PALAVRA COM SENTIDO

PALAVRA COM SENTIDO

“…Soltai brados de alegria… Fazei ouvir os vossos louvores…” (cf. Jeremias 31, 7)

O convite à alegria é permanente, na Palavra do Senhor. A alegria nasce da fé no Senhor que salva o seu povo; é fermento de esperança, na tristeza que envolve a vida; é testemunho do amor que se verga sob o peso da cruz; é proclamação da verdade que nos liberta. O desafio da alegria afronta o ódio, a vingança, a marginalidade, a violência, porque é criador de unidade, de comunhão, de festa, de encontro e de paz… A verdadeira alegria: aquela que vem de Deus e anima a nossa acção missionária. Por ela, somos convidados a louvar e a agradecer as maravilhas que Deus faz em nós e, por nós, no meio do mundo. Cantar a alegria da fé, do amor incondicional, da vida doada em serviço por amor, da fraternidade que construímos na harmonia das palavras e na beleza dos gestos, da esperança que destrói muros e lança pontes de solidariedade e de perdão. Acolher a alegria de Jesus presente no meio de nós…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

11 DE FEVEREIRO: DIA MUNDIAL DO DOENTE



- da Mensagem do Papa Bento XVI para o XX Dia Mundial do Doente


“ Por ocasião do Dia Mundial do Doente, que celebraremos no próximo dia 11 de Fevereiro de 2012, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes, desejo renovar a minha proximidade espiritual a todos os enfermos que se encontram nos lugares de cura ou recebem os cuidados das famílias, enquanto manifesto a cada um deles a solicitude e o afecto da parte de toda a Igreja. No acolhimento generoso e amoroso de cada vida humana, sobretudo da frágil e doente, o cristão expressa um aspecto importante do seu testemunho evangélico, segundo o exemplo de Cristo, que se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para os curar.(…)
O tema desta Mensagem para o XX Dia Mundial do Doente: «Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!», visa também o próximo «Ano da Fé», que terá início a 11 de Outubro de 2012, ocasião propícia e preciosa para redescobrir a força e a beleza da fé, para aprofundar os seus conteúdos e para a testemunhar na vida de todos os dias (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 11 de Outubro de 2011). Desejo encorajar os doentes e quantos sofrem a encontrar sempre uma âncora segura na fé, alimentada pela escuta da Palavra de Deus, da oração pessoal e dos Sacramentos, enquanto convido os Pastores a permanecerem cada vez mais disponíveis à sua celebração para os enfermos. Segundo o exemplo do Bom Pastor e como guias do rebanho que lhes foi confiado, os presbíteros sejam repletos de alegria, atentos aos mais frágeis, aos simples, aos pecadores, manifestando a misericórdia infinita de Deus com as palavras tranquilizadoras da esperança (cf. Santo Agostinho, Carta 95, I: PL 33, 351-352). Àqueles que trabalham no mundo da saúde, assim como às famílias que nos seus próprios entes queridos vêem a Face sofredora do Senhor Jesus, renovo o meu agradecimento e o da Igreja a fim de que, na competência profissional e no silêncio, muitas vezes inclusive sem mencionar o nome de Cristo, manifestam-no concretamente (cf. Homilia na Santa Missa Crismal, 21 de Abril de 2011). A Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, elevemos o nosso olhar confiante e a nossa prece; a sua compaixão materna, vivida ao lado do Filho agonizante na Cruz, acompanhe e sustenha a fé e a esperança de cada pessoa enferma e sofredora ao longo do caminho de cura das feridas do corpo e do espírito…”

PALAVRAS DO PAPA


- aos peregrinos de língua portuguesa, na Praça de São Pedro, em 8 de Fevereiro


“ Pregado na cruz, Jesus lança este grito: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» No momento extremo da sua rejeição pelos homens, Ele reza, deixando transparecer tanto a solidão do seu coração como a certeza da presença do Pai, a quem reafirma plena adesão aos seus desígnios de salvação da humanidade. Mas, como é possível que Deus não intervenha para libertar o seu Filho desta prova terrível? É importante compreender que a oração de Jesus não é o grito de um desesperado, que se sente abandonado. Mas, ao rezar um salmo de Israel - as palavras referidas são o início do salmo 22 - Jesus toma sobre Si o sofrimento do seu povo e de todos os homens oprimidos pelo mal e leva-o até ao próprio coração de Deus, seguro de que o seu grito será atendido na ressurreição. Enfim, Jesus vive o seu sofrimento em comunhão connosco e por nós; é um sofrimento que brota do amor e, por isso, já contém em si a redenção, a vitória do amor (…) Com a sua ressurreição, Cristo abriu a estrada para além da morte; temos a estrada desimpedida até ao Céu. Que nada vos impeça de viver e crescer na amizade do Pai celeste, e testemunhar a todos a sua bondade e misericórdia!..” ( cf. Rádio Vaticano )

- Oração do Angelus, na audiência geral do dia 12 de Fevereiro, na Praça de São Pedro

“No Domingo passado vimos como Jesus, na sua vida pública, curou muitos doentes, revelando que Deus quer a vida para homem, a vida em plenitude. O Evangelho deste Domingo mostra-nos Jesus em contacto com uma doença considerada, naquele tempo, a mais grave, quer por tornar a pessoa “impura”, quer por a excluir das relações sociais: falamos da lepra. Uma legislação especial ( cf. Lv 13-14 ) reservava aos sacerdotes a responsabilidade de declarar a pessoa leprosa, isto é, impura; também era da competência do sacerdote constatar a cura e readmitir o doente curado na vida normal. Quando Jesus andava a pregar pelas aldeias da Galileia, um leproso aproximou-se d’Ele e disse: “Se quiseres, podes curar-me”. Jesus não recusa o contacto com aquele homem mas, pelo contrário, movido por uma íntima solidariedade com a sua condi-ção, estende a mão, toca-o – superando a imposição legal – e diz-lhe: “Quero; fica purificado!” Naquele gesto e naquelas palavras de Cristo está toda a história da Salvação; está incarnada a vontade de Deus de nos curar, de nos purificar do mal que nos desfigura e que destrói as nossas relações. Naquele contacto entre as mãos de Jesus e o leproso, foram abatidas todas as barreiras entre Deus e a ‘impureza’ humana, entre o Sagrado e o seu oposto não, certamente, para negar o mal e a sua força negativa, mas para demonstrar que o amor de Deus é mais forte do que todo o mal, mesmo o mais contagioso e horrível. Jesus tomou sobre si as nossas enfermidades; fez-se “leproso” para que nós fôssemos purificados. (… ) Eis a vitória de Cristo: a nossa cura profun-da e a nossa ressurreição para uma vida nova (…)”

PARA REZAR



SALMO 32
Feliz aquele a quem é perdoada a culpa
e absolvido o pecado.
Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade
e em cujo espírito não há engano.

Confessei-te o meu pecado
e não escondi a minha culpa;
disse: «Confessarei ao Senhor a minha falta;»
e Tu me perdoaste a culpa do pecado.

Por isso, todo o fiel te invoca
no tempo da angústia.
E, mesmo que transbordem águas caudalosas,
jamais o hão-de atingir.

Tu és o meu refúgio: livras-me da angústia
e me envolves em cânticos de libertação.
«Vou ensinar-te e mostrar-te o caminho que deves seguir;
de olhos postos em ti, serei o teu conselheiro…»

Muitos são os sofrimentos do ímpio;
mas, a quem confia no Senhor, o seu amor o envolve.
Alegrai-vos, justos, e regozijai-vos no Senhor;
exultai todos vós que sois rectos de coração!

SANTOS POPULARES


SÃO TEOTÓNIO

Nasceu em 1082, na aldeia de Tartinhade, em Ganfei, próximo de Valença do Minho. Fez os primeiros estudos no mosteiro beneditino de Ganfei. Aos dez anos, mostrando inclinação religiosa, foi entregue ao seu tio, bispo de Coimbra, que se responsabilizou pela sua educação, entregando-o ao cuidado do P. Telo - director do colégio anexo à catedral - que assumiu a responsabilidade de ser o seu orientador espiritual. Teotónio formou-se em teologia e filosofia. Quando o seu tio morreu, o padre Telo enviou-o para Viseu, onde ficou ao cuidado de um outro tio que era prior do Mosteiro de Viseu. Aí, completou a sua formação eclesiástica e foi ordenado sacerdote. Mais tarde, sucedeu ao seu tio, tornando-se prior do mosteiro, em 1112. Teotónio foi em peregrinação a Jerusalém e, ao voltar, recusou ser nomeado bispo de Viseu. Preferiu continuar como um simples missionário. Foi uma segunda vez à Terra Santa, onde pretendia ficar. Entretanto, o padre Telo, seu antigo orientador, mandou-o chamar, porque precisava da sua ajuda para fundar uma nova comunidade religiosa. Assim, Teotónio tornou-se co-fundador - juntamente com outros onze religiosos - e o primeiro superior do Mosteiro da Santa Cruz de Coimbra, sede da nova Ordem, criada em 1131, sob a Regra de Santo Agostinho. A sua actuação foi marcada por uma verdadeira dinâmica missionária, com resultados relevantes durante a reconquista cristã. Cedo compreendeu que as nações não se forjam nos campos de batalhas, mas nas escolas, na formação da sua juventude. Foi um missionário notável e um homem de visão moderna para o seu tempo. Foi conselheiro espiritual do rei D. Afonso Henri-ques, que o estimava muito. Manteve contactos amistosos com personagens importantes do seu tempo, como São Bernardo. Aos setenta anos, Teotónio renunciou ao cargo de prior, voltando a ser um simples religioso. Um ano depois, o Papa Anastácio IV quis consagrá-lo bispo de Coimbra, mas ele recusou, dedicando os últimos anos da sua vida à oração. Morreu no dia 18 de Fevereiro de 1162. O seu corpo repousa numa capela da igreja do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Um ano depois da sua morte, foi canonizado pelo Papa Alexandre III. São Teotónio foi o primeiro santo português a ser canonizado, sendo celebrado pela Igreja como reformador da vida religiosa, em Portugal. A sua memória litúrgica celebra-se no dia 18 de Fevereiro. Em 1602, foi proclamado padroeiro da cidade e da diocese de Viseu.