial dos jesuítas desterrado, e a Don Ambrósio Funes. Essas cartas são um testemunho histórico muito importante e foram traduzidas para diversas línguas e distribuídas em diferentes nações.
Maria Antónia de Paz y Figueroa era conhecida popularmente como ‘Mama Antula’, nome que na língua quíchua significa ‘Mãe Antónia’.
Em 1905, os Bispos da Argentina iniciaram o processo da sua beatificação. Em 2010, o Papa Bento XVI proclamou-a ‘Venerável’, reconhecendo que ela praticou as virtudes cristãs heróicas.
Maria Antónia de São José foi beatificada pelo Papa Francisco, no dia 27 de Agosto de 2016. A cerimónia de beatificação realizou-se em Santiago del Estero, na Argentina. Presidiu à celebração, em nome do Papa, o cardeal Ângelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos.

A memória litúrgica da Beata Maria Antónia de São José – Mama Antula – celebra-se no dia 7 de Março.