*FESTA DAS FOGACEIRAS
Com a solenidade habitual, celebrámos, no passado dia 20 de Janeiro, a Festa das Fogaceiras, em honra do Mártir São Sebastião.
Apresentamos, hoje, a homilia do Sr. D. Roberto Mariz, proferida na Missa da Festa:
“…S. SEBASTIÃO – VIDA
GUIADA PELA ESPERANÇA.
“A fogaça nos liga a Deus e nos fortalece na comunhão de uns com outros”.
1 – S. SEBASTIÃO – Jovem
apaixonado por Cristo.
É bom recordar. Fazer memória e memorial – avivar o seu exemplo nos tempos de hoje - é um estímulo à autenticidade missionária da fé.
Os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma. Enveredou por uma carreira militar, para desse modo defender os cristãos que sofriam uma terrível perseguição.
De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo.
Primeiro, cai nas graças do imperador. Cada novo mártir que surgia tornava-se um alento e um desafio para Sebastião. Foi denunciado – de ser cristão e ajudar os cristãos – por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. Entretanto uma jovem, de nome Irene (santa Irene?) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e persistência, voltou junto do imperador para defender os cristãos.
Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado à Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288 ou 300.
Este jovem descobriu uma esperança que não engana. Descobriu Cristo. Enamorou-se por Ele. Comprometeu-se com Ele.
Vive as perseguições religiosas e o martírio na certeza que a vida não termina na morte. Por essa esperança guia a sua vida. Anima e fortalece os outros no caminho da fé em Jesus, com a certeza desta mesma esperança. Um Jovem comprometido com Jesus e comprometido com a Igreja.
Vivemos as Visitas
Pastorais nesta Vigararia de forma alegre, comprometida, apaixonada e amiga
entre nós. Fizemo-lo com a certeza da presença do Senhor ressuscitado no nosso
meio. Ele é a razão de estarmos aqui, de sermos Igreja. Todos - de um modo
particular os Jovens – deixem-se interpelar pelo exemplo apaixonado por Jesus
do jovem S. Sebastião.
Que as nossas Paróquias e Comunidades se fortaleçam nesta PAIXÃO POR CRISTO e ESTÍMULO MÚTUO no COMPROMISSO SINODAL DA PASTORAL.
Sintamos a alegria de sermos povo de todos, onde todos contam e todos são importantes.
2 – Jubileu do
nascimento de Jesus – 2025. PEREGRINOS DE ESPERANÇA.
“Todos esperam. No coração de cada pessoa, encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã. Porém, esta imprevisibilidade do futuro faz surgir sentimentos por vezes contrapostos: desde a confiança ao medo, da serenidade ao desânimo, da certeza à dúvida. Muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham, com ceticismo e pessimismo, para o futuro como se nada lhes pudesse proporcionar felicidade” (Spes non confundit, 1).
Precisamos de uma Esperança que esteja para além da “espuma” dos tempos, das circunstâncias e das modas. Com o Papa Francisco, “Se faltar a esperança, todas as outras virtudes correm o risco de se desmoronar e de acabar em cinzas. Se não existisse um amanhã fiável, um horizonte resplandecente, não restaria que concluir que a virtude é um esforço inútil. «Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna vivível também o presente».” (Carta Encíclica Spe salvi, 2).
Esta esperança é cimentada no amor incondicional de Deus e no Espirito Santo que nos habita: “A esperança nasce do amor e funda-se no amor que brota do Coração de Jesus trespassado na cruz: «Se de facto, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida» (Rm 5, 10). E a sua vida manifesta-se na nossa vida de fé, que começa com o Batismo, desenvolve-se na docilidade à graça de Deus e é por isso animada pela esperança, sempre renovada e tornada inabalável pela ação do Espírito Santo” (Spes non confundit, 3).
O amor inquebrantável de Deus por nós é a raiz desta esperança cristã que não engana nem desilude. Escutávamos na 2ª Leitura: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores graças Àquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Senhor nosso»” (Rm 8, 35.37-39). Nada nos pode separar do amor de Deus, do amor que Deus nos tem; nem a nossa indiferença. Nada. O que nos pode separar do nosso amor a Deus? E do nosso amor aos outros?
No Evangelho afirma-nos Jesus: “Não temais, valeis muito para Deus”. Aquele que é amado adquire um novo valor aos olhos de quem o ama. Valemos muito para Deus porque Deus muito nos ama. Que Deus possa valer muito para nós porque muito O amamos e nós valermos muitos uns para os outros porque muito nos amamos.
A sabedoria popular afirma-nos: Enquanto há vida, há esperança" e "A esperança é a última a morrer". Atrevo-me a transformar estes ditados populares a partir da confiança que temos nesta esperança que brota do amor inquebrantável de Deus: “Enquanto há esperança, há vida” e “Passamos pela morte sem que a esperança morra”. É verdade. Esta esperança não se compra nem se confecciona num doce, mas é doçura essencial para o viver humano. Uma pessoa com esperança sente-se – percebe-se – e semeia esperança à sua volta. Sejamos pessoas habitadas pela Esperança.
3 – Na vivência
simbólica das FOGAÇAS.
FOGAÇAS – referência das festas de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira.
A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao Mártir S. Sebastião, feito pelo povo da Terra de Santa Maria, numa altura em que a região teria sido assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu, em cada dia 20 de janeiro, uma procissão e a oferta de um pão doce e delgado, habituado a ser confeccionado para ocasiões especiais: a fogaça.
Esta devoção popular do culto a S. Sebastião recrudesceu na época medieval, devido às catástrofes da altura, como aconteceu em 1505.
Temos uma referência Bíblica à Fogaça. Escutámos, na 1ª Leitura, que David mandou distribuir fogaças pelo povo. Destaco 5 aspectos:
- Súplica. Pedir o fim da peste – de tantas pestes hoje: guerras (ex.: Ucrânia, Gaza), violências (o drama da violência doméstica), divisões, amarguras... Precisamos de suplicar ao Senhor o fim destas e outras pestes.
- Confiança. A certeza de sermos escutados e atendidos – É alicerce na nossa vida. Confiança segura em Deus. É importante que a confiança entre nós seja uma virtude valorizada e ampliada.
- Gratidão. Agradecer a Deus. É necessário agradecer – oração de gratidão. É urgente valorizarmos a gratidão entre nós – sermos agradecidos uns para com os outros.
- Laços afectivos. Gesto acarinhado pelos feirense (santamarianos) – levar a fogaça a familiares e amigos. Urge fortalecer os laços afetivos e familiares que tornam a nossa vida mais doce e agradável.
- Solidariedade. Partilha com os pobres. Realidade que nos qualifica enquanto humanidade e que importa sempre reforçar.
.
Em resumo, um “DOCE com as TORRES do Castelo”: doçura na vida e protecção da vida. Sermos doçura e protecção uns para os outros.
Apresentamos, hoje, a homilia do Sr. D. Roberto Mariz, proferida na Missa da Festa:
“A fogaça nos liga a Deus e nos fortalece na comunhão de uns com outros”.
É bom recordar. Fazer memória e memorial – avivar o seu exemplo nos tempos de hoje - é um estímulo à autenticidade missionária da fé.
Os seus pais eram de Milão, onde cresceu até se mudar para Roma. Enveredou por uma carreira militar, para desse modo defender os cristãos que sofriam uma terrível perseguição.
De Milão, o jovem soldado deslocou-se para Roma, onde a perseguição era mais intensa e feroz, para testemunhar a fé e defender os cristãos.
O imperador Diocleciano, reconhecendo nele a valentia e desconhecendo a sua religião, nomeou-o capitão general da Guarda Pretoriana. Animava os condenados para que se mantivessem firmes e fiéis a Jesus Cristo.
Primeiro, cai nas graças do imperador. Cada novo mártir que surgia tornava-se um alento e um desafio para Sebastião. Foi denunciado – de ser cristão e ajudar os cristãos – por Fabiano, então Governador Romano. Diocleciano acusou-o de ingratidão. Foi cravado por flechas, até o julgarem morto. Entretanto uma jovem, de nome Irene (santa Irene?) passou e verificou que ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Ainda não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e persistência, voltou junto do imperador para defender os cristãos.
Diocleciano mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado à Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288 ou 300.
Este jovem descobriu uma esperança que não engana. Descobriu Cristo. Enamorou-se por Ele. Comprometeu-se com Ele.
Vive as perseguições religiosas e o martírio na certeza que a vida não termina na morte. Por essa esperança guia a sua vida. Anima e fortalece os outros no caminho da fé em Jesus, com a certeza desta mesma esperança. Um Jovem comprometido com Jesus e comprometido com a Igreja.
Que as nossas Paróquias e Comunidades se fortaleçam nesta PAIXÃO POR CRISTO e ESTÍMULO MÚTUO no COMPROMISSO SINODAL DA PASTORAL.
Sintamos a alegria de sermos povo de todos, onde todos contam e todos são importantes.
“Todos esperam. No coração de cada pessoa, encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã. Porém, esta imprevisibilidade do futuro faz surgir sentimentos por vezes contrapostos: desde a confiança ao medo, da serenidade ao desânimo, da certeza à dúvida. Muitas vezes encontramos pessoas desanimadas que olham, com ceticismo e pessimismo, para o futuro como se nada lhes pudesse proporcionar felicidade” (Spes non confundit, 1).
Precisamos de uma Esperança que esteja para além da “espuma” dos tempos, das circunstâncias e das modas. Com o Papa Francisco, “Se faltar a esperança, todas as outras virtudes correm o risco de se desmoronar e de acabar em cinzas. Se não existisse um amanhã fiável, um horizonte resplandecente, não restaria que concluir que a virtude é um esforço inútil. «Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna vivível também o presente».” (Carta Encíclica Spe salvi, 2).
Esta esperança é cimentada no amor incondicional de Deus e no Espirito Santo que nos habita: “A esperança nasce do amor e funda-se no amor que brota do Coração de Jesus trespassado na cruz: «Se de facto, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida» (Rm 5, 10). E a sua vida manifesta-se na nossa vida de fé, que começa com o Batismo, desenvolve-se na docilidade à graça de Deus e é por isso animada pela esperança, sempre renovada e tornada inabalável pela ação do Espírito Santo” (Spes non confundit, 3).
O amor inquebrantável de Deus por nós é a raiz desta esperança cristã que não engana nem desilude. Escutávamos na 2ª Leitura: «Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores graças Àquele que nos amou. Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Senhor nosso»” (Rm 8, 35.37-39). Nada nos pode separar do amor de Deus, do amor que Deus nos tem; nem a nossa indiferença. Nada. O que nos pode separar do nosso amor a Deus? E do nosso amor aos outros?
No Evangelho afirma-nos Jesus: “Não temais, valeis muito para Deus”. Aquele que é amado adquire um novo valor aos olhos de quem o ama. Valemos muito para Deus porque Deus muito nos ama. Que Deus possa valer muito para nós porque muito O amamos e nós valermos muitos uns para os outros porque muito nos amamos.
A sabedoria popular afirma-nos: Enquanto há vida, há esperança" e "A esperança é a última a morrer". Atrevo-me a transformar estes ditados populares a partir da confiança que temos nesta esperança que brota do amor inquebrantável de Deus: “Enquanto há esperança, há vida” e “Passamos pela morte sem que a esperança morra”. É verdade. Esta esperança não se compra nem se confecciona num doce, mas é doçura essencial para o viver humano. Uma pessoa com esperança sente-se – percebe-se – e semeia esperança à sua volta. Sejamos pessoas habitadas pela Esperança.
FOGAÇAS – referência das festas de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira.
A Festa das Fogaceiras teve origem num voto ao Mártir S. Sebastião, feito pelo povo da Terra de Santa Maria, numa altura em que a região teria sido assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu, em cada dia 20 de janeiro, uma procissão e a oferta de um pão doce e delgado, habituado a ser confeccionado para ocasiões especiais: a fogaça.
Esta devoção popular do culto a S. Sebastião recrudesceu na época medieval, devido às catástrofes da altura, como aconteceu em 1505.
Temos uma referência Bíblica à Fogaça. Escutámos, na 1ª Leitura, que David mandou distribuir fogaças pelo povo. Destaco 5 aspectos:
- Súplica. Pedir o fim da peste – de tantas pestes hoje: guerras (ex.: Ucrânia, Gaza), violências (o drama da violência doméstica), divisões, amarguras... Precisamos de suplicar ao Senhor o fim destas e outras pestes.
- Confiança. A certeza de sermos escutados e atendidos – É alicerce na nossa vida. Confiança segura em Deus. É importante que a confiança entre nós seja uma virtude valorizada e ampliada.
- Gratidão. Agradecer a Deus. É necessário agradecer – oração de gratidão. É urgente valorizarmos a gratidão entre nós – sermos agradecidos uns para com os outros.
- Laços afectivos. Gesto acarinhado pelos feirense (santamarianos) – levar a fogaça a familiares e amigos. Urge fortalecer os laços afetivos e familiares que tornam a nossa vida mais doce e agradável.
- Solidariedade. Partilha com os pobres. Realidade que nos qualifica enquanto humanidade e que importa sempre reforçar.
.
Em resumo, um “DOCE com as TORRES do Castelo”: doçura na vida e protecção da vida. Sermos doçura e protecção uns para os outros.
Peregrino de esperança, Protector dos feirenses.
Agradecemos o teu exemplo e protecção.
Protege as nossas gentes e todas as Entidades;
aviva a paixão por Cristo, em todos feirenses,
em todas as Paróquias.
S. Sebastião, contigo, somos Peregrinos de Esperança…”
Com a Carta Apostólica, sob forma de Motu Próprio, “Aperuit illis”, o Santo Padre estabelece que “o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. O Motu Proprio foi publicado em 30 de Setembro de 2019, dia em que a Igreja celebra a memória litúrgica de São Jerônimo, conhecido tradutor da Bíblia em latim ,que afirmava: “A ignorância das Escrituras é a ignorância de Cristo”.
O Papa Francisco explicou que, com essa decisão, quis responder aos muitos pedidos dos fiéis para que, na Igreja, se celebrasse o Domingo da Palavra de Deus.
O Papa recordou o Concílio Vaticano II que “deu um grande impulso à redescoberta da Palavra de Deus com a Constituição Dogmática ‘Dei Verbum’”, e Bento XVI, que convocou o Sínodo, em 2008, sobre o tema “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e escreveu a Exortação Apostólica ‘Verbum Domini’, que “constitui um ensinamento imprescindível para as nossas comunidades”.
"O Domingo da Palavra de Deus", sublinhou o Papa, "situa-se num período do ano que convida a reforçar os laços com os judeus e a rezar pela unidade dos cristãos": “Não é uma mera coincidência temporal: celebrar o Domingo da Palavra de Deus expressa um valor ecuménico, porque as Sagradas Escrituras indicam, para aqueles que se colocam à escuta, o caminho a ser percorrido para alcançar uma unidade autêntica e sólida”.
Francisco exortou a viver este domingo “como um dia solene. Entretanto, será importante que, na celebração eucarística, se possa entronizar o texto sagrado, de modo a tornar evidente, aos olhos da assembleia, o valor normativo que possui a Palavra de Deus (...).
Ao ler os textos bíblicos, somos chamados a abrir o coração e a rezar como o salmista: «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos». Ao ler a Palavra de Deus germina em nós o desejo de conversão; deixamos que Deus entre em diálogo connosco, para iluminar os recantos mais escuros das nossas dúvidas e temores, para confirmar as escolhas acertadas do nosso dia-a-dia.
Diz o Papa Francisco: «A Palavra, quando penetra em nós, transforma o coração e a mente […]. Podemos perguntar-nos: A minha vida, que direcção toma; donde tira a orientação? Das numerosas palavras que escuto, das ideologias ou da Palavra de Deus que me guia e purifica? E em mim, quais são os aspectos que exigem mudança e conversão?»
A Lepra é uma doença dermatológica, infecciosa, crónica que atinge as pessoas pelo contágio, em especial as mais frágeis que sofrem de desnutrição, falta de água potável e baixos padrões de higiene. Raoul Follereau chamava à lepra a filha primogénita da pobreza.
O Dia Mundial dos Leprosos é mais uma oportunidade para levar as pessoas a reflectirem sobre a situação de sofrimento das vítimas desta doença e a partilhar com elas a sua solidariedade e algo dos seus bens, para ajudar a tratar as suas feridas, aconchegar os seus estômagos, prestar mais informação sobre a doença, reabilitar e reinserir quem está marginalizado, por causa desta enfermidade.
Todos os dias, mais de 28 crianças em todo o mundo são diagnosticadas com a doença de lepra. Muitas mais ficarão sem diagnóstico precoce devido ao estigma, ao medo e à falta de assistência médica.
Quando a Lepra é diagnosticada e tratada atempadamente, evita-se a formação de úlceras, a afectação do sistema nervoso periférico, a produção de lesões graves nos pés, nas mãos e evitar a cegueira.
Actualmente, há tratamento e cura para a doença e são tratados, efectivamente, cerca de um milhão de doentes por ano. No entanto, as precárias condições de vida de muitas populações, devido à pobreza, às injustiças sociais, à ignorância, às guerras e às calamidades naturais causam o aparecimento de 400/500 mil casos novos por ano.
Raoul Follereau (1903/1977) dedicou 50 anos da sua vida à causa dos Leprosos “os mais pobres dos pobres”, como ele os definia, orientando a sua acção sob a mensagem “combater a Lepra e todas as causas de exclusão social”.
A Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau inspira a sua actividade na Mensagem de Raoul Follereau, a favor dos doentes de Lepra e vítimas de todas as “lepras”. Em Portugal, a APARF colabora com ajuda material e social, ao mesmo tempo que acompanha os casos mais urgentes e de maior necessidade, tanto nacionais como estrangeiros, cujo número total ronda presentemente meia centena de hansenianos e seus familiares.
Vários santos dedicaram as suas vidas para aliviar o sofrimento dos doentes de lepra: José Damião De Veuster (Padre Damião) santo conhecido universalmente como o Apóstolo dos Leprosos de Molokai, uma ilha do Hawai; e Santa Marianna Cope passou 35 anos, em Molokai, trabalhando, com outras irmãs, na obra do Padre Damião. Também, Santa Teresa de Calcutá (Madre Teresa); o beato Jan Beyzym passou anos entre os leprosos de Madagáscar; o venerável Marcelo Candia. (cf. APARF e Santa Sé)



