PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…vai profetizar ao meu povo…” (cf. Amós 7, 15)

O caminho do profeta está cheio de obstáculos. Na sua missão de anunciar Deus e o seu projecto encontra entraves de todo o tipo. Não se esperaria que alguns deles viessem de gente conotada com o serviço de Deus, com a actividade religiosa, com a missão de ser presença do divino no coração da vida. Pela nossa experiência, muitas vezes constatamos que são os de dentro – os que frequentam a igreja, os que colaboram nas actividades paroquiais, os que se afirmam cristãos, os da nossa casa, os da nossa comunidade – a erguer mais obstáculos à concretização do desígnio de Deus de salvar todos os homens, pelo caminho da bondade, da misericórdia e do perdão. Hoje, é importante que, de coração sincero e vida transparente, os cristãos afirmem, convictamente, a sua adesão a Cristo; o desejo de uma conversão autêntica; a disponibilidade para a missão evangelizadora; a abertura de espírito para acolher e reconciliar; a vontade firme da fidelidade e da coerência; o amor à Igreja e à comunidade de que fazem parte. Cada cristão, como bom fermento, deve transfigurar a vida e os ambientes na alegria do Evangelho.

sábado, 14 de abril de 2018

SANTOS POPULARES



BEATA CLARA BOSATTA

Dina Bosatta nasceu em Pianello Lario, província de Como, Itália, no dia 27 de Maio de 1858. Foi a última dos 11 filhos de Alexandre Bosatta – pequeno produtor de seda - e de Rosa Mazzucchi. Aos três anos de idade, ficou órfã de pai. Ainda muito criança, começou a trabalhar na pequena fábrica de seda, dedicando-se à fiação. Mas, a sua irmã Marcelina convenceu os outros irmãos a deixá-la ir para o Instituto das Irmãs Canossianas de Gravesend (1871), para poder continuar os estudos, prometendo que cuidaria, ela mesma, dos serviços domésticos. Dina passou, aí, seis anos, que a marcaram muito profundamente. Dina admirava a vida das Irmãs; amadureceu o seu espírito; viveu dias de fervorosa piedade. Acreditava-se ser chamada à vida religiosa, de acordo com a proposta de Santa Madalena de Canossa, que proclamou: "Só Deus!" As Canossianas ficaram encantadas por poder recebê-la no seu noviciado de Como. Por causa do seu carácter tímido e reservado, mais inclinada para o silêncio e para a contemplação do que para a acção, foi julgada como não tendo as qualidades necessárias para fazer parte daquele Instituto religioso. Por isso, voltou para a sua casa e para a sua família.
Em Pianello Lario, o pároco, Padre Carlos Coppini, tinha, há algum tempo, reunido um pequeno grupo de jovens (10 de Julho de 1871) e formado a Pia União das Filhas de Maria, sob a protecção de Santa Úrsula e de Santa Ângela Merici, confiando a sua direcção a Marcelina, irmã de Dina. Com algumas dessas jovens, foi possível ao P. Carlos inaugurar, em Outubro de 1873, um providencial hospício para idosos e crianças abandonados. Dina entrou, receosa, nesta pia associação da qual pouco sabia. Ao contactar com a casa de acolhimento, descobrir a imensa actividade que ali se realizava, em favor das crianças e dos idosos e aberta a ajudar os necessitados da região. Para ela, que sonhava com uma outra realidade, dedicada à oração e à contemplação, foi um pequeno choque, surpresa e motivo de admiração. No dia 27 de Outubro de 1878, Dina fez a sua profissão, na Pia União das Filhas de Maria, assumindo o nome de Clara. Em Julho de 1881, o Padre Carlos Coppini morreu, e sucedeu-lhe o Padre Luís Guanella, agora, também, beatificado.
No ano lectivo de 1881-82, a Irmã Clara (Dina) completou os seus estudos para obter o diploma de professora do ensino básico, mas não pôde fazer os exames terminais. Então, instalou-se no hospício de Pianello, dedicando-se à educação das órfãs, com verdadeiro sentido materno; à formação dos postulantes e das primeiras noviças.
O Padre Luís Guanella dedicou-se à transformação da Pia União das Ursulinas numa congregação religiosa, com o nome de “Filhas de Santa Maria da Providência”. Dedicou-se, também, à formação das Irmãs e foi director espiritual da Irmã Clara, guiando-a nos caminhos da contemplação mais elevada - especialmente da contemplação da Paixão de Cristo - e comprometendo-a no serviço da caridade para com os mais necessitados.
O Padre Luís Guanella, a convite do seu irmão, Padre Lourenço Guanella, pároco de Ardenno, região da Lombardia, província de Sondrio, começou, naquela paróquia, uma missão que contava com a colaboração da Irmã Marcelina, da Irmã Clara, e uma outra freira da Congregação. Foi uma experiência que preparou a Irmã Clara para a sua passagem da instituição de Pianello para a Casa de Como (1886).
A Irmã Clara tornou-se, rapidamente, o centro propulsor e amoroso daquela Casa: das Irmãs, das postulantes, dos hóspedes, dos idosos necessitados, das raparigas que trabalhavam na cidade. No Outono de 1886, adoeceu com a tuberculose. Esperando que o ar da terra natal a poderia ajudar, foi levada para Pianello. A Irmã Clara Bosatta faleceu no dia 20 de Abril de 1887, em Pianello. O seu corpo é venerado no Santuário do Sagrado Coração, em Como, ao lado dos restos mortais do Beato Luís Guanella.
Foi este sacerdote, Padre Luís Guanella, que promoveu a abertura da causa de beatificação de Irmã Clara. O processo foi aberto, em Como, em 1912.
A Irmã Clara Bosatta (Dina) foi beatificada, no dia 21 de Abril de 1991, pelo Papa João Paulo II. Na celebração da sua beatificação, o Papa disse: “…Que grande amor o Pai nos deu, que sabe suscitar nas almas a capacidade de repetir os gestos do Bom Pastor que dá a vida pela salvação do mundo!
Um sinal da caridade de Deus foi, também, a Beata Clara Bosatta, discípula do Beato Luís Guanella, e com ele compartícipe do carisma da dedicação aos últimos, na plena e inabalável confiança na Divina Providência.
Clara sempre considerou a formação para a piedade, recebida na paróquia, e o apelo a dedicar-se à infância abandonada e aos idosos deixados na solidão, como um dom da Providência. Verdadeiramente providencial, foi o seu encontroo Padre Guanella, para cuja escola se disponibilizou para a realização das obras de assistência espiritual e material, até a consumação das suas energias, com a última doença, contraída precisamente no serviço aos que sofrem, e oferecida como dom e sacrifício em favor dos mais pobres.
Na sua mansidão e fragilidade, na simplicidade dos modos e na delicadeza das suas maneiras, Clara escondia a força indescritível da uma caridade verdadeiramente evangélica. Por isso, "Deus conduziu-a - como testemunhou o Beato Guanella, seu director espiritual - pelo caminho das almas fortes, caminho duro e perigoso, mas guiou-a de tal modo que não pusesse os pés em falso. E ela não caiu, porque se entregou, com absoluta docilidade, à mão que a guiava ".
A memória litúrgica da Beata Clara Bosatta celebra-se no dia 20 de Abril. (cf. Santi e beati…)