PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO “… Ide… baptizai… e ensinai…” (cf. Mateus 28, 19-20) Hoje, celebra-se a solenidade da Ascensão do Senhor. O trecho evangélico (cf. Mt 28, 16-20) mostra-nos os Apóstolos reunidos na Galileia, «no monte que Jesus lhes tinha indicado» (v. 16). Aqui tem lugar o último encontro do Senhor Ressuscitado com os seus na montanha. A “montanha” tem uma forte carga simbólica. Numa montanha, Jesus proclamou as Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-12); nas montanhas, retirou-se para rezar (cf. Mt 14, 23); ali acolheu as multidões e curou os doentes (cf. Mt 15, 29). Mas desta vez, na montanha, já não é o Mestre que age e ensina, cura, mas o Ressuscitado que pede aos discípulos para agir e proclamar, confiando-lhes o mandato de continuar a sua obra. Investe-os da missão junto de todos os povos. Ele diz: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (vv. 19-20). Os conteúdos da missão, confiada aos Apóstolos, são estes: proclamar, baptizar, ensinar e percorrer o caminho traçado pelo Mestre, ou seja, o Evangelho vivo. Esta mensagem de salvação implica, antes de mais, o dever do testemunho - sem testemunho não se pode anunciar - ao qual também nós, discípulos de hoje, somos chamados, para dizer a razão da nossa fé. Face a uma tarefa tão exigente, e pensando nas nossas fraquezas, sentimo-nos inadequados, como certamente se sentiram os próprios Apóstolos. Mas não devemos desanimar, recordando as palavras que Jesus lhes dirigiu antes de subir ao Céu: «E Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (v. 20). Esta promessa assegura a presença constante e consoladora de Jesus, entre nós. Mas, como se realiza esta presença? Através do seu Espírito, que leva a Igreja a caminhar na história como companheira de viagem de cada homem. Este Espírito, enviado por Cristo e pelo Pai, opera a remissão dos pecados e santifica todos aqueles que, arrependidos, se abrem com confiança ao seu dom. Com a promessa de permanecer connosco até ao fim dos tempos, Jesus inaugura o estilo da sua presença no mundo como Ressuscitado. Jesus está presente no mundo mas com outro estilo, o estilo do Ressuscitado, ou seja, uma presença que se revela na Palavra, nos Sacramentos, na acção constante e interior do Espírito Santo. A festa da Ascensão diz-nos que Jesus, embora tenha subido ao Céu para habitar gloriosamente à direita do Pai, está ainda e sempre entre nós: disto deriva a nossa força, a nossa perseverança e a nossa alegria, precisamente da presença de Jesus entre nós com o poder do Espírito Santo. Que a Virgem Maria acompanhe a nossa viagem com a sua protecção materna: dela aprendemos a doçura e a coragem de sermos, no mundo, testemunhas do Senhor Ressuscitado. (Papa Francisco na Oração Regina Caeli, no dia de Maio de 2020, na Biblioteca do Palácio Apostólico, Vaticano, Roma)

domingo, 2 de fevereiro de 2025

SANTOS POPULARES

 


BEATA CLARA (LUDWIKA) SZCZESNA
 
Ludwika Szczęsna nasceu no dia 18 de Julho de 1863, em Cieszki, na diocese de Płock, na Polónia. Foi a quarta dos seis filhos de António Szczesni e Francisca Skorupska. Nos anos difíceis que se seguiram à revolta, na área da Polónia sob a administração russa, ela não teve oportunidade de frequentar a escola. No entanto, aprendeu a ler e escrever e recebeu uma educação religiosa completa. Passou a infância perto de um pequeno santuário, dedicado a Nossa Senhora e a Santo António, em Żuromin. Aos doze anos, perdeu a mãe e, até os dezassete anos, morou com o pai e a sua segunda esposa. O seu pai quis obriga-la a casar; então, Ludwika deixou a casa do seu pai e foi para casa de um parente, em Mława, onde trabalhou como costureira, esperando que o seu sonho de dedicar a sua vida a Deus, como freira, fosse realizado.
Em 1886, participou num retiro dirigido pelo Padre capuchinho Honorato da Biała, (Beatificado em 1988), em Zakroczym, onde conheceu a Madre Eleonora Motylowska, cofundadora e superiora-geral da Congregação das Servas de Jesus. Depois de um período de discernimento, em Varsóvia, Ludwika entrou na Congregação e foi enviada para Lublin, para trabalhar como governanta de uma casa senhoril, com a missão de ajudar a cuidar das crianças. Como as autoridades de ocupação russas proibiram qualquer tipo de actividade religiosa, ela ensinava, clandestinamente, as meninas; incentivava a sua fé e cuidava da sua boa educação. Foi forçada a deixar Lublin quando a sua actividade foi descoberta e, depois, retornou, por um curto período, a Varsóvia.
Em 1893, o Padre José Sebastião Pelczar, pediu que algumas freiras viessem trabalhar na Casa da Juventude, em Cracóvia. A Irmã Ludwika foi para Cracóvia, em 1893, juntamente com a Irmã Faustina Rostkowska. Ela exerceu o trabalho que lhe foi confiado com muito zelo e amor.
Em 15 de Abril de 1894, foi fundada a Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus e a Irmã Ludwika tornou-se a superiora e a mestra das primeiras freiras. Em 2 de Julho de 1895, fez a profissão religiosa nesta Congregação, tendo Santa Clara de Assis como padroeira da sua vida. Então, assumiu o nome ‘Clara’. Como serva do Sagrado Coração de Jesus, a Irmã Clara esteve sempre aberta às necessidades dos outros e à acção do Espírito Santo, compartilhando também as preocupações do Padre Pelczar pela sorte das empregadas domésticas, dos trabalhadores e dos enfermos. Graças a ela, as indicações do Fundador encontraram expressão duradoura na espiritualidade e nas obras apostólicas das Servas do Sagrado Coração de Jesus.
Durante o primeiro capítulo-geral da congregação, em 1907, a Madre Clara foi eleita superiora-geral. No segundo capítulo, ela foi reeleita. Como superiora-geral da Congregação, visitou as casas e locais de trabalho das freiras. Ela estava aberta às necessidades de todas as pessoas e, portanto, o campo do seu trabalho expandia-se continuamente. Apesar das difíceis condições sociais e históricas, o número das freiras e das casas ia, sempre, aumentando.
A sua preocupação constante era com o bem das religiosas, a sua preparação profissional, intelectual e espiritual, para efeitos da qualidade do trabalho a realizar nas obras apostólicas da congregação. Ao longo da sua vida, a Madre Clara foi consistentemente dedicada, com coração indiviso, a Deus. Cheia de humildade e sempre pronta a servir os outros, foi um sinal visível do amor de Deus. As palavras “Tudo pelo Coração de Jesus” foram as suas palavras de ordem e programa de vida.
Permaneceu à frente da congregação durante 22 anos, ou seja, até o fim da sua vida.
A Madre Clara morreu no dia 7 de Fevereiro de 1916, em Cracóvia, Polónia
O Padre José Sebastião Pelczar, que em 1899 foi nomeado bispo-auxiliar de Przemyśl e, um ano depois, Bispo daquela diocese, foi beatificado, pelo Papa João Paulo II, no dia 2 de Junho de 1991, e canonizado pelo mesmo Pontífice em 18 de Maio de 2003
A Madre Clara Szczęsna foi beatificada, em Cracóvia, no Santuário de São João Paulo II, no dia 27 de Setembro de 2015, em cerimónia presidida pelo Cardeal Ângelo Amato, em nome do Papa Francisco.
A sua memória litúrgica é celebrada no dia 7 de Fevereiro.