PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo …” (cf. 1 Coríntios 12, 13)

A Igreja celebra a Solenidade do Pentecostes, memória da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Esta força do alto, sabedoria de Deus e luz da alma e da consciência, renovou o coração destes homens que, do medo e do escondimento, passaram a testemunhar e a anunciar Jesus Cristo à luz do dia, sem medo e sem vergonha. O Espírito de Deus continua a renovar e a transfigurar as vidas daqueles que O acolhem, que se deixam moldar por Ele, que O testemunham como “Senhor que dá a vida”. Baptizados no fogo do amor de Deus, formamos um só corpo: a Igreja que, enviada por Jesus, testemunha no mundo o Amor, a Misericórdia, o Perdão, a Unidade, a Santidade, a Paz… No mundo devastado pela miséria moral e humana, pela violência e o rancor, pelo ódio e o egoísmo, pela ganância e a discórdia, é preciso abrir o coração ao sopro do espírito e rezar-Lhe para que renove a face da terra.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

SANTOS POPULARES



BEATA JOSEFA HENDRINA STENMANNS

Hendrina Stenmanns nasceu no dia 28 de maio de 1852, no Baixo Reno, na vila de Issum, Diocese de Münster, na Alemanha. Dos 6 aos 14 anos, frequentou a escola mas, antes de terminar o último ano, teve de deixá-la para ajudar a cuidar da casa e dos irmãos mais pequenos. A sua generosa dedicação ao trabalho não a impediu de buscar a Deus e de praticar das virtudes cristãs. Visitava os doentes e, como a sua amabilidade e delicadeza eram grandes, todos os doentes queriam tê-la perto. Graças a uma tia religiosa, Hendrina, desde pequena, sentiu-se, também, chamada a tornar-se freira, mas uma “freira franciscana”.
Aos 19 anos, tornou-se membro da Terceira Ordem de São Francisco, em Sonsbeck. Hendrina queria ser religiosa mas, naquela altura esse desejo era de difícil concretização: inúmeros conventos estavam a ser fechados, devido aos constantes incidentes políticos da "Kulturkampf".
Em 1878, faleceu a sua mãe. Então, Hendrina prometeu ficar com o pai, para cuidar dos seus irmãos. Tinha então 26 anos e o seu irmão mais novo tinha apenas 8 anos. Diante da impossibilidade de realizar a sua vocação, entregou-se nas mãos da Divina Providência. Não se lhe notou, nunca, uma única palavra de queixa ou lamentação.
Hendrina tinha os pés bem assentes no chão e, tudo o que fazia, fazia-o o amor de um coração firmemente ancorado em Deus. Ele era o sustento da sua vida. Na Missa e na comunhão experimentava a confirmação desta presença.
Anos mais tarde, conheceu a obra missionária de Steyl: a Congregação dos Verbitas, fundada na Holanda pelo Padre Arnoldo Janssen. Após fundar a congregação masculina de missionários, o Padre Janssen pensava fundar uma congregação feminina. Hendrina conheceu duas jovens que trabalhavam como empregadas, no Seminário do Padre Janssen, na esperança de que um dia fosse fundada a congregação. Hendrina sentiu que era lá seu lugar.
O pároco de Issum, o Padre Veels, conhecia muito bem Hendrina. Então, em Janeiro de 1884, escreveu ao Padre Janssen falando-lhe de Hendrina e apresentando-lhe “as melhores recomendações em todos os sentidos. Ela sempre teve o desejo de entrar na vida religiosa; durante muitos anos, confessava-se semanalmente e, apesar de morar a mais de 15 minutos de caminhada da igreja e ter de cuidar da casa, assistia diariamente à Santa Missa”. Não era comum uma jovem com a carga de trabalho de Hendrina levar uma vida espiritual tão intensa.
O Padre Janssen aceitou o pedido de Hendrina e, quando a sua irmã mais nova se tornou capaz de assumir as responsabilidades familiares que estavam a seu cargo, partiu para Steyl.
Na cozinha do Seminário, Hendrina rezou, sofreu e esperou durante cinco anos: longos anos, também para ela, embora já estivesse habituada a ter paciência e a esperar.
Para o pequeno grupo em Steyl, célula germinativa da futura Congregação, a Eucaristia era fonte de força no trabalho diário e pesado, na cozinha. Poderíamos dizer que as empregadas viviam um “círculo Eucarístico”: Missa de manhã, onde frequentemente recebiam a Sagada Comunhão; meia hora de oração, ao meio dia; Bênção do Santíssimo Sacramento, à tarde. A antecipação destes ‘auxílios espirituais’ diários permeava e animava a sua vida quotidiana.
O dia 8 de Dezembro de 1889 é considerado o "Dia da Fundação" da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo. Hendrina e mais cinco raparigas - entre elas Helena Stollenwerk - foram recebidas como postulantes.
Em Agosto de 1891, o Padre Arnoldo Janssen nomeou Helena Stollenwerk como superiora da comunidade e Hendrina como sua assistente. No dia 17 de Janeiro de 1892, Hendrina recebeu o hábito religioso e o nome de Irmã Josefa. No dia 12 de Março de 1894, com onze companheiras, pôde, finalmente, emitir os primeiros votos religiosos.
 “Vivíamos hora a hora, dia a dia, e deixávamos o futuro a Deus”, repetia, incansavelmente, enquanto dizia de si mesma “O meu coração está pronto” e rezava, em cada acção, o “Veni, Sancte Spíritus”(Vinde, Espírito Santo)
Para a Irmã Josefa a vida religiosa significava pertencer inteiramente a Deus. Com o aumento do número de Irmãs, o trabalho aumentava, continuamente. Mesmo assim, ela não se perdia nas inúmeras tarefas e tinha sempre uma palavra bondosa para todos. Trabalho e oração eram igualmente serviço a Deus. A Congregação estava pujante de vida e tornou-se necessário construir um novo convento para acolher o número crescente de Irmãs.
Quando a Irmã Maria Helena Stollenwerk foi transferida para as “adoradoras perpétuas” (outra congregação fundada pelo Padre Janssen), a Irmã Josefa tornou-se superiora das Servas do Espírito Santo. Mais do que um cargo, foi um serviço que ela exerceu com paciência e amor mas, infelizmente, por pouco tempo. A Irmã Josefa sofria de várias enfermidades - entre elas a da asma - que fragilizaram, com muita rapidez, a sua já débil saúde. Nas suas dores, teve de exercitar, ainda mais, a sua paciência. A doença tolheu as suas forças e levou-a para o leito, no meio de intensos sofrimentos.
A Irmã Josefa Hendrina Stenmanns faleceu no dia 20 de Maio de 1903, com 50 anos. Foi sepultada ao lado da outra co-fundadora, a Madre Maria Stollenwerk.
No dia 29 de Junho de 2008, a Madre Josefa Hendrina Stenmanns foi beatificada pelo Papa Bento XVI, juntando-se, na glória dos altares, aos seus companheiros e amigos: o Padre Arnoldo Janssen, canonizado em 2003, e a Madre Maria Helena Stollenwerk, beatificada em 1995.
A celebração realizou-se em Steyl-Tegelen, na Holanda, tendo presidido, em nome do Papa, o Cardeal José Saraiva Martins, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. No fim da celebração da beatificação, o Cardeal disse: “… a Beata Josefa Hendrina, dócil à acção do Espírito Santo, distinguiu-se, em toda a sua vida, pela sua pureza de intenções e pela simplicidade de espírito, mediante um contínuo abandono amoroso à vontade do Senhor, com uma correspondência total e generosa às graças e inspirações de Deus.
Profundamente devota, mas sem ostentação, Josefa Hendrina Stenmanns foi uma mulher de admirável equilíbrio humano e sobrenatural: à fortaleza de carácter uniu sempre a amabilidade materna; ao sentido prático da acção uniu, constantemente, o exercício da caridade, sobretudo para com os pobres, os idosos e os enfermos. E tudo isto sem chamar a atenção.
Já antes de abraçar a vida religiosa, era modelo de maturidade cristã; poderíamos dizer, de santidade laical. Os compromissos que assumiu com a sua profissão na Ordem franciscana secular deram à sua vida um autêntico sentido de consagração, no meio das realidades familiares e sociais. O convívio com o Santo fundador Arnold Janssen marcou profundamente a sua actividade espiritual e missionária. De facto, a vocação missionária foi o fulcro de toda a sua existência: «Orar e trabalhar no apostolado missionário, para que o Evangelho seja conhecido por todos».
Com esse objectivo, ofereceu-se em sacrifício pela Obra da propagação da fé. Por isso, a sua vida terrena esteve impregnada de um anseio constante de perfeição, que se desenvolveu no impulso apostólico em favor da difusão do Evangelho e da propagação do Reino de Deus entre os homens…”
A memória litúrgica da Beata Josefa Hendrina Stenmanns celebra-se no dia 20 de Maio.