PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Vede bem como procedeis. Não vivais como insensatos…” (cf. Efésios 5, 15)

Os cristãos são, constantemente, desafiados a viver uma vida digna, humilde, marcada pelos valores do Evangelho. Na fidelidade a Cristo, temos o dever de construir um mundo novo, onde a verdade, o respeito, a confiança, a transparência, a bondade e a caridade tenham lugar de relevo e sejam vividas por todos os que colocam a sua esperança no Senhor. Infelizmente, muitas vezes, procedemos como ateus, sem fé, sem virtude, sem dignidade e tornamo-nos motivo de escândalo e de murmuração. Não podemos deixar-nos inebriar pela mundanidade, pelos sentimentos de rancor, de avareza, de sobranceria; não podemos escravizar-nos aos apegos da riqueza, do poder, do domínio; não podemos esquecer Aquele que nos dá a verdadeira vida. Seria uma insensatez abandonar o caminho que nos traz a verdadeira felicidade e que é penhor da vida do céu. Ser de Cristo é configurarmo-nos com Ele, com os seus sentimentos, com as suas propostas, com o seu amor.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

SANTOS POPULARES


BEATO LUÍS ZEFERINO MOREAU

Foi o quinto de treze irmãos, filhos do casal Luís Zeferino Moreau e Maria Margarida Champoux, humildes agricultores. Nasceu, em Besançour, na diocese de Quebeque, no Canadá, no dia 1 de Abril de 1824. Aos 12 anos, tendo concluído os estudos primários, começou a aprender latim com o pároco da freguesia. Dois anos depois entrou no seminário.
Durante os estudos de teologia, começou a dar aulas, substituindo um professor doente mas o excesso de trabalho levou-o a um tal estado de fraqueza que teve de abandonar o seminário, em Novembro de 1845, e voltar para casa dos pais. A sua ânsia de ser padre impeliu-o a prosseguir o estudo da teologia, sob a orientação do seu pároco. Em Setembro de 1846, pediu licença ao Bispo de Quebeque para usar o traje eclesiástico e continuar os estudos em regime de externato, por não se sentir completamente curado, mas o Prelado disse-lhe que não.
Luís Zeferino não se desconcertou, nem perdeu as esperanças. Pediu ao Bispo de Montreal a incardinação na diocese. O Bispo-Auxiliar, D. João Carlos Prince, hospedou-o na sua residência e prontificou-se a orientá-lo nos estudos. Achando-o suficientemente versado em filosofia e teologia, no dia 19 de Dezembro daquele ano, conferiu-lhe a ordem de presbiterado.
No início de 1847, foi nomeado mestre-cerimónias e capelão, na catedral. Entregaram-lhe, além disso, o cuidado do Convento dos pobres da Providência, a direcção da comunidade do Bom Pastor e puseram-no á frente da chancelaria da cúria diocesana. No desempenho de todas estas funções, deu mostras de extraordinárias qualidades espirituais e intelectuais. Em 1852, foi criada a Diocese de S. Jacinto, sendo nomeado como seu primeiro Bispo, D. João Carlos Prince, até então Bispo-Auxiliar de Montreal. O Padre Luís Zeferino Moreau foi escolhido para o acompanhar, como seu secretário. Nas suas novas funções, foi encarregado, também, da direcção da chancelaria da nova diocese e de atender espiritualmente as religiosas de vários institutos, bem como a capelania do hospital da cidade.
De 1854 a 1860 e de 1869 a 1875, foi pároco da Sé catedral. Desempenhou, também, as funções de Vigário-Geral da diocese, cargo que o obrigou a governar a Diocese durante a sede vacante e as ausências demoradas do Prelado. Morto o terceiro Bispo, em 1875, o Padre Luís Zeferino governou a diocese como Vigário-Capitular. Viu-se, então, com mais evidência, a alta estima que todos tinham por ele. Isto levou os Prelados Canadianos a dar as melhores informações ao Santo Padre. O Papa Pio IX, acedendo a tão ardentes desejos, nomeou-o Bispo de S. Jacinto. Recebeu a ordenação episcopal, no dia 16 de Janeiro de 1876.
Nos 25 anos que esteve à frente da diocese, à imitação de S. Paulo, fez-se tudo para todos, com simplicidade, bondade e humildade. Procurou, sobretudo, trabalhar em união com o clero, manter no fervor as congregações religiosas existentes e atrair outras para a diocese. Ele mesmo, a 12 de Setembro de 1877, fundou a congregação das Irmãs de S. José, e a 21 de Novembro de 1890, o Instituto das Irmãs de Santa Marta para cuidarem dos seminários, residências episcopais e casas de educação da juventude.
Nele, os fiéis encontraram um homem inteiramente consagrado a Deus. Monsenhor Moreau sabia, quotidianamente, dedicar a sua atenção a todas as pessoas. Respeitava cada uma delas. Praticava a mais concreta caridade para com os pobres acolhidos na sua casa. Gostava de visitar as paróquias e as escolas. Estava junto dos sacerdotes que o procuravam para algum conselho; estimulava-os na sua acção, na vida espiritual e no aprofundamento intelectual, a fim de que transmitissem aos cristãos uma catequese iluminada por uma fé compreendida e vivida.
Como Bispo, gozava de um discernimento lúcido, e pregava o Evangelho com palavras claras e corajosas, tanto no ensinamento dirigido a todos, como nas respostas dadas a cada um. Consciente das necessidades de uma diocese que crescia, Monsenhor Moreau multiplicou as iniciativas para a educação religiosa e escolar dos jovens, a assistência aos doentes, a organização de ajuda mútua, a constituição de novas paróquias e a formação dos candidatos ao sacerdócio.
Em todos estes sectores, ele era audaz e superava, com paciência, os obstáculos. Procurou a cooperação das Congregações religiosas para numerosas tarefas. Compreendendo todo o valor da vida consagrada, soube favorecer fundações corajosas na própria pobreza. Pessoalmente, contribuiu de maneira profunda na animação espiritual e na orientação de Institutos religiosos que surgiam, ou de novo se estabeleciam na sua diocese… Apesar da fragilidade física, ele viveu numa austeridade exigente. Não conseguiu fazer frente às suas enormes tarefas senão com a força que lhe vinha da oração. Dizia muitas vezes: “não faremos bem as grandes coisas de que somos encarregados, senão mediante uma íntima união com Nosso Senhor”.
Morreu, santamente, no dia 24 de Maio de 1901, com 77 anos de idade, 54 de padre e 25 de bispo. Deixou cerca de vinte mil cartas a padres, religiosas e leigos, que tratam da vida ascética e espiritual, e provam a laboriosidade apostólica do seu ministério.
Foi beatificado, no dia 10 de Maio de 1987, pelo Papa João Paulo II. O Papa, na homilia da sua beatificação, disse: «No seguimento do Bom Pastor, Luís Zeferino Moreau consagrou a sua vida a guiar o rebanho que lhe foi confiado em S. Jacinto, no Canadá. Sacerdote, depois Bispo desta jovem diocese, ele conhecia as suas ovelhas. Trabalhava incansavelmente para lhes dar o alimento “para que os homens tivessem vida, e a tivessem em abundância”.
A sua memória litúrgica celebra-se no dia 24 de Maio.